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Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

Mais Prosa do que Poesia na Vida de D. Pedro.

 

 

 

Estive por estes dias em Alcobaça e nem queria acreditar quando constatei que junto dos célebres túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro existe um erro na data do reinado daquele que ficou conhecido como "o justiceiro".  Em vez de 1360, deveria ler-se 1357, ano da morte de seu pai - D. Afonso IV -  e seu antecessor. Tanto mais que à data, D. Pedro já era viúvo daquela que foi indiscutivelmente sua mulher: D. Constança Manuel.

Parece que a historiografia se tem inspirado na veia poética do avô de D. Pedro (D. Dinis) e esquecido a parte mais factual. O erro na datação do túmulo é a metáfora perfeita daquilo que tem sido a visão romanceada da sua vida, envolta quase exclusivamente na relação com Inês de Castro.

Vamos aos factos. Para começar, nunca se escreve sobre a sua inclinação homossexual. Nisso, Fernão Lopes é mais corajoso do que muito autor contemporâneo, embora este fosse cronista de D. João I - que disputou o trono com os filhos de D. Pedro e D. Inês - no entanto merece todo o crédito por ser um escritor honesto. Conta-nos na crónica de D. Pedro, com a sua habitual mestria, do amor entre o Rei e o escudeiro Afonso Madeira "e como quer que o el rei muito amasse, mais de que se deve aqui dizer (...). O escudeiro não teve uma história feliz para contar. Envolveu-se com uma mulher casada e num rebate ciumento, D. Pedro não foi misericordioso, assim como não foi com os carrascos de Inês de Castro, e ainda segundo a pena de Fernão Lopes, "mandou-lhe cortar aqueles membros que os homens em mor apreço têm". 

A própria história de Inês de Castro está muito mal contada, a bem da poesia mas em detrimento da verdade. Prosaicamente, se D. Pedro não casou com D. Inês foi porque não quis. D. Afonso IV instou-o a fazê-lo mas ele sempre se recusou, preferindo viver  "amancebado", usando a terminologia da época, sem garantir a sucessão ao trono, que apenas se sustentava numa criança débil, o futuro D. Fernando I, o tal "Rei fraco que faz fraca a forte gente" segundo a pena corrosiva de Camões.

Para além da questão sucessória, que impedia que celebrasse casamento, gerava uma situação indefinida porque o rei ia "coleccionando" bastardos numa situação que não se podia considerar nem de casamento nem de uma simples e habitual situação cortesã.

A somar a isto tudo, a perniciosa influência dos irmãos de Inês de Castro, que nos podia custar a independência pelo seu envolvimento na fratricida guerra castelhana entre Pedro "O Cruel" e Henrique de Trastâmara.

Isto não justifica que se retire a vida a alguém, mas também não se pode dizer que D. Afonso IV agia apenas por uma questão passional ou por requintes de malvadez. Foram razões de Estado que presidiram a esta decisão.

A História é a História, não a podemos mudar. Mas no presente, bem que se podia mudar a placa...   

 

publicado por Rui Romão às 22:13
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1 comentário:
De Cristina Torrão a 27 de Fevereiro de 2011 às 18:50
Parabéns por este post. É minha intenção, já há bastante tempo, pesquisar sobre a vida de D. Pedro, convencida de que ela não se confinou à paixão por Inês de Castro, como diz a tradição (assente na poesia). Pergunto-me quais os verdadeiros motivos que o levaram a coroá-la depois de morta...

Também não vejo D. Afonso IV como um carácter demoníaco, como é habitual, tanto no que diz respeito ao caso de Inês de Castro, como na guerra civil que travou com seu pai, D. Dinis. O Rei Lavrador teve as suas responsabilidades, como refiro no romance histórico que sobre ele escrevi. Na minha opinião, D. Dinis não soube gerir a crise entre os seus filhos (o legítimo e os bastardos).

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