. O 4 de Julho

. O ABC da Lealdade

. Viva o 25 de Abril...de 1...

. Mário Soares e a III (ou ...

. A Revolução de 1820

. O Longo Processo de Recon...

. A Maldição dos Primogénit...

. Uma Andaluza à Frente dos...

. A Páscoa

. O Herói dos Heróis

.arquivos

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Outubro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

.contador

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Norte e Sul

Sendo Lisboeta até à última molécula, não cultivo qualquer espécie de rivalidade regional, nomeadamente com o Porto, como é apanágio dos meus conterrâneos. Mais, considero o Porto uma cidade fascinante e, que me perdoem os vimaranenses, o berço da nossa nacionalidade. 

À parte dessas querelas, podemos orgulhar-nos de sermos a mais velha nação europeia e das poucas que não tem dissidências internas. Alguns partidos políticos, de quando em vez, lá tentam cria-las, através de propostas de regionalização. Felizmente que  os portugueses tiveram o bom-senso de recusaram tal artifício em sede de referendo.

Se a unidade nacional não está em causa, isso não invalida que não tenhamos assimetrias internas. Parte dessas assimetrias são decorrentes da forma como o pais se organizou politica, economica e socialmente. A ocupação demográfica na faixa litoral, a desertificação do  interior, o predomínio das actividades agrícolas a sul, etc.

No entanto, existem traços regionais que são muito mais ancestrais, urdidos pelos séculos de história de povoamento, que nalguns casos remontam à fase pré-romana. Desde logo a matriz celtica a norte, onde a presença de cultura castreja moldou indelevelmente o modo de vida dos povos. Com a invasão romana estes castros foram integrados numa unidade administrativa, denominada Galécia, situada a noroeste da península e tendo como sede a então Braccara Augusta (Braga) e que haveria de ser o gérmem da língua Galaico -portuguesa. A troca dos V's pelos B's, tipicamente nortenha, é uma reminiscência do Galaico- português e ainda hoje é um sinal distintivo da pronúncia nortenha.

A sul, a presença muçulmana foi mais marcante. A presença árabe após 711 havaria de introduzir um cunho próprio a esta região. Desde logo na língua (nomeadamente na toponímia), na arquitectura e na organização social. Uma questão que ainda hoje permanece em aberto é o facto de os serracenos terem conquistado quase toda a península num espaço de meses aos Visigodos, e terem sido expulsos apenas em 1492 com a tomada de Granada.

Em Portugal, apenas no reinado de D. Afonso III  (século XIII) se consolidou o dominio cristão. Ou seja, a influencia serracena fez-se sentir ao longo de mais de seis séculos, o que não parece ter sido prejudicial às populações pois estes eram mais tolerantes e mais benévolos do que os senhores visigodos que os antecederam. O próprio culto cristão, as leis e costumes dos povos foram respeitados, ao ponto de se terem construído igrejas cristãs neste período. 

Esta presença cristalizou-se neste estilo contemplativo que caracteriza o sul de Portugal. Pejorativamente associa-se este traço idiossincrático à perguiça, o que não poderia ser mais injusto. A influência a sul traduziu-se no aparecimento dos chamados moçarabes, ou seja autóctones que foram assimilando os valores e a cultura árabe. Hoje em dia, é este o traço cultural e mesmo físico que predomina nas províncias do Alentejo e Algarve, ao passo que a norte a influência visigótica é superior.

Este facto reflecte-se até no cariz mais cristão a norte, face a um maior agnosticismo a sul.

É evidente que esta divisão é artificial, até porque o nosso país goza de boa saúde em matéria de unidade territorial. Outros motivos poderiam ser enunciados, como sejam a maior extensão da propriedade a sul, face a um norte mais povoado e  mais retalhado.

Esta característica latifundiária teve consequências dramáticas a sul após a revolução liberal. As populações tiravam o seu sustento das extensas propriedades que eram pertença das ordens religiosas, pagando uma contrapartida relativamente insignificante em géneros (geralmente ovos, e daí nasceu a doçaria conventual). Com o fim das ordens religiosas, após o célebre decreto do "mata-frades", as terras foram compradas por caciques locais que  colocaram os trabalhadores na antiga condição de assalariados, ou na imposição de contrapartidas muito superiores às que se tinham habituado no antigo sistema de courelas. As consequências foram terríveis, com fomes e revoltas das populações. Penso que será esta a raíz da influência comunista no Alentejo. Uma região rural que, habitualmente, alinha pelo conservadorismo de direita, rendeu-se ao marxismo-leninismo pelo fim da propriedade privada, nomeadamente porque esta propriedade estava na mão de meia dúzia de latifundiários. Tivessem os trabalhadores tomado posse das propriedades em 1834 e o comunismo nunca teria tido expressão na região.

A Norte, com o predomínio da pequena propriedade (privada) as consequências foram insignificantes, não indo para além do deplorável abandono do património religioso.

Trata-se, evidentemente, de uma abordagem simplista, mas que nos faz reflectir sobre a ancestralidade onde radicam algumas características que ainda hoje são observáveis e que nos ajuda a explicar alguns estereótipos regionais 

publicado por Rui Romão às 08:41
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De camaradita a 13 de Outubro de 2008 às 16:30
Apreciei o facto de abordar a regionalização em articulação com a nossa história: deduz-se que Portugal é um estado a-regional. Os regionalistas tudo fazem para desviarem daí o debate, preferindo a demagogia barata.

Só não concordo consigo quando admite que o Porto é o berço da nossa nacionalidade. De modo nenhum concordo, e também gosto e admiro a Cidade Invicta e as suas gentes. D. Afonso Henriques não concordaria consigo. Bem rapidamente o Fundador se deslocou para o centro, não só por razões estratégicas militares de conquistas para sul, mas para se libertar do poderio de uma dúzia de famílias nobres e apoiar-se no poder local, o municipalismo, no povo e por isso arrastou consigo para centro e sul famílias do povo do Minho e segundos filhos e bastardos dessas famílias.

O Porto só começou a ganhar grande protagonismo com a revolução liberal em 1820, mas nunca conseguiu assumir-se como o centro político, militar e cultural do Norte Além-Douro.

É a minha opinião.

Comentar post

.D. Afonso Henriques


.

.pesquisar

 

.Setembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.tags

. todas as tags

.contador

.contador

blogs SAPO

.subscrever feeds