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Domingo, 14 de Fevereiro de 2010

O Carnaval do Rio e o Luso Tropicalismo

 

 

Falar em Carnaval é falar no Brasil. Ao ritmo do samba, os desfiles carnavalescos são, a par com o futebol, a principal instituição do país. Não deixa de ser curioso observarmos a origem destes desfiles numa perspectiva histórica. Não me refiro à data em si, que nos remete para origens pagãs, mas para dois aspectos fulcrais: a relação com a nudez e o samba.

Acredito que a relação descomplexada com o corpo e particularmente com a nudez provém da herança ameríndia. A naturalidade como os autóctones se relacionavam com a nudez contrasta bem com a cultura europeia, dando disso conta Pero Vaz de Caminha na sua carta de achamento do Brasil, onde o cronista os descreve como "pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse as suas vergonhas".

Poder-se-á objectar nesta relação a inexistência de semelhante fenómeno na puritana américa do norte ou mesmo na américa espanhola, mas esse facto explica-se pela originalidade do modelo português - o Luso-Tropicalismo - magistralmente descrito por Gilberto Freire. A diferença é que os Portugueses promoveram a miscegenação entre a população autóctone, os europeus (portugueses) e os escravos africanos, muitos dos quais emancipados. No modelo de colonização espanhola e Inglesa verificou-se uma política de segregação e mesmo de destruição das tribos locais.

Quando tento explicar esta teoria, não raras vezes sou confrontado com a desconfiança dos meus interlocutores. Seríamos nós assim tão "bonzinhos" e os outros povos colonizadores uns "bárbaros"? 

Não creio que seja essa a formulação correcta, mas acho que se consegue explicar o modelo de convivência portuguesa através de razões de ordem histórica e de ordem prática.

No primeiro grupo de razões coloco a nossa localização geográfica na península. No extremo ocidental, os povos que aqui chegavam estavam condenados a entenderem-se, não fosse o mar uma barreira intransponível. Foi assim com o Celtas, que quando chegaram à península se diluiram nas tribos ibéricas e assim nasceram os Celtiberos. Os Lusitanos, não eram mais do que Celtiberos que habitavam esta faixa atlântica da península. Depois vieram os Romanos,  que embora em pouco número, mudaram completamente o estado civilizacional destes povos. Depois foram as invasões bárbaras, a invasão magrebina e a reconquista. Destas vagas succesivas nasceu aquilo que que hoje é o português. Quando expandímos as nossas fronteiras através da epopeia dos descobrimentos, este modelo de miscegenação já estava no nosso ADN como povo.

Por outro lado, se não fosse a política de miscegenação como é que um povo com pouco mais do que um milhão de almas poderia colonizar aquele que é hoje um dos maiores e mais populosos paises do mundo? Se seguíssemos o modelo espanhol ou inglês nunca teríamos conseguido manter o vasto território brasileiro na nossa soberania até ao século XIX. Nem sequer teríamos uma das línguas mais faladas em todo o mundo. Estima-se que em 2010 sejamos 265 milhões de falantes de Português. Ou seja, quase 27 vezes a população portuguesa actual.

Quanto ao samba, resulta da emigração africana. Pensa-se que terá tido origem no ritmos das danças africanas que eram praticadas nas senzalas. O povo brasileiro adoptou essa dança - que lhes transmitia uma alegria contagiante -  trasformando-a na sua imagem de marca. Curiosamente, essa alegria não veio nos navios que trouxeram a corte de volta após a revolução liberal. Mas nessas mesmas embarcações veio aquela que seria a nossa grande referência musical, expressão máxima desse melancolismo que nos persegue desde o reinado de D. João III: o Fado.  

 

 

publicado por Rui Romão às 15:55
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