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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

A Primeira Tarde Portuguesa

No ano em que se comemoram os 900 anos do nascimento de D. Afonso Henriques, e enquanto Guimarães e Visei disputam afanosamente o seu berço, venho falar-vos do nascimento de Portugal, assunto que se confunde com a vida do nosso primeirio monarca.

José Mattoso considera que a batalha de São Mamede foi o acto fundador da nacionalidade. Esta batalha teve lugar em 24 de Junho de 1128 e resulta do choque de dois contendores que se opunham há muito anos, muito antes de D. Afonso Henriques assumir a chefia desta facção. A tensão entre por um lado a fidalguia do Ribadouro (região entre o Rio Douro e o Rio Minho) cabeça do Condado Portucalense e com forte pendor autonomista, e por outro o partido de D. Teresa, que após a sua união com Fernão Peres de Trava (da principal família galega) mudou a sua posição autonomista para uma mais integracionista no Reino de Leão.

O conflito surgiu em 1120/1121 com a substitição dos fidalgos do Ribaduro  nos postos chave do condado, por Galegos ligados à família Trava. Com o infante a ser educado para governar, é normal que esta fidalguia tenha visto em D. Afonso Henriques o estandarte para a luta armada, cujo prólogo teve lugar em 1127 com o cerco de Guimarães, e que teve o seu momento culminante  em 1128 com a Batalha de São Mamede no lugar de São Redanhas, actualmente Creixomil, onde as forças do Infante rebelde sairam vitoriosas.

Dizer que Portugal nasceu nesta data, apenas por se ter substituido a pessoa que governa o condado, parece-me exagerado. No entanto foi, a meu ver, o início da consciência pátria que daria lugar à constituição do reino.

Outra data evocada neste trajecto é o dia 25 de Julho de 1139 (dia de Santiago), data da Batalha de Ourique. Não entrando no terreno ardiloso da definição do local da batalha (sobre o qual já me debrucei noutros posts), foi nesta batalha que, segundo a tradição, D. Afonso Henriques assumiu, antes da batalha e a pedido da sua horde, o título de Rei de Portugal. Não será possível confirmar esta versão, no entanto a partir de 1140 D. Afonso Henriques começa a assinar os documentos na condição de Rei. Também não creio que tenha sido aqui que nos tenhamos tornado um país independente, uma vez que esta vitória nada altera a relação de suserania face a Leão e a Afonso VII.

Depois de Ourique, D. Afonso Henriques, que não era Homem nem para se conformar com as derrotas nem para se acomodar com as vitórias, volta à carga na Galiza (5ª invasão!) e a primeira desde o desastre de 1137, violando claramente o pacto de Tui. Esta 5ª invasão foi plenamente vitoriosa e seriam estas vitórias militares que levaram mais tarde ao tratado de Zamora, assinado em 5 de Outubro de 1143, e que Alexandre Herculano considera o acto fundador da nacionalidade.

Mais uma vez estou em desacordo. O que ficou estabelecio com o Tratado de Zamora foi que D. Afonso VII reconhecia D. Afondo Henriques como Rei de Portugal e que lhe concedia o senhoria de Astorga. É  evidente que a concessão de Astorga se trata de um presente envenenado, porque representa a a manutenção da relação de suserania face ao monarca leonês, o que invalida a tese da separação de Leão. O próprio reconhecimento do título de Rei também não significa que este fosse independente, uma vez que D. Afonso VII se tinha feito coroar Imperador das Espanhas (cerimónia à qual D. Afonso Henriques não marcou presença), e o facto de ter mais um Rei na sua dependência  (à semelhança de Aragão e Navarra)  até lhe aumentava o prestígio.  

Após a assinatura do Tratado de Zamora, D. Afonso voltou-se para a Santa Sé, como forma de quebrar os laços de vassalagem para Leão. Assim, em carta de 1143, vai colocar-se nas mãos da Santa Sé, propondo a sua vassalagem, tendo o cuidado de colocar na missiva a condição da dependência de nenhum outro poder que não seja o de Roma.

Mais uma vez, D. Afonso Henriques violou um pacto com Leão, mas o que é certo é que veio a colher os frutos do seu arrojo com o reconhecimento implícito  por Lúcio II  na bula  Devotionem Tuam

Coloco-me ao lado de Diogo Freitas do Amaral ao considerar este foi o acto fundador da independência nacional, apesar de a confirmação explícita apenas ter surgido quase no final de vida do nosso primeiro Rei com a Bula Manifestis Probatum de 1179.

Independentemente do momento em que nos tornámos uma pátria, existe ua certeza quanto à sua paternidade, e essa é legitima e reconhecidamente de D. Afonso Henriques. É por este motivo que estranho a ausência de comemorações oficiais no ano em que se cumprem 900 do seu nascimento (aceitando 1109 como data provável, mas não conclusiva), por comparação com o espalhafato do centenário da República.

Será o regime mais importante do que o país? Será que o golpe palaciano da República se compara aos feitos militares, diplómáticos e governativos de D. Afonso Henriques. Será mais fácil substituir o Rei por um Presidente, ou  fazer nascer um país que quase 9 séculos  depois ainda existe e que deixou uma marca indelével pelos 5 continentes, com mais de 235 milhões de falantes da nossa língua pátria?

Eu creio que não!

      Viva Portugal!

publicado por Rui Romão às 13:04
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