. O 4 de Julho

. O ABC da Lealdade

. Viva o 25 de Abril...de 1...

. Mário Soares e a III (ou ...

. A Revolução de 1820

. O Longo Processo de Recon...

. A Maldição dos Primogénit...

. Uma Andaluza à Frente dos...

. A Páscoa

. O Herói dos Heróis

.arquivos

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Outubro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

.contador

Domingo, 29 de Maio de 2011

Mudar

 

Pelos dias em que escrevo este post, não se ouve falar de outra coisa que não seja de mudança. Para além da conjuntura eleitoral que vivemos, e que sempre acarreta uma proposta de mudança (inclusivamente pelo partido(s) de governo, a política económico-financeira que nos conduziu a uma intervenção externa assim o obriga. Este aspecto levou-me a pensar, numa perspectiva histórica, quais foram os momentos em que efectivamente conseguimos executar uma mudança de paradigma. Lembro-me da fundação da nacionalidade com D. Afonso Henriques, o estabelecimento do Estado propriamente dito com D. Afonso II e depois aprofundado com D. Afonso III, da crise 1383-1385 de onde viria a sair a dinastia de Avis, grande obreira dos descobrimentos, a obra do Príncipe Perfeito no estabelecimento da dignidade do Estado e no impulso de um projecto ultramarino que nos permitiu explorar o comércio das especiarias, e mais recentemente as reformas pombalinas e a Revolução Liberal.

De todos estes marcos, existe um denominador comum. A luta contra as forças de bloqueio. Esses actores são sempre internos e provam a dificuldade que sempre existiu em Portugal para se levarem a cabo mudanças estruturais. Tal deve-se ao carácter profundamente conservador e avesso à mudança que faz parte do ADN do povo português. Camões também se apercebeu deste fenómeno, retratando-o na célebre figura do Velho do Restelo. Não é de agora!

D. Afonso II teve um conflito com as Infantas suas irmãs, excessivamente dotadas de recursos por seu pai (D. Sancho I) e que obtiveram respaldo por parte da Santa Sé. Essa dispersão de recursos fora do Estado era incompatível com o desenvolvimento do poder real. As inquirações e confirmações de doações a nobres e às obras religiosas, por forma a reverter para a coroa bens que foram doados e que tinham sido transmitidos indevidamente, também foram objecto de forte oposição por parte das classes privilegiadas.

D. João II queixou-se que o seu pai só lhe tinha deixado as estradas do reino poara governar, tal foi a prodigalidade junto de nobres. D. João II empreendeu uma política de fortalecimento do poder da coroa, que incomodou a nobreza. Esta não deixou os seus créditos por mãos alheias e levou a cabo várias tentativas para o assassinar. O Príncipe Perfeito pagou na mesma moeda e mandou matar o Duque de Bragança (confiscando-lhe os bens e abolindo o ducado) e o próprio cunhado (D. Diogo) segundo na linha de sucessão. Provavelmente perdeu esta batalha porque se desconfia que morreu envenenado, praticamente sozinho sem a mulher nem o sucessor  - D. Manuel, que por conselho da Rainha,sua irmã, não foi ao seu encontro.

O Marquês de Pombal aprendeu na escola que existiam 3 classes: Clero, Nobreza e Povo. Na cartilha do despotismo iluminado era do soberano que emanava todo o poder pelo que ele tinha que se livrar deste empecinho. Diminuiu a influência do Clero com a expulsão dos jesuítas. Os Nobres foram chacinado no patíbulo de Belém na sequência do célebre processo dos Távoras. O Povo - como se o povo tivesse poder - foi brutalizado na sequência de uma revolta nas tabernas do Porto após a proibição da venda de vinho a copo (para evitar a adulteração do vinho, as chamadas "mixórdias"). Ainda teve, no final da sua governação, a atitude lamentável de mandar atear fogo a umas cabanas na Trafaria por aí se terem refugiado alguns mancebos que fugiam à conscrição militar. Essa tarefa foi executada pelo sempre solícito Pina Manique.

A Revolução Liberal foi um período de grande instabilidade, que decorreu desde o fim das invasões francesas até ao Golpe da Regeneração 1851. Ou seja, enquanto a Europa avançava ao sabor da revolução industrial nós andámos mais de 30 anos numa luta fraticida entre os que defendiam o liberalismo e o absolutismo e depois entre os apoiantes  liberalismo jacobino e o liberalismo moderado. 

Ou seja, em Portugal as grande mudanças, com excepção dos descobrimentos porque aí as vantagens eram transversais a todas as classes mesmo no curto prazo, foram feitas por imposição e não raras vezes com a aplicação de meios de repressão brutais. É evidente que ninguém preconiza que mudemos com recurso a esses métodos, mas talvez não seja possível uma alteração estrutural sem afrontar as forças de bloqueio. Refiro-me a quem, ao abrigo da defesa legítima dos seus direitos adquiridos, não está disponível para abdicar de uma parte em favor do bem comum. Se o fizessem, a prazo ganharíamos todos.      

publicado por Rui Romão às 18:26
link do post | comentar | favorito
|

.D. Afonso Henriques


.

.pesquisar

 

.Setembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.tags

. todas as tags

.contador

.contador

blogs SAPO

.subscrever feeds