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Domingo, 27 de Fevereiro de 2011

Terreiro do Paço

Quem hoje passe no local a que os Lisboetas se habituaram a chamar de Terreiro do Paço terá, legitimamente, duas interrogações. Para começar não existe nada que indique este topónimo naquela gigantesca praça e por outro não existe ali qualquer paço.

Quanto à primeira questão, podemos explicar tendo por base a visão daquele que foi o grande obreiro de Lisboa como hoje a conhecemos - Sebastião José Carvalho e Melo, 1º Conde de Oeiras e Marquês de Pombal. Após o terramoto, Pombal foi o único que não se desorientou perante aquela enorme catástrofe e desde o primeiro dia começou a preparar a sua reconstrução. Imagine-se que uma das hipóteses era a transferência da capital para o Brasil (provavelmente para São Salvador da Baia) e deixar este pequeno rectângulo europeu com o estatuto de colónia. Quando hoje assistimos à afirmação do Brasil como grande potencial mundial, constatamos que uma vez mais Sebastião José estava muito à frente do seu tempo. No plano de reconstrução o Marquês aplicou os ensinamentos que aprendeu nas suas duas experiências diplomáticas ainda no reinado de D. João V. Foi buscar a teoria política - o Despotismo Iluminado - à realidade que conheceu no Império Austríaco e por esse motivo concebeu uma Lisboa num plano rectilíneo onde todos os edifícios (inclusivamente as igrejas) tivessem o mesmo tamalho. A doutrina económica - o Mercantilismo -   foi bebê-la à Inglaterra e daí  pensou numa Lisboa de mercadores, cujo centro de comércio seria aquela praça a que deu o nome de Praça do Comércio e que ainda hoje consta nas placas toponómicas, embora toda a gente lhe continue a chamar Terreiro do Paço.

Falei da Praça do Comércio mas não expliquei a origem do Terreiro do Paço. Como é perceptível, aquele local tinha esta designação porque foi alí que se situou a palácio real desde o reinado de D. Manuel até D. José I (este último, por um golpe de sorte, no dia 1 de Novembro de 1755 estava em Belém e assim saiu incólume daquela catástrofe). O Palácio que se situava aproximadamente naquilo que é hoje a fachada ocidental da Praça do Comércio, foi mandado construir por D. Manuel I e a razão parece quase anedótica, mas tudo indica que seja verdadeira. D. Manuel I casou três vezes: com Dª Isabel de Castela (viuva do Infante D. Afonso), com D. Maria de Castela (irmã da anterior) e finalmente com D. Leonor. Na realidade, os embaixadores de Portugal estavam a tratar do casamento de D. Leonor não com D. Manuel mas com o seu filho e sucessor - D. João III. Sucede que quando este processo estava quase concluído, morre a Rainha D. Maria e D. Manuel dá instruções aos embaixadores para tratarem do casamento não com o Príncipe mas com ele próprio. Acrescente-se que este episódio provocou, compreensivelmente, um esfriar de relações entre pai e filho e a sua relação com a madrasta também não deve ter sido a melhor, uma vez que quando ele subiu ao trono ela foi imediatamente para Espanha deixando em Portugal a sua filha - a célebre infanta D. Maria.

E o que é que o casamento de D. Manuel com D. Leonor tem a ver com a construção do paço? A razão é simples. Quando o casamento tem lugar, já o rei tinha 50 anos enquanto que a sua mulher estava na flôr da idade. D. Manuel aconselhou-se com os seus físicos para saber o que é que podería fazer para cumprir com as suas obrigações conjugais. Estes aconselharam-no a colocar a sua alcôva por cima dos armazéns da pimenta que vinha da Índia, porque se acreditava que esta especiaria tinha propriedades afrodisíacas. Deste modo, D. Manuel mandou imediatamente construir o seu paço naquele que era o lugar central do comércio das especiarias.

Com o terramoto o palácio foi completamente destruído e no plano gizado pela Marquês alí era um local de comércio e não para habitação.Por ironia, acabou por se transformar no centro de poder, onde ainda hoje funcionam diversos ministérios.

Do ponto de vista histórico, foi alí que se deu o golpe de morte na monarquia no dia 1 de Fevereiro de 1908, com o assassínio do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luis Filipe. Mais tarde foi o local de eleição para os discursos de Salazar, onde se enalteciam os brios da pátria lusitana. Não menos importante foi a manifestação de apoio ao VI governo provisório, presidido pelo Almirante Pinheiro de Azevedo, o tal onde o chefe de governo proferiu as célebres tiradas "o povo é sereno"  e o "é só fumaça". 

Em 2010 a Câmara Municipal de Lisboa levou a cabo umas obras de fundo na praça que a deixaram mais bonita do que nunca.  Enalteço esta iniciativa e aconselho a que passem por lá, pois é um lugar deslumbrante.        

   

 

publicado por Rui Romão às 17:09
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