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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Portugal na Vanguarda

Não sendo a capacidade inovadora uma característica reconhecida aos portugueses, existem alguns factos, mais ou menos desconhecidos, que  seriam um excelente contraditório a este estereótipo.

Recuemos quinhentos anos. Fomos os primeiros a chegar à Índia por via marítima e ao Brasil. Explorámos a costa africana e chegámos à Ásia. Outros países orgulham-se de façanhas muito semelhante: Espanhois, Holandeses, Ingleses. Agora nenhum país o fez de uma forma sistematizada, organizada e permanente, como Portugal, desenvolvendo uma complexa rede de trocas comerciais e culturais, estabelecendo feitorias, gerindo rotas, etc. Foi o génio do infante e o desígnio da coroa, a que se juntou a vontade popular,  a quem se deve este feito único, naquilo que pode ser entendido como o dealbar da globalização. Teve início no século XV e só teve o seu ocaso às portas do século XXI.

Se o gérmen da globalização é português, a primeira multinacional também nasceu na pátria lusitana. Trata-se da Ordem de Cristo, e o seu "logótipo" estava inscrito nas caravelas que cruzavam oceanos. Era a Ordem de Cristo que tinha a incumbência de desenvolver a exploração de novos territórios e o estabelecimento de trocas comerciais. No fundo era uma empresa "pública" com o monopólio da navegação e comércio ultramarino. Evidentemente que a Ordem de Cristo dependia da coroa. O Infante D. Henrique foi o primeiro Mestre pertencente à família real. Até então os mestres eram eleitos por seus pares. O último fora D. Lopo Dias de Sousa, filho da malograda Maria teles e de D. João, filho de D. Pedro e de Inês de Castro.

No início do século XIX, o Príncipe Regente, futuro D. João VI, haveria de introduzir uma novidade, que mereceria figurar nos compêndios de Ciência Política. Perante a iminente invasão francesa, a família real decidiu transferir a capital para o Rio de Janeiro, com a elevação do Brasil ao estatuto de reino. Com o título de Rei de Portugal, do Brasil e dos Algarves, D' áquem e D'álem mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Comércio e Navegação da Etiópia, etc, D. João VI manteve a independência do país, mesmo que uma parte (reduzida) estivesse ocupada por tropas estrangeiras. Este facto foi entendido como uma fuga. Eu considero que foi uma medida brilhante, porventura inconsciente, de alguém que ficou conhecido para a posterioridade como um estadista intermitente e inseguro. Não sei se Aristides Pereira se inspirou neste facto quando declarou em 1973, unilateralmente, a independência da Guiné Bissau. No entanto o argumento foi o mesmo: o país é independente, a diferença é que tem tropas estrangeiras no seu território.

Foi preciso chegarmos ao estertor do Estado Novo para se registarem mais factos dignos de nota. Curiosamente, ambos tiveram lugar em 1961 e foram percursores de algo que se começou a banalizar desde então: sequestros de veículos com fins políticos (aviões em particular). O caso Santa Cruz, correu o mundo, graças ao arrojo do Capitão Henrique Galvão e seus correlogionários. O autor da obra "Férias Sem Salazar" capitaneou o assalto ao navio da frota mercante portuguesa, com o objectivo de desviá-lo para Angola e aí originar um pronunciamento militar que resultasse na queda do regime de Salazar. Os seus intentos foram parcialmente bem sucedidos. O seu efeito mediático foi devastador, mas não conseguiu chegar a Angola, ficando-se pelo Brasil, país em que pediu azilo político.

O feito de Palma Inácio não tendo sido tão mediático, nem tão conhecido hoje em dia, não pede meças em termos de arrojo. Inácio desviou um avião proveniente de Marrocos com destino à Portela, fazendo-o sobrevoar, a baixa altitude, no centro de Lisboa e na Margem Sul, largando panfletos subversivos aos olhos do regime. O mesmo regime que colocou caças numa feroz perseguição, que apenas não resultou no derrube da aeronave por a mesma sobrevoar numa altitude muito perigosa do ponto de vista dos possíveis danos colaterais.

No entanto, pessoalmente, considero que a maior inovação até hoje alcançada pelos portugueses deve-se ao Almirante Pinheiro de Azevedo. Digo que é a maior, porque até hoje nunca foi repetida, pelo que a minha opinião se sustenta nessa singularidade. Face à reacção pro-gonçalvista que bloqueava o país, desde o seu tecido económico, passando pelo meio castrense  e também político. Desde sequestros no parlamento, perante a passividade da polícia e das forças armadas, à deflagração de engenhos explosivos e um clima de pré-guerra civil em que o país vivia, Pinheiro de Azevedo, no papel de Primeiro-Ministro, declarou que o Governo tinha entrado em greve, como sinal de protesto perante os condicionamentos de que era alvo e que o impediam de governar. Arrisco um prognóstico: nunca mais teremos outro governo em greve, em Portugal ou em qualquer parte do mundo.

 

Fica o vídeo, a atestar este facto

 

 

publicado por Rui Romão às 19:10
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

A Revolta do Copo de Três

 

 

Ontem, como hoje, é comum falar-se de um grande desfazamento entre as elites governantes e o chamado povo anónimo que se tem que submeter a realidades que lhe são impostas, e não raras vezes, completamente hostis. A História de Portugal encontra-se repleta destes exemplos. Na maior parte das vezes, geram-se convulsões socias por questões anodinas, consideradas mesmo insignificantes por quem governa, mas que são de extrema relevância para quem se confronta com uma situação que lhe é adversa.

Interpreto esta disfunção à luz da relação entre a Ideia e a matéria. A ideia Hegueliana, que desce à terra para transformar o mundo, confronta-se com a revolução coperniciana de Marx, que vem da terra e das relações sociais que se materializam através da vontade dos Homens para gerar a ideia. São dois paradigmas que marcaram o último quartel do século XIX e que penso ajudam a explicar a diferente visão do mundo consoante se esteja no Terreiro do Paço ou nos socalcos do Douro.

Vem esta questão a propósito da revolução sangrenta que se deu no Porto em 1757 contra a decisão do Marquês de Pombal de proibir a venda de vinho a "avulso". Foi um motim que originou centenas de feridos e algumas dezenas de condenações à morte, próprias de alguém que não olhou a meios para afirmar a autoridade do Estado.

A intenção do Marquês era bondosa. Evitar a degradação da qualidade do vinho do Porto, numa época em que era corrente a prática de toda a espécie de manigâncias sobre este importante produto. O vinho do Porto era uma das principais fontes de entradas de divisas no país, desenvolvendo-se extraordinariamente o seu comércio após a assinatura do tratado de Methuen. Este tratado conferia condições preferencias de acesso ao mercado britânico face aos vinhos provenientes de uma França Colbertista, em troca de uma maior abertura à entrada de lanifícios britânicos. Com a criação da Real Companhia, o estado assumiu o Monopólio do comércio do Vinho do Porto e assim passou a controlar todo o seu circuíto comercial, inclusivamente nos locais de consumo habituais -as tavernas.

Eis um exemplo de uma realidade que parece insignificante à luz do poder - beber um copo de vinho numa taverna - mas que para o povo era algo considerado imprescindível. Tão importante como enterrar os mortos nos adros das igrejas, geradora, a par do descontentamento face aos Cabrais, da Maria da Fonte.

Quando as elites não conseguem compreender a vontade popular dificilmente conseguirão mudar o que quer que seja. A reforma é preferível à revolução, pelo que para reformar é necessário compreender as perspectivas diferentes. As grandes transformações geralmente são concebidas por conservadores, porque são mais adeptos do gradualismo (modelo inglês) por oposição ao modelo revolucionário (francês), onde a lógica é destruir tudo para voltar a construir tudo de novo.

O resultado da política de Pombal ou do Costa Cabral poderia ser o mesmo, agora os meios podiam ter sido outros sem prejuízo dos fins. Ontem, como hoje.

publicado por Rui Romão às 22:00
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