. O 4 de Julho

. O ABC da Lealdade

. Viva o 25 de Abril...de 1...

. Mário Soares e a III (ou ...

. A Revolução de 1820

. O Longo Processo de Recon...

. A Maldição dos Primogénit...

. Uma Andaluza à Frente dos...

. A Páscoa

. O Herói dos Heróis

.arquivos

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Outubro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

.contador

Domingo, 27 de Fevereiro de 2011

Terreiro do Paço

Quem hoje passe no local a que os Lisboetas se habituaram a chamar de Terreiro do Paço terá, legitimamente, duas interrogações. Para começar não existe nada que indique este topónimo naquela gigantesca praça e por outro não existe ali qualquer paço.

Quanto à primeira questão, podemos explicar tendo por base a visão daquele que foi o grande obreiro de Lisboa como hoje a conhecemos - Sebastião José Carvalho e Melo, 1º Conde de Oeiras e Marquês de Pombal. Após o terramoto, Pombal foi o único que não se desorientou perante aquela enorme catástrofe e desde o primeiro dia começou a preparar a sua reconstrução. Imagine-se que uma das hipóteses era a transferência da capital para o Brasil (provavelmente para São Salvador da Baia) e deixar este pequeno rectângulo europeu com o estatuto de colónia. Quando hoje assistimos à afirmação do Brasil como grande potencial mundial, constatamos que uma vez mais Sebastião José estava muito à frente do seu tempo. No plano de reconstrução o Marquês aplicou os ensinamentos que aprendeu nas suas duas experiências diplomáticas ainda no reinado de D. João V. Foi buscar a teoria política - o Despotismo Iluminado - à realidade que conheceu no Império Austríaco e por esse motivo concebeu uma Lisboa num plano rectilíneo onde todos os edifícios (inclusivamente as igrejas) tivessem o mesmo tamalho. A doutrina económica - o Mercantilismo -   foi bebê-la à Inglaterra e daí  pensou numa Lisboa de mercadores, cujo centro de comércio seria aquela praça a que deu o nome de Praça do Comércio e que ainda hoje consta nas placas toponómicas, embora toda a gente lhe continue a chamar Terreiro do Paço.

Falei da Praça do Comércio mas não expliquei a origem do Terreiro do Paço. Como é perceptível, aquele local tinha esta designação porque foi alí que se situou a palácio real desde o reinado de D. Manuel até D. José I (este último, por um golpe de sorte, no dia 1 de Novembro de 1755 estava em Belém e assim saiu incólume daquela catástrofe). O Palácio que se situava aproximadamente naquilo que é hoje a fachada ocidental da Praça do Comércio, foi mandado construir por D. Manuel I e a razão parece quase anedótica, mas tudo indica que seja verdadeira. D. Manuel I casou três vezes: com Dª Isabel de Castela (viuva do Infante D. Afonso), com D. Maria de Castela (irmã da anterior) e finalmente com D. Leonor. Na realidade, os embaixadores de Portugal estavam a tratar do casamento de D. Leonor não com D. Manuel mas com o seu filho e sucessor - D. João III. Sucede que quando este processo estava quase concluído, morre a Rainha D. Maria e D. Manuel dá instruções aos embaixadores para tratarem do casamento não com o Príncipe mas com ele próprio. Acrescente-se que este episódio provocou, compreensivelmente, um esfriar de relações entre pai e filho e a sua relação com a madrasta também não deve ter sido a melhor, uma vez que quando ele subiu ao trono ela foi imediatamente para Espanha deixando em Portugal a sua filha - a célebre infanta D. Maria.

E o que é que o casamento de D. Manuel com D. Leonor tem a ver com a construção do paço? A razão é simples. Quando o casamento tem lugar, já o rei tinha 50 anos enquanto que a sua mulher estava na flôr da idade. D. Manuel aconselhou-se com os seus físicos para saber o que é que podería fazer para cumprir com as suas obrigações conjugais. Estes aconselharam-no a colocar a sua alcôva por cima dos armazéns da pimenta que vinha da Índia, porque se acreditava que esta especiaria tinha propriedades afrodisíacas. Deste modo, D. Manuel mandou imediatamente construir o seu paço naquele que era o lugar central do comércio das especiarias.

Com o terramoto o palácio foi completamente destruído e no plano gizado pela Marquês alí era um local de comércio e não para habitação.Por ironia, acabou por se transformar no centro de poder, onde ainda hoje funcionam diversos ministérios.

Do ponto de vista histórico, foi alí que se deu o golpe de morte na monarquia no dia 1 de Fevereiro de 1908, com o assassínio do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luis Filipe. Mais tarde foi o local de eleição para os discursos de Salazar, onde se enalteciam os brios da pátria lusitana. Não menos importante foi a manifestação de apoio ao VI governo provisório, presidido pelo Almirante Pinheiro de Azevedo, o tal onde o chefe de governo proferiu as célebres tiradas "o povo é sereno"  e o "é só fumaça". 

Em 2010 a Câmara Municipal de Lisboa levou a cabo umas obras de fundo na praça que a deixaram mais bonita do que nunca.  Enalteço esta iniciativa e aconselho a que passem por lá, pois é um lugar deslumbrante.        

   

 

publicado por Rui Romão às 17:09
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De Cristina Torrão a 27 de Fevereiro de 2011 às 19:00
Caro Rui Romão, parabéns pelo seu blogue. Tenho andado à procura de blogues sobre História e/ou Idade Média, mas parece-me haver pouca coisa. Conhece alguns?

Deixei também um comentário ao post "Mais Poesia do que Prosa na vida de D. Pedro".

Segurei o seu blogue atentamente.
De Rui Romão a 2 de Março de 2011 às 09:47
Olá Cristina, não conheço nenhum blog sobre esta temática. No entanto, certamente que existiriam vários que abordem esse período, embora talvez não em exclusivo. Muito obrigado. Um abraço Rui Romão

Comentar post

.D. Afonso Henriques


.

.pesquisar

 

.Setembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.tags

. todas as tags

.contador

.contador

blogs SAPO

.subscrever feeds