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Domingo, 4 de Outubro de 2009

Breve História do Comunismo - Dos Primórdios à Revolução de Outubro

 

 

Seria no mínimo pretensioso tentar abarcar em 5 posts a história exaustiva daquilo que foi um dos movimentos ideológicos mais complexos e com maior impacto à escala planetária durante o século XX. Não é esse o objectivo. Com esta pentalogia pretende-se expôr apenas aquilo que foram os principais marcos que o moldaram, investindo particularmente na componente ideológica e nos alicerces das várias tendências que ainda hoje podemos identificar nas estruturas comunistas.

Declaração de interesses: não perfilho dos ideais comunistas, embora me interesse pelo fenómeno deste os tempos de estudante de liceu, altura em tomei contacto com a obra de Marx e Engels. No entanto, considero que o Partido Comunista continua a ter um papel funcional a cumprir, embora estranhe o anacronismo ideológico do congénere português por comparação com outros partidos comunistas europeus. Também é verdade que todos os partidos comunistas que se reformularam acabaram por se diluir nos  partidos socialistas e trabalhistas, como foi o caso da Itália com Berlinguer, da França com Georges Marchais ou da nossa vizinha Espanha com Santiago Carrilho.

Quando falamos de comunismo, a primeira interrogação surge a propósito das suas origens. Existem várias posições, desde os que defendem que teve a sua génese com a "República de Platão" até aos que a situam com a Revolução Russa de 1917. Pelo meio existem três factores que considero os fundadores deste sistema: A Revolução industrial, a Revolução Francesa e a Comuna de Paris de 1871.

Sem dúvida que o mais importante foi o eclodir da Revolução Industrial na Inglaterra do século XVIII  - que se ficou a dever ao aparecimento da máquina a vapor -  e que depressa se disseminou na Europa e na jovem república norte-americana. Esta nova tecnologia veio permitir a construção de verdadeiros colossos industriais que se caracterizavam, sobretudo, pela necessidade de mão-de-obra intensiva. Estavámos numa era em que o grande desafio estava na produção. No dealbar da mecanização, bastava produzir para ter garantidas vendas, logo, tentava-se produzir ao máximo e pelo menor custo. O resultado desta corrida febril pela "produtividade" foi a exploração de uma mão-de-obra que trabalhava até ao limite da sua capacidade física. Esta nova classe - o Proletariado - sujeito a salários de miséria e vivendo em condições de vida precárias, eram na sua maioria trabalhadores que abandonaram o mundo rural para se fixar nas cidades em busca de uma vida  melhor. Habitavam espaços lúgubres e despojados de qualquer conforto nas zonas envolventes das fábricas, tendo sido este cenário um campo fértil para o aparecimento de movimentos contestatários.

Embora tenham aparecido ainda numa fase precóce alguns "agitadores"  que se insurgiram contra o seu status quo, a tomada de consciência para a importância da luta social é adquirida  com a Revolução Francesa de 1789. Este acontecimento, marca indelével da criação do Estado Moderno, veio criar uma onda de agitação por toda a Europa. O movimento operário vai beneficiar deste clima, juntando à luta desencadeada contra o absolutismo real, a luta contra o patronato, ou seja contra os "burgueses" como pejorativamente eram referidos.

Com a revolução vieram as guerras napoleónicas que varreriam a Europa de Lisboa a Moscovo, e apenas com a paz, saída do Concílio de Viena (1815), puderam os trabalhadores continuar a sua luta.

É neste contexto que surge em Paris um jovem filósofo de nome Karl Marx, acompanhado pelo seu inseparável amigo Friedrich Engels (este último curiosamente um industrial), ambos exilados da sua  Alemanha natal na sequência da sua actividade jornalística considerada subversiva.

Participam e redigem, em 1848, o Manifesto do Partido Comunista, que serviria de base à criação da Iª Internacional. Este primeiro movimento era bastante compósito, abarcando várias tendências socialistas, anarquistas e sociais democratas, pelo que depressa se desintegrou face às diferenças ideológicas que se achavam em confronto. No entanto, esta Iª Internacional desempenhou um papel importante na agragação das correntes que dariam origem à Comuna de París, no day after da derrota francesa na guerra franco-prussiana. A revolta popular eclodiu na razão das condições humilhantes impostas à França para celebrar o armistício. Foi a génese do que se haveria de passar em  Versalhes, após a guerra 1914-1918 (embora em sentido oposto), e que abriria caminho à ascensão meteórica de um jovem cabo, que escapou à morte quase por milagre no primeiro conflito mundial, de seu nome Adolph Hitler.

Marx , que assistiu in loco à comuna parisiense, acabou por ser o grande integrador do movimento que se uniu em torno da IIª Internacional fundada em 1889, e onde a doutrina oficial Marxista era a referência incontestável, deixando de parte alguns grupos integrantes da Iªinternacional, como anarquistas e sociais democratas.

Esta Internacional não resistiu à Grande Guerra, porque a fidelidade às pátrias em conflito foi maior que a fidelidade ao projecto pan-comunista. Começando na grande instigadora do conflito, a Alemanha, onde Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, fundadores da liga Spartakista - movimento esquerdista que se opôs à jovem república de Weimar -  se mantiveram fieis à sua pátria, traindo o espírito da Internacional.

A mais importante de todas as internacionais foi, contudo, a 3ª ou Comintern, já sob a batuta da emergente Rússia, saída da revolução de 1917.    

publicado por Rui Romão às 18:14
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Breve História do Comunismo - A Revolução de Outubro

 

 

Marx previa o aparecimento do comunismo nos paises europeus mais industrializados. Quando morreu, em 1883, estava convencido que seria na Europa Central, quiçá na sua Alemanha, que este movimento iria dar os primeiros passos, espalhando-se subsequentemente, como uma espécie de dominó comunista, aos restantes paises industrializados. Estaria longe de supôr que este fenómeno surgiria num país onde 90% da sua população estava ligada à agricultura.

Esta sua tese fundamenta-se na bibliografia publicada como "A Ideologia Alemã", "O Manifesto do Partido Comunista" e o 1º volume de "O Capital", sempre em parceria com o inseparável Engels.

Em linhas gerais, Marx defendia que a História sempre registara tensões sociais. Ao longo dos tempos expõe a sua teoria, que denominou de "Materialismo Histórico e Dialéctico", segundo a qual - e de acordo com a matriz hegueliana - a história teria avançado através da oposição de classes, que levariam ao aparecimento de uma terceira, resultante da síntese entre a tese e a antítese. Esta teoria, aplicada ao contexto político, social e económico  contemporâneo de Marx levaria a concluir que existiriam duas classes fundamentais (não eram as únicas como erroneamente já vi escrito): a Burguesia e o Proletariado.

A primeira servia-se de instituições como a religião, sistema de ensino e, sobretudo, do Estado para manter esta situação de exploração do proletariado pelas classes dominantes.

À luz desta dialéctica, a tese  - sociedade burguesa - seria sucedida de uma antítese -a apropriação do Estado por parte dos proletários com a eliminação de todas as instituições burguesas -  e após a apropriação do Estado surgiria a sintese - Sociedade Comunista  - com a eliminação do próprio Estado e onde se viveria numa sociedade sem classes.

É evidente que esta teoria nunca passou do plano utópico, porquanto que as experiências comunistas foram a antítese do preconizado pelo pai do Comunismo, ou não fossem, em grande parte, resultado da interpretação (muito livre) de Lenine no seu célebre "O Que Fazer". Nesta obra, que se tornou uma espécie de "Bíblia comunista", é feita a adaptação da doutrina de Marx a um Estado Moderno, e onde se pode encontrar a génese da ditadura do proletariado, do centralismo "democrático", e de outros conceitos que mal disfarçam o seu espírito profundamente anti-democrtático.

A Revolução de 1917 apenas pode ser compreendida se retrocedermos até 1905, ou seja à guerra Russo-Japonesa. Este conflito foi motivado por questões territoriais, nomeadamente pela soberania da região da Manchúria. Por detrás deste argumento é evidente que estava também um incontido desejo de afirmação por parte dos japoneses, que queriam ser tratados de igual para igual pelas potências do Velho Continente.

A derrota russa foi amplamente noticiada por ser absolutamente inédita, tratando-se de um país europeu face a um asiático. Este desaire foi escarnecido um pouco por toda a parte, com igual repercussão em Portugal, contra o qual se insurgiu Fernando Pessoa, que se assumiu como uma espécie de  "advogado de defesa" da Rússia.

As sequelas deste conflito foram enormes do ponto de vista material para o povo russo. Seja pela afronta ou pelas privações que sofreram, a contestação atingiu proporções elevadas, com o povo a arregimentar-se em grupos de contestação locais - os soviets (que literalmente significa concelho) - desencadeando um clima de revolta generalizada. Este movimento culminou com a cedência  do Imperador face às reivindicações populares,  ao empreender reformas que, grosso modo, levaram à instauração de um regime liberal, com um parlamento eleito e estruturas democráticas.

Os Soviets eram estruturas informais sem qualquer ligação política, mas que paulatinamente começaram a sentir a influência do Partido Operário Social-Democrata Russo de Lenine.  

A abertura do Imperador foi mais cosmética do que real, pelo que 12 anos mais tarde, com as sequelas de uma nova guerra (a 1º Guerra Mundial), eclodiu em Fevereiro de 1917 uma revolta generalizada (com forte participação dos  Soviets) e que levou à abdicação do Csar e ao assumir dos destinos do país por um político moderado que na altura presidia ao parlamento (a Duma) de seu nome Kerensky. Costuma-se chamar à Revolução de Fevereiro a Revolução Menchivique, embora não seja exacto, porquanto que houve participação de Bolcheviques, tendo sido, inclusivé, o primeiro passo para estes últimos chegarem ao poder.

Bolcheviques e Mencheviques digladiaram-se nos primeiros anos de formação do Partido Operário Social-Democrata Russo, nomeadamente pela via que preconizavam para o partido e para a revolução. Os Mencheviques eram mais moderados, defendendo que a adesão ao partido apenas dependeria da contribuiçao pecuniária e do perfilhar dos seus ideais. Os Bolcheviques, por seu turno, consideravam que isso não bastava, sendo necessário que os seus membros do partido fossem autênticos "profissionais", ou seja que se dedicassem à luta partidária. Foi este antagonismo que provocou a cisão, com os bolcheviques a fundarem mais tarde (após a revolução de 1917) o Partido Comunista da União Sovética.

A figura que se destaca neste período foi a de Kerensky, que, involutariamente, acabou por ser o operacional que abriu caminho à Revolução Bolchevique, 8 meses mais tarde. Kissinger, secretário de Estado do presidente Nixon, que era o homem forte da diplomacia americana no período revolucionário português, via "Kerenskys" em todo o lado, desde logo em Mário Soares, passando por Costa Gomes e Melo Antunes. Suponho que, seguindo a mesma analogia, Lenine e Trotsky seriam Cunhal e Vasco Gonçalves (ou vice-versa).

O que é certo é que a revolução portuguesa teve alguma encenação por parte do PCP, tendo por modelo a revolução de Outubro. Desde logo, a chegada de Cunhal do exílio, agarrado aos militares (foi como chegou Lénine do seu exílio, na Suiça, à Estação de Petrogrado) até ao 1º de Maio onde Cunhal se voltou a agarrar (literalmente) aos militares naquela mística associação povo, partido(s) e MFA. Astutamente, este pormenor não passou despercebido a Mário Soares, que, desde esse dia, começou a desconfiar (e bem) que os comunistas queriam substituir uma ditadura por outra - embora de sentido contrário

Aliás, denomina-se de Revolução de Outubro mas, curiosamente, teve lugar em Novembro (no Calendário Gregoriano), porque na altura os russos seguiam ainda o calendário Juliano. 

Numa Europa dilacerada pela Guerra, onde os Russos afinaram pelo diapasão aliado, a Revolução Russa e a subsequente guerra civil pôs o país fora do conflito mundial, perante a indignação dos aliados que viram a Alemanha a libertar recursos com a supressão da frente russa.

Com o fim da Grande Guerra e da vitória bolchevique na guerra civill, sucederam-se tentativas de instauração de regimes comunistas, à imagem da revolução Russa, nomeadamente na Alemanha e Itália. No entanto, esses movimentos foram mal-sucedidos, com a instauração de regimes de sentido contrário, como foi o caso de Mussulini em Itália (ele que na juventude era director de um jornal socialista!) e na Alemanha de Hitler, embora neste caso por via democrática (após várias tentativas de golpes militares, o mais conhecido dos quais o célebre "putsh da cervejaria").

No entanto, o expansionismo soviético teve que esperar pela segunda guerra mundial para ver aumentada (e de que maneira!) a influência de Moscovo.            

publicado por Rui Romão às 18:14
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Breve História do Comunismo - Da IIIª Internacional ao Expansionismo do Pós Guerra

 

 

De todas as Internacionais (foram 4), sem sombra de dúvida que a de 1919 foi a mais importante. Sob a égide da União Soviética, foi neste conclave que os recém-formados partidos comunistas marcaram presença numa reunião onde a supremacia da União Soviética era total e incontestável. Nesta altura existia um convencimento geral acerca do alastramento da revolução bolchevique, beneficiando de um conjuntura particularmente difícil no pós-guerra. A partir das estruturas dos diversos partidos comunistas europeus, deram-se movimentações com o carácter revolucionário, embora geralmente condenadas ao fracasso, como por exemplo na Alemanha onde a Liga spartakista de Liebnecht e Rosa Luxemburgo (movimento cheio de dissensões internas) não conseguiu derrubar a jovem República de Weimar. Na França os Comunistas chegaram por via democrática ao poder, mas foi um mandato efémero. Em Itália impôs-se o movimento fascista, não muito diferente do que vigorava na Espanha de Primo de Rivera. Em Portugal estávamos a caminho do abismo com a desastrosa Iª República, que haveria de abrir caminho, depois da Ditadura Militar, ao Estado Novo.

Lenine aplicou a sua cartilha, expressa na já citada obra "O Que Fazer",  mas a verdade é que acabou os seus dias praticamente social-democrata. Ao reconhecer que seria impossível abolir a propriedade privada e a colectivização da agricultura, implantou o chamado NEP  - New Economy Policy - que representa a abertura à propriedade privada e à coexistência de um sistema capitalista em pequena escala. Com a  sua morte em 1924, e quando todos esperavam que o grande vencedor da Revolução Russa  - Leon Trotsky - assumisse o poder, com o recurso a manigâncias pouco claras, ascendeu ao poder um até então pouco conhecido dirigente, de seu nome Estaline (diz-se que deu a Trotsky uma data errada do funeral de Lenine).

Com Estaline dá-se a abolição do NEP, surgem os planos quinquenais, com a colectivização massiva da agricultura e um forte investimento em indústria pesada, em parte devido à exploração dos camponeses, que viam o Estado, indiferente à sua fome, lhe ficar com as suas colheitas. Calcula-se que a colectivização estalinista provocou 60 milhões mortos (6 vezes a população portuguesa actual!), a que se somam purgas constantes. A título exemplificativo, no XVII congresso do PCUS Estaline perdeu uma eleição. A eleição foi, obviamente, repetida, acabando por  vencer. Em virtude desta afronta, nos meses seguintes, dos 2000 delegados, mais de 1000 foram assassinados e dos 140 membros do Comité Central, cerca de 100 perderam a vida.

As purgas foram uma constante, não poupando nenhum sector da sociedade, incluindo os políticos que  lhe eram mais próximos. Estaline foi eliminando todos os seus antigos companheiros de partido, rodeando-se apenas de camaradas  "yes man" que dominava até fisicamente. Diz-se que na IIª guerra mundial, na sequência de uma derrota militar, despejou o cachimbo na cabeça de Krutschev, aquele que seria o seu sucessor e o principal responsável pela denúncia do seu terror de Estado.

Nas vésperas da IIª Guerra mundial, a URSS envolveu-se na Guerra Civil Espanhola ao lado dos republicanos, embora de uma forma mais modesta do que  italianos e alemães (do lado dos nacionalistas), que com a sua força aérea conseguiram dar uma clara vantagem às tropas de Francisco Franco.

Este conflito não impediu a URSS de assinar o chamado pacto germano-soviético, que se tratava aparentemente de um anodino pacto de não agressão, mas que nas suas cláusulas secretas contemplava a invasão e divisão da Polónia, como haveria de suceder, no que foi  o ponto de partida da Guerra (fazendo dos chamados acordos de Munique, letra-morta).

Depressa o feitiço se virou contra o feiticeiro e Hitler, entusiasmado pela vitória sobre uma frágil França (e da sua conhecida linha Maginot), levou a cabo a maior invasão terrestre da História, na chamada operação Barbarossa,  que chegou praticamente às portas de Moscovo. Ao contrário de Kutuzov, século e meio antes, Estaline não abandonou a capital, travando uma guerra duríssima, onde um relativamente débil Exército Vermelho contou com a mobilização do povo e também com o seu rigoroso inverno para expulsar os Alemães.

Com o desembarque na Norrmândia e a subsequente contra-ofensiva aliada, a URSS - já convertida em aliada ocidental -  foi "libertando" paises do leste até chegar a Berlim, que se rendeu perante os seus tanques.

Foi assim que nasceu, nas palavras de Churchill, a Cortina de Ferro, com a imposição de governantes fantoches submissos a Moscovo nos diversos países ocupados. O caso mais problemático foi o da Alemanha,  dividida em duas zonas de Influência e a sua capital em 4 (URSS, EUA, Reino Unido e a reabilitada França).

Como previra o astuto Primeiro Ministro Britânico, depressa os aliados começaram a tomar contacto com a Cortina de Ferro, desde logo com a criação em 1949 da RDA, sob a liderança de Walter Ulbricht. A Alemanha tornou-se assim o palco de confrontação entre os dois campos, que chegou ao ponto mais sensível com a crise dos tanques e a construção do muro de Berlim em 1961. 

Estes paises satélites  entraram na órbita politico militar de Moscovo, materializado através do Pacto de Varsóvia (como resposta à criação da NATO), do qual apenas ficou de fora a Juguslávia de Tito, pouco dado à ingerência de Moscovo. 

Em 1949, com o terminar da Grande Marcha de Mao, a China entra na lista dos paises de ideologia Comunista, embora, à semelhança da Juguslávia, nunca se tenha subjugado a Moscovo. De resto, em 1953, na sequência da morte de Estaline e a liderança de Krutschev (que renegou ao Estalinismo) Mao rompeu com a URSS, acusando-a de revisionismo e "aburguesamento". Esta cisão apenas teve adesão da pequena Albânia.

Depressa, os paises de Leste aperceberam-se do elevado preço da sua "libertação"...  

  

publicado por Rui Romão às 18:13
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Breve História do Comunismo - Da Primavera de Budapeste à Queda do Muro

 

 

O termo "Primavera" pode ser caro aos analistas políticos ocidentais, mas não terá certamente o mesmo encanto aos olhos dos povos que viveram durante décadas sob o jugo do Comunismo.

A brutalidade repressiva começou a ganhar contornos mais claros em 1953, onde uma manifestação de operários na RDA foi dispersa com um autêntico fusilamento indiscriminado. É curioso, na oposição, os comunistas glorificam a contestação sindical, mas quando estão no poder lidam muito mal com o protesto.

Depois seguiram-se episódios ilucidativos do modus operandi do Pacto de Varsóvia. Em 1956 em Budapeste e em 1968 em Praga, governos reformadores tentaram conferir mais humanismo ao relacionamento do poder político com o povo. Em ambos os casos a tentativa foi malograda, com a entrada de tanques soviéticos para restabelecerem a "normalidade" da ditadura do proletariado. Foi a chamada doutrina Brejnev, que preconizava a intervenção da forças do Pacto sempre que o regime estivesse em causa. Entenda-se, quando se tentassem empreender reformas conducentes a uma sociedade mais justa e sobretudo mais democrática.

A sociedade sem classes foi um mito, com as diferenças entre a privilegiada Nomenklatura e o povo a sentirem-se em quase todos os domínios, desde logo pela possibilidade de aceder a literatura considerada reaccionária, poder viajar para paises "capitalistas", etc.

A repressão foi uma constante, bem como o estiolamento da liberdade de expressão. Com o recurso à censura, a campos de concentração como o Gulag e a  uma polícia política (que comparada com a PIDE, estes últimos mereceriam os altares), a vulgata foi sobrevivendo.

Este decadentismo foi uma constante desde os célebres planos quinquenais de Estaline - com resultados apreciáveis mas com o elevado preço de 60 milhões de mortos - a que não escapou nenhuma economia de leste. O efeito de crise era sistémico e não reformável, numa economia baseada na indústria pesada e onde se verificava um emprego massivo de mão de obra. À medida que se foi tornando obsoleta e sem qualquer competitividade, a propaganda do regime virou-se para a cosmética, como foi o caso da aventura espacial soviética  - desenvolvida por Krutchev  - e as perfomances da RDA nos Jogos Olímpicos -  graças a um sistema de dopagem elaboradíssimo (algumas lançadoras de peso, hoje são homens...).

Krutchev foi afastado por um golpe palaciano executado pela linha dura, embora tenha sido no seu consulado que  a confrontação militar com os EUA esteve mais próxima, na sequência da crise dos misseis de Cuba e do já referido episódio dos tanques de Berlim.

Com Brejnev o regime entra numa crise de ideias, onde o único desiderato é a sobrevivência. Acumulam-se os défices, associados a um espansionismo que apenas encontrou terreno de progressão ou pela via militar (Afeganistão), ou por via da descolonização das potências europeias em África, fenómeno ao qual Portugal assistiu em 1975. Assumindo-se como líder do movimento dos não-alinhados, a URSS alcançou uma hegemonia que permitiu a implantação de regimes comunistas - alguns bastante exóticos -em diversos paises africanos na fase pós colonial, entre os quais nas ex-colónias portuguesas, como em Angola (MPLA), Cabo verde e São Tomé (PAIGC) e em Moçambique (Frelimo).

A desintegração da URSS ainda hoje constitui um enigma difícil de compreender, tanto pela sua rapidez, mas, principalmente, pela sua imprevisibilidade. Tudo começou com o frágil regime da Alemanha de leste, com dívidas colossais a bancos da Alemanha Federal, e cuja única fonte de divisas era a "venda" de prisioneiros políticos à vizinha ocidental. Com uma economia em colapso, tornou-se impossível não empreender reformas, que terminaram com o afastamento compulsivo de Honnecker e a subida ao poder de Krenz, um político completamente inábil.

A antecâmara da queda do muro foi o desencadear de uma nova primavera em Budapeste, mas desta vez sem reacção dos tanques de uma URSS dirigida pelo não menos inábil estadista Gorbatchev. Com a abertura das fronteiras com a Áustria, a Hungria passou a ser uma porta de entrada no "mundo" ocidental. O esquema era simples, os "desertores" percorriam os paises de leste - onde tinham livre-trânsito - para chegar ao lado ocidental. 

Este êxodo para ocidente teve o seu climax após uma desastrada conferência de imprensa onde o governo de Krenz, de acordo com o Tratado de Helsinquia, reconhecia o direito de livre circulação aos cidadão da Alemanha de Leste. Os efeitos desta declaração fugiram fora do controlo da Nomenklatura Alemã, bem como da temível polícia política - a STASI - e o movimento de entrada em Berlim Ocidental desencadeou uma série de acontecimentos que degeneraram na queda do muro e na realização posterior de eleições livres. Após a eleição de um governo legítimo, encetaram-se negociações para a reunificação que se materializou em 1990.

   

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publicado por Rui Romão às 18:11
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Breve História do Comunismo - Da Queda do Muro aos Nossos Dias

 

 

Após a era Brejnev - que perdeu o poder  na urna em 1982 (entenda-se urna funerária) o Comite Central continuou a apostar na gerontocracia da linha do lider expirado. Primeiro com a "eleição" de Andropov, que morreu poucos meses depois, seguindo-se Chernenko que não durou muito mais. Quando se perdia mais tempo em funerais de Estado do que a nomear presidentes, a Nomenklatura escolheu um político mais jovem, de seu nome Mikhail Gorbatchev.

Gorbatchev era um bom analista. Apercebeu-se de que a URSS não podia insistir no mesmo modelo. No fundo o que Lenine tinha feito nos anos 20 e que levou ao NEP. Gorbatchev também tinha o seu "NEP", e que se  baseava sobretudo em dois conceitos: Glasnost e Perestroika.

O Glasnost - que literalmente significa transparência - tinha como objectivo estreitar as relações com o povo, através de uma governação mais transparente e participativa.

A Perestrokia significava a restruturação de todo o aperelho de Estado, nomeadamente do ponto de vista económico, conducente a um socialismo com uns laivos de capitalismo, por forma a construir um modelo que permitisse a sobrevivência da URSS.

Não se pode dizer que Gorbatchev tenha sido um grande Estadista. Bem pelo contrário, permitiu, com uma política ambígua e sem um caminho claro, que após a queda do muro se sucedessem as dissensões para lá da muralha de ferro. Desde logo na Polónia, onde o Comunismo sucumbiu com a acção determinada do Solidariedade de Walesa.

Perante o cenário de desintegração, a letargia do líder foi ainda mais evidente, tornando-se claro que o regime, à imagem do líder, tinham chegado ao fim da linha.

Da-se uma tentativa de golpe de Estado em 1991, travado pelo 1º presidente eleito da Rússia, Boris Ieltsin. Gorbatchev demite-se em Dezembro do mesmo ano e com ele morre a URSS, que foi transformada provisoriamente em Comunidade de Estado Independentes até que cada país seguisse o seu caminho. Pelo meio, a Rússia debate-se ainda com diversos problemas de separatismo, como é o caso da Tchechénia. 

Com o colapso da URSS, o comunismo foi ferido de morte. Permanecem alguns regimes exóticos em Cuba, Coreia do Norte, Vietname, Laos e China, mas com diversas nuances. A China, que teve a sua malograda tentativa de Primavera em 1989 na Praça de Tianamen, rendeu-se ao capitalismo, embora ainda mantenha uma ténue fachada comunista, o mesmo sucedendo em Laos, sendo que ambos já foram excluídos da definição de Estado Comunista pelo Departamento de Estado norte-americano...

Os partidos comunistas praticamente desapareceram na Europa, em parte absorvidos pelos partidos trabalhistas e socialistas, perdendo a sua influência outrora olhada com receio.

Em Portugal, o PCP continua a definhar, embora registe resultados eleitorais superiores a qualquer outro seu congénere europeu. Continua, ainda assim, a ser uma força viva no mundo sindical e também ao nível do poder local, nomeadamente no Alentejo e Península de Setúbal. Em Portugal existe a particularidade de existir um partido trotskista -seguidores de Leon Trotsky, fundador, em 1938 ,da IVª Internacional, evque se opós a Estaline e que pagou com a vida a ousadia  - que disputa o mesmo eleitorado do PCP e até do PS, embora com maior incidência junto dos jovens.

O comunismo não renascerá das cinzas, mesmo que seja tentador pensar nessa possibilidade nas ciclicas crises do capitalismo. E não renascerá por uma razão simples: Como regime é contra-natura. É da natureza humana tratar melhor do que é nosso do que aquilo que é comum. É por isso que o Estado é tão mau gestor de empresas.

Mas o pior nem é o princípio filosófico. O pior é a prática, ou seja a ditadura, a repressão, a censura, a miséria e até a morte.

Para termos uma noção do que seria Portugal se o PCP tivesse saído vencedor no 25 de Novembro de 1975, basta deter-nos na afirmação de Álvaro Cunhal, em pleno período revolucionário, onde, taxativamente, se opunha à realização de eleições...

Ou seja, o objectivo era substituir uma ditadura por outra, embora de sentido contrário...  

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publicado por Rui Romão às 18:05
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