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Sábado, 19 de Novembro de 2011

Nos 750 Anos de El Rei Dom Dinis

 

 

Comemoram-se este ano os 750 anos do nascimento do rei que ficou conhecido na História como “O Lavrador”. Começo por dizer que discordo em absoluto com este cognome, por dois motivos: Por não ter sido D. Dinis o obreiro do pinhal de Leiria (quanto muito ordenou-o e aumentou-o) mas sobretudo porque o seu legado é muito mais importante do que qualquer pinhal que tivesse mandado plantar.

D. Dinis é talvez o Rei mais importante na afirmação da independência portuguesa no espaço peninsular, ao contrário do que sucedeu com os outros reinos que foramao longo dos séculos absorvidos por Castela. Mais do que D. João I ou D. João IV, que pegaram nas armas para combater o perigo castelhano, D. Dinis foi quem construiu os alicerces que cimentaram a nossa identidade, garantia suprema da nossa soberania. Para começar, foi D. Dinis que estabeleceu o português como lingua oficial do Reino, obrigando a que todos os documentos fossem lavrados na nossa lingua por alternativa ao latim. Foi D. Dinis quem criou a primeira universidade portuguesa (em Lisboa e depois transferida para Coimbra) que não chegou a atingir a importância que podia ter tido no nosso país devido a 3 factores: a expulsão dos judeus, a inquisição e a sua administração pelos jesuítas, tudo isto no reinado de D. João III, que, paradoxalmente, foi um entusiástico do movimento renascentista em Portugal.

Bastava o que escrevi até aqui para que D. Dinis já fosse considerado um grande Rei. Mas foi mais do que isto. Foi este monarca que criou a Ordem de Cristo, suceora dos Templário, numa atitude bastante hábil que lhe permitiu contornar a Bula Papal que extinguia os Cavaleiros do Templo. Estes monges Cavaleiros tinham sido perseguidos pelo Rei de França, Filipe IV “o Belo”, provavelmente porque não conseguia pagar as dívidas que tinha contraído ou porque queria apoderar-se dos seu imeno bens. Assim, com o fim da Ordem que o Rei francês conseguiu obter junto do Papa, os seus problemas financeiros ficavam resolvidos. Em Portugal D. Dinis acolheu, como  não podia deixar de ser, a ordem papal de extinção dos templários, mas passados alguns anos pediu à Santa Sé autorização para criar uma Ordem de raiz Portuguesa, com os bens e os ex-cavaleiros templários que estavam em Portugal. Esta decisão de D. Dinis tem levado muitos entusiáticos do misticismo templário a propor as mais fantasiosas teorias, como a vinda do Santo Gral para Portugal, ou ainda que os descobrimentos portugueses apenas foram possíveis porque tivemos acesso às cartas que os Templários possuiam.

À parte dessas teorias, é inegável que a Ordem de Cristo foi a grande responsável pelos descobrimentos portugueses, escrevendo a mais gloriosa página da nossa História, nomeadamente a partir do Infante D. Henrique (que era Mestre da Ordem de Cristo) e eis porque as velas das naus e caravelas que cruzavam oceanos, levando a lingua portuguesa aos quatro cantos do mundo, levavam o simbolo da Ordem de Cristo. Ainda hoje a Ordem de Cristo é uma Ordem Honorífica Portuguesa e o seu simbolo permanece nos aviões da Força Aérea Portuguesa.

Claro que nem tudo foram rosas no seu reinado. Teve que enfrentar o filho numa guerra civil que perdeu, sendo obrigado a conceder a governação ao futuro D, Afonso IV, num conflito motivado pela preferência que, alegadamente, dava a um seu filho bastardo (Afonso Sanches) em detrimento do seu primogénito legítimo. Foi este seu filho bastardo que se exilou em Albuquerque (Castela), onde foi tutor de uma menina chamada Inês de Castro. Quem sabe se não nasceu dessa relação de amizade o ódio de D. Afonso IV a Inês e que levou ao triste desfecho que todos conhecemos?

Nestes 750 (1261-1325) anos de D. Dinis, honra seja feita ao município de Odivelas por ser a única entidade, que eu tenha conhecimento, que está a assinalar a efeméride. A mesma localidade onde D. Dinis escolheu para sua morada eterna.

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publicado por Rui Romão às 07:38
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Sábado, 12 de Novembro de 2011

Cavaleiros Andantes - O Dom Quixote Português

 

Estou neste momento a empreender uma tarefa quixotesca. Não se trata de nenhuma façanha que fique registada na história pelo seu denodo ou pelas suas consequências futuras. Trata-se, apenas, da leitura da obra prima de Cervantes - Don Quixote de la Mancha. É um livro extraordinário que me prendeu desde a primeira página até àquela em que me encontro (perto da 1000), e que, em jeito de síntese, poderia dizer que é o maior monumento jamais erguido ao paradoxo razão/coração. Um Sancho Pança mais terra-a-terra, ingénuo, interesseiro por obter a ilha ou condado que o seu senhor lhe prometeu e um Don Quixote animado pelos romances de cavalaria, que lera toda a vida, apostado em manter a tradição (já descabida em pleno século XVII) da cavalaria andante, num complexo jogo entre a ficção e a realidade que sustenta os seus delírios e lhe turva o entendimento e a lucidez. A obra é composta por duas partes, e não deixa de ser curioso que a segunda é bastante diferentes da primeira, o que pode ser justificado pelos 10 anos que medearam entre a publicação dos dois tomos. A segunda parte mostra-nos um Sancho Pança mais esclarecido e com outros recursos linguísticos que contrastam com a linguagem despojada e simples da fase inicial da obra. As referências a Portugal são inúmeras mas destaco a passagem onde o autor faz referência às sete partidas do Infante D. Pedro, aquele que morreu ingloriamente às portas de Lisboa, no sítio de Alfarrobeira, em disputa com seu sobrinho D. Afonso V.

Mas não foi com o intuito de falar de Dom Quixote que me decidi a escrever este texto. O motivo é outro. Cervantes publicou o primeiro volume em 1605, mas 33 anos antes um português escreveu uma obra onde conta, de uma forma prolixa, a vida de um cavaleio andante português e que existiu na realidade, ao contrário da ficção de Cervantes. O autor foi Camões, a obra "Os Lusíadas" e o cavaleiro andante era D. Alvaro Gonçalves Coutinho, mais conhecido como "o Magriço".

O feito do "Magriço" conta-se em poucas linhas. Em Inglaterra consta que umas senhoras foram ofendidas por uns cortesãos e que não havia quem quisesse desagravar a ofensa em terras de Sua Magestade... Assim, o Duque de Lencastre, João de Gant, pai da rainha D. Filipa de Lencastre (mulher de D. João I), pediu ao genro que lhe indicasse uns cavaleiros que pudessem, em duelo, reparar a ofensa que proferiram os seus compatriotas. D. João indicou-lhe 12 cavaleiros, onde incluiu  Alvaro Gonçalves de Coutinho, que se destacou pela bravura que evidenciou nesse torneio em que os portugueses sairam vencedores.

Por muito caricato que possa ser o episódio, ninguém diria que Camões o pudesse incluir nos Lusíadas. Trata-se de um evento perfeitamente acessório e sem qualquer importância para a História de Portugal, mas Camões não só o incluiu como lhe deu um destaque enorme. O episódio dos 12 de Inglaterra é relatado ao longo de 28 estrofes (VI 42-69), mais 10 do que, imagine-se, o drama de Inês de Castro (III 118-135)! O que terá levado Camões a tamanho exagero?

Camões não fazia nada ao acaso. Da mesma forma que começa por relatar o episódio de Inês de Castro (III 119) aludindo aos saudosos campos de Mondego (que seriam saudosos para si, ou não fora o rio que testemunhara o seu amor adúltero com  Violante, Condessa de Linhares) também existe uma razão pessoal para destacar este feito dos 12 de Inglaterra. Camões esteve na Índia portuguesa onde gozou da protecção do Conde de Redondo, D. Francisco Coutinho. Diga-se que o seu antecessor, Dom Constantino de Bragança, também livrou Camões da prisão, pelo que também costuma ser incluído no grupo de "protectores". O Conde de Redondo faleceu em 1564 e como tal nunca tomou conhecimento das façanhas do seu antepassado pela lavra de Camões. No entanto, tudo leva a crer que o objectivo da inclusão dos 12 de Inglaterra em "Os Lusíadas" fosse prestar homenagem ao Conde de Redondo, como ja o tinha feito em vida do conde com uma ode, naquela que foi a primeira obra de Camões impressa (pela mão de Garcia da Horta).

Este episódio foi recuperado em 1966 para apelidar a selecção portuguesa de futebol que nesse ano disputou o campeonato do mundo em Inglaterra, onde alcançando a melhor posição de sempre (3º lugar).

 

 

publicado por Rui Romão às 19:12
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

D. Juan de Borgonha

File:Bandera de valencia de don juan.GIF

 

Não fica longe da fronteira portuguesa, na comunidade de Leão, um pequeno município chamado Valência de D. Juan. Olhamos para o brasão da autarquia e não deixa de nos chamar à atenção as quinas das armas de Portugal. Mas quem seria este don Juan?

Na realidade, sendo português, não se chamava Juan mas sim João e era filho de D. Pedro I e da bela Inês de Castro. Do relacionamento (não sei se lhe posso chamar casamento, embora tenha havido um bispo - D. Gil, Bispo da Guarda -  que o tenha jurado sobre os evangelhos) nasceram três filhos: D. Beatriz, D. João e D. Dinis.

Na presunção de legitimidade de casamento de Pedro e Inês, a crise de 1383-1385 deveria tê-lo tornado herdeiro do trono no lugar do seu meio-irmão, então Mestre de Avis. Mas tal não sucedeu devido a uma história com contornos sórdidos. Em 1379 o infante assassinou a mulher D. Maria Teles, que era irmã da rainha D. Leonor Teles. Aqui, consoante os cronistas, há diferentes interpretações para o sucedido: terá matado a mulher por uma crise de ciúmes, instigada pela sua cunhada Leonor Teles? Ou teria antes a ambição de se casar com D. Beatriz, filha de Dom Fernando, e assim assumir os destinos do Reino de Portugal?

Provavelmente foi uma conjugação das duas situações ou de uma outra que ficou nesse recôndito local da história onde se guardam grandes revelações mas que ninguém consegue aceder porque não ficou nenhum registo. O que é certo é que depois deste episódio, o infante exilou-se em Castela e não teve possibilidade de defender a sua posição quando o povo de Lisboa se revolta contra a rainha Leonor Teles e o conde Andeiro, que então governavam Portugal. Assim, o Mestre de Avis, habilmente, colocou-se à frente do povo e deslocou-se ao Paço de São Martinho (que no passado foi a cadeia do Limoeiro e hoje é o Centro de Estudos Judiciários) e, pelas próprias mãos, matou o Conde Andeiro. Depressa circulou o rumor que queriam matar o mestre e quando o povo de deslocou ao Paço de São Martinho e viu o Mestre automaticamente o proclamou Regedor e Defensor do Reino. Assumiu a vanguarda da resistência do povo português face a Castela e foi em 1384 aclamado Rei nas cortes de Coimbra, onde o Dr. João das Regras jogou um papel fundamental na defesa dos seus direitos, principalmente face aos filhos de Inês de Castro. Segundo o jurista, eram todos bastardos, pelo que este foi o ponto de partida para a sua consagração como Rei.

D. João, filho de Inês de Castro, não podia aceitar esta situação e cometeu um segundo erro: Incorporou a armada castelhana que invadiu Portugal mas que foi completamente destroçada em Aljubarrota.  Com esta derrota regressou a espanha, obtendo como prémio de consolação o Ducado de Valência de Campos onde construiu o seu Palácio e passou os seus últimos dias.

Hoje está completamente esquecido.    

publicado por Rui Romão às 20:04
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