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Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

A Ladeira Vaidosa

 

 

Ramalho Ortigão chamou ao Chiado a "ladeira vaidosa". Foi uma expressão feliz, vinda de quem não pedia meças em matéria de elegância. Diz-se de Ramalho Ortigão que apregoava a sete ventos a proveniência  londrina da sua indumentária, mas parece que, afinal, o "tailleur" não ficava longe do Chiado...

Confesso que não me lembro de passar pelo Chiado sem imaginar a carga mística daquele espaço. Ao passar pelo Largo do Camões lembro-me da inauguração daquela estátua ao nosso poeta maior (e foram tantos). Na Rua do Alecrim consigo ver Eça de Queirós a olhar para a verdade nua e crua, "sob o manto de diáfano da fantasia", em frente ao Palácio dos Quintela, que fizeram fortuna com o negócio do tabaco.

Por falar em tabaco, chego à Havaneza, ponto de encontro obrigatório dos "janotas" da capital. Naquele espaço, amputado em 1960 para dar lugar a um banco (precisamente do fundador Henry Burnay), se juntava o high life,  glosado por Eça de Queirós nos Maias " A uma esquina, os vadios em farrapos fumavam: e na esquina defronte, na Havaneza, fumavam outros vadios, de sobrecasaca, politicando".

Ao lado da Havaneza, fica a "Brasileira", outro espaço carregado de memórias dessa "belle époque", onde figura, há um par de anos, a estátua de Fernando Pessoa bebendo o seu café. Faltará, provavelmente, o absinto, consumido para além do razoável pelo grande poeta.

O autor de "A Mensagem" nasceu em frente de um local obrigatório no roteiro do Chiado: O Teatro Real de São Carlos. Local elegante, onde as soirées eram muito mais do que uma deslocação para assistir a uma espectáculo. Era a exuberância no traje, a afimação do status, a lascívia que Eça tão bem caracterizou, as maroteiras políticas, estava tudo ali. Até ópera!  

Não perdendo o fólego, passamos pelo Hotel Borges, até há uns anos uma escala  habitual de um  veículo preto, de onde saía, nada mais nada menos, que um Presidente do Conselho à procura de emoções fortes....

Passando pela Sá da Costa, a melhor livraria o mundo para os amantes da nossa história (o encómio é meu), descemos até à Leitaria Marques, actualmente convertida noutro banco. As leitaria e as casas de chá apareceram com a emancipação feminina. Como não seria de "bom tom" uma senhora frequentar um café, surgiram estes espaços onde as senhoras podiam conviver, sem escândalo, enquanto tomavam uma bebida. Infelizmente, hoje já não existe registo da célebre Leitaria Garrett, imortalizada pela voz de Vitorino.

Com a Igreja dos Mártires à nossa direita, aproximamo-nos da Livraria Bertrand, a mais antiga da Baixa, onde a população letrada se deslocava nos finais do século XIX à procura das novidades que chegavam de Paris.

Quase a chegar aos Armazens do Chiado, um novo pátio (da autoria de Siza Vieira) ocupa o lugar da antiga mercearia Jerónimo Martins, hoje uma multinacional de grande sucesso não só em Portugal como na Polónia.

Enfim, terminamos o percurso pela "ladeira" nos Armazens do Chiado. Foi convento, depois da extinção das ordens religiosas, pelo decreto do mata-frades, deu lugar a vários hoteis célebres na prosa queirosiana (o Universal, por exemplo). No final do século foi adquirido por Francisco  Grandela, que transformou o local num grande armazém . Este Grandela, haveria de ser conhecido pela sua perícia no manuseamento de bombas, serviço tão requisitado na malfadada primeira república.

Não podia terminar este texto sem referir o célebre M. Berman o maior imitador de joias da capital, alcançando o feito de ter deixado para a posterioridade uma palavra inspirada no seu nome (bera) para designar algo que não é autêntico, logo é pior / tem má qualidade.

Tanto mais havia para contar. No entanto deixo-vos este pequeno apontamento de Columbano Bordalo pinheiro acerca do inevitável Eça de Queirós.

Um dia, recebendo o romancista em sua casa, foi surpreendê-lo a ler  " A Relíquia", ao mesmo tempo que soltava vigorosas gargalhadas. Columbano ficou atónito, quando Eça lhe disse "eis uma relíquia que não tenho o prazer de ter em minha casa..." Ficámos a saber que Eça não tinha algumas das sua obras na sua própria casa, talvez para não ferir o puritanismo da filha dos srs. Condes de Resende...

 

publicado por Rui Romão às 15:00
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