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Segunda-feira, 13 de Junho de 2011

Os Paineis das Janelas Verdes

 

 

 

Os paineis que hoje podemos apreciar no Museu de Arte Antiga têm tanto de fascinante como de misterioso. Não haverá obra mais discutida, polémica e capaz de suscitar posições tão diferentes, isto apesar de não abundarem as publicações sobre o tema. A título exemplificativo, no próprio museu não existe para venda nenhum estudo sobre aquela que é a sua obra mais importante.

Como tal, não é arriscado apresentar uma teoria sobre o seu significado, pois é tão incomprovável como as restantes. As certezas são poucas e a principal é fornecida pela própria matéria. Os paineis são de carvalho e as árvores foram abatidas por volta de 1440 na região do báltico. Este facto está em linha com a tese mais aceite quanto à responsabilidade pela sua encomenda - atribuída a D. Afonso V. A outra certeza é que a obra estava no altar mor da Sé de Lisboa e que estiveram a servir de taipais às obras quando no final do século XIX foram descobertas. Nada nos garante que não existissem mais paineis, bem como não é certo que estivessem agrupados naquela ordem. Poderemos estar na presença de 2 obras distintas, o que poderá justificar a duplicação do painel central o que contrariaria a posição de Almada Negreiros, responsável pela sua disposição actual. Almada teve por base aspectos como a iluminação e a configuração do chão para os ordenar nesta forma, mas a descoberta de mais paineis (hoje altamente improvável), poderia mudar este paradigma.

As questões são tantas que seria sofrível descrevê-las pormenorizadamente num post. Como as posições não são menos, proponho realizar um quiz com algumas das questões mais debatidas. Quem o adivinhar ganharia um lugar na galeria dos notáveis da História de Arte portuguesa!

 

P. Os paineis foram concebidos por Nuno Gonçalves?

A) Sim

B) Não

 

Resposta:Não se conhecem outras grandes obras do pintor régio de D. Afonso V, pelo que não é de excluir que tenham sido pintados por um estrangeiro, possivelmente um Flamengo.

 

P. O que representam?

A)O funeral simbólico do Infante Santo.

B)A devoção do reino a São Vicente

C)A celebração das conquistas africanas de D. Afonso V

D)O funeral do Príncipe D. Afonso.

E)Investidura da nação pelo Espírito Santo    

F)Nenhuma das anteriores

 

Resposta: Colhe maior aceitação a teoria de que se  trata da evocação de São Vicente, transfigurado na figura do Infante Santo, após o seu martírio em Fez.

 

P. Quem é a figura de bigode e chapeu no painel dito do Infante?

A) O Infante D. Henrique

B) O Duque de Borgonha

C) Outro

 

Resposta: O Infante D. Henrique não será, ou então teríamos que assumir que a criança que se encontra à sua esquerda não seria D. João II. O motivo é simples: o Infante morreu em 1460 e D. João II nasceu em 1455. Ou seja, mesmo que o quadro tivesse sido pintado no último ano de vida do Infante, não seria possível aquela criança ter apenas 5 anos (teria no mínimo 8/9). A teoria de que as personagens foram retratadas em momentos distintos é possível noutros paineis mas no mesmo isso é admissível, pelo que me inclino para a resposta B. A teoria de que se trataria do Infante resulta de uma imagem na Crónica da Guiné de Azurara, encontrada no século XIX em Paris, mas que tudo leva a crer ter sido colocada à posteriori e inspirada nestes paineis e não o contrário.

 

P. No mesmo painel, quem é a senhora que se encontra à direita da figura de São Vicente?

 

A) D. Beatriz, Duquesa de Viseu.

B) D. Isabel, Duquesa de Borgonha

C) D.Leonor (Rainha, Mulher de D. Duarte)

 

Resposta: Para manter a congruência em termos cronológicos, penso que só poderia ser a Duquesa de Borgonha. Assumindo que a obra foi concebida por volta de 1460/5, D. Beatriz seria mais jovem e D. Leonor já não seria viva.

 

 

P. A imagem da jovem, quem representa?

 

A) Santa Joana Princesa

B) D. Leonor, Imperatriz da Alemanha.

  

Resposta: Existe uma retrato da Infanta Santa Joana Princesa em Aveiro que se assemelha bastante à representação do painel, pelo que me inclino para a resposta A. 

 

A obra levanta muitas questões, que ser-me-ia impossível detalhar, como sejam os motivos que levaram o pintor a colocar 3 homens numa rede (no painel dito dos pescadores), porque razão o livro no painel dito do Infante está aberto no Evangelho Segundo S. João, e no painel da Relíquia está com uma lingua fictícia (ou em código)?

 

Provavelmente nunca existirão respostas cabais e definitivas para estas questões, mas talvez isso seja benéfico. Quanto mais se discutir, mais se valoriza e mais pessoas a conhecerão, por mais que não seja neste "fogo cruzado" de argumentos a favor de uma ou outra teoria. Uma sugestão será visitar o MNAA, onde se pode apreciar esta obra in loco e sair mais rico do que quando se entrou. Por mais vezes que visite aquele espaço, nunca faço duas visitas iguais e descubro sempre algo de novo.     

 

   

publicado por Rui Romão às 14:48
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3 comentários:
De Clemente Baeta a 6 de Janeiro de 2013 às 12:02
Caro Rui Romão

Verifico que se interessa pelo Painéis e que tem uma opinião formada sobre os mesmos.

No entanto não queria de lhe deixar expor a minha. Neste sentido dou-lhe conhecimento da publicação do livro "Os Painéis em Memória do Infante D. Pedro" que se encontra disponível em www.bubok.pt (pesquisar por “painéis”).

Defendemos nesta obra que os Painéis de S. Vicente de Fora foram executados em memória do infante D. Pedro, cuja imagem tinha sido denegrida pelos seus opositores logo a seguir à subida ao poder de D. Afonso V. Reflecte também o perdão mais tarde concedido por este rei aos partidários e familiares do antigo regente de Portugal falecido na batalha de Alfarrobeira

O facto de termos identificado uma série de indícios e pistas relacionados o Infante D. Pedro levou-nos a esta conclusão. Vejamos alguns:

•O “judeu” onde visualizamos um doutor em leis, beneditino, oriundo da Borgonha que só pode ser Jean Juffroy embaixador enviado pela duquesa D. Isabel com a missão, entre outras, de protestar contra o enterro vergonhoso dado ao corpo de D. Pedro, após o seu falecimento na batalha de Alfarrobeira. Chama-se a ainda atenção para o pormenor do indicador direito daquela personagem estar a apontar precisamente para o seu nome (em latim) no livro “ilegível”. A presença desta figura prova que os Painéis são uma evocação de D. Pedro, não havendo outra justificação para esta personagem estar ali.

•O caixão e o peregrino formam um conjunto cuja leitura nos conduziu também ao Infante: um caixão aberto a significar que apesar dos sucessivos enterros dos seus restos mortais, todos estes foram em vão; um peregrino idoso a simbolizar os anos e as viagens feitos pelos ossos de D. Pedro.

•A decifração no livro aberto do painel do Infante de uma pergunta “quem é o pai?” e a respectiva resposta “o pai…está à direita”, isto é, está a dar indicações ao observador da pintura onde se encontra o pai da rainha D. Isabel (a jovem), que localizamos na personagem com um joelho no chão do painel do Arcebispo.

•Uma proposta, praticamente inédita, para a figura santificada baseada nas cenas e interações que vemos nos painéis centrais

•E outros mais onde se incluem identificações para os seus familiares e apoiantes mais próximos.

A publicação deste trabalho visa contribuir e abrir novas pistas de investigação, de modo a se poder descortinar um pouco mais o mistério que envolve os Painéis de S. Vicente de Fora.

Cumprimentos

Clemente
(www.clemente-baeta.blogspot.com)
De Rui Romão a 9 de Janeiro de 2013 às 18:00
Obrigado pelo seu comentário. Parece-me uma perspectiva interessantíssima, a qual não me recordo de jamais ter sido evocada. Certamente que adquirirei o livro. Cumprimentos,
Rui Romão
De Clemente Baeta a 10 de Janeiro de 2013 às 19:45
Agradeço o interesse manifestado.

Tentei ser honesto e não especulativo ao abordar esta temática.
O principal documento que utilizei foram os próprios Painéis.
Ficarei na expectativa dos seus comentários.
Cumprimentos
Clemente Baeta

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