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Sábado, 12 de Novembro de 2011

Cavaleiros Andantes - O Dom Quixote Português

 

Estou neste momento a empreender uma tarefa quixotesca. Não se trata de nenhuma façanha que fique registada na história pelo seu denodo ou pelas suas consequências futuras. Trata-se, apenas, da leitura da obra prima de Cervantes - Don Quixote de la Mancha. É um livro extraordinário que me prendeu desde a primeira página até àquela em que me encontro (perto da 1000), e que, em jeito de síntese, poderia dizer que é o maior monumento jamais erguido ao paradoxo razão/coração. Um Sancho Pança mais terra-a-terra, ingénuo, interesseiro por obter a ilha ou condado que o seu senhor lhe prometeu e um Don Quixote animado pelos romances de cavalaria, que lera toda a vida, apostado em manter a tradição (já descabida em pleno século XVII) da cavalaria andante, num complexo jogo entre a ficção e a realidade que sustenta os seus delírios e lhe turva o entendimento e a lucidez. A obra é composta por duas partes, e não deixa de ser curioso que a segunda é bastante diferentes da primeira, o que pode ser justificado pelos 10 anos que medearam entre a publicação dos dois tomos. A segunda parte mostra-nos um Sancho Pança mais esclarecido e com outros recursos linguísticos que contrastam com a linguagem despojada e simples da fase inicial da obra. As referências a Portugal são inúmeras mas destaco a passagem onde o autor faz referência às sete partidas do Infante D. Pedro, aquele que morreu ingloriamente às portas de Lisboa, no sítio de Alfarrobeira, em disputa com seu sobrinho D. Afonso V.

Mas não foi com o intuito de falar de Dom Quixote que me decidi a escrever este texto. O motivo é outro. Cervantes publicou o primeiro volume em 1605, mas 33 anos antes um português escreveu uma obra onde conta, de uma forma prolixa, a vida de um cavaleio andante português e que existiu na realidade, ao contrário da ficção de Cervantes. O autor foi Camões, a obra "Os Lusíadas" e o cavaleiro andante era D. Alvaro Gonçalves Coutinho, mais conhecido como "o Magriço".

O feito do "Magriço" conta-se em poucas linhas. Em Inglaterra consta que umas senhoras foram ofendidas por uns cortesãos e que não havia quem quisesse desagravar a ofensa em terras de Sua Magestade... Assim, o Duque de Lencastre, João de Gant, pai da rainha D. Filipa de Lencastre (mulher de D. João I), pediu ao genro que lhe indicasse uns cavaleiros que pudessem, em duelo, reparar a ofensa que proferiram os seus compatriotas. D. João indicou-lhe 12 cavaleiros, onde incluiu  Alvaro Gonçalves de Coutinho, que se destacou pela bravura que evidenciou nesse torneio em que os portugueses sairam vencedores.

Por muito caricato que possa ser o episódio, ninguém diria que Camões o pudesse incluir nos Lusíadas. Trata-se de um evento perfeitamente acessório e sem qualquer importância para a História de Portugal, mas Camões não só o incluiu como lhe deu um destaque enorme. O episódio dos 12 de Inglaterra é relatado ao longo de 28 estrofes (VI 42-69), mais 10 do que, imagine-se, o drama de Inês de Castro (III 118-135)! O que terá levado Camões a tamanho exagero?

Camões não fazia nada ao acaso. Da mesma forma que começa por relatar o episódio de Inês de Castro (III 119) aludindo aos saudosos campos de Mondego (que seriam saudosos para si, ou não fora o rio que testemunhara o seu amor adúltero com  Violante, Condessa de Linhares) também existe uma razão pessoal para destacar este feito dos 12 de Inglaterra. Camões esteve na Índia portuguesa onde gozou da protecção do Conde de Redondo, D. Francisco Coutinho. Diga-se que o seu antecessor, Dom Constantino de Bragança, também livrou Camões da prisão, pelo que também costuma ser incluído no grupo de "protectores". O Conde de Redondo faleceu em 1564 e como tal nunca tomou conhecimento das façanhas do seu antepassado pela lavra de Camões. No entanto, tudo leva a crer que o objectivo da inclusão dos 12 de Inglaterra em "Os Lusíadas" fosse prestar homenagem ao Conde de Redondo, como ja o tinha feito em vida do conde com uma ode, naquela que foi a primeira obra de Camões impressa (pela mão de Garcia da Horta).

Este episódio foi recuperado em 1966 para apelidar a selecção portuguesa de futebol que nesse ano disputou o campeonato do mundo em Inglaterra, onde alcançando a melhor posição de sempre (3º lugar).

 

 

publicado por Rui Romão às 19:12
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4 comentários:
De galego a 25 de Março de 2013 às 21:22
Henrique Mitchell de Paiva Couceiro (Quixote Portugués)
De Rui Romão a 27 de Março de 2013 às 19:21
Paiva Couceiro lutou por causas que não seriam tão românticas nem irrealizáveis. No 5 de Outubro foi o único que se beteu com galhardia pelo Rei a quem tinha jurado fidelidade. Foi em nome do mesmo Rei que se instalou na Galiza para as célebres incursões monárquicas, embora na primeira fizesse questão de entrar com a bandeira azul e branca sem coroa. Foi ainda um combatente do regime salazarista, pagando com o exílio a sua opção. Na sua biografia não consigo ver moinhos de vento. Cumps. Rui Romão
De galego a 25 de Março de 2013 às 21:26
Don José Mourinho, Quixote Luso; Don Goran Pandev, Quixote Macedonio.....
De toñín a 30 de Março de 2013 às 23:34
"Pandev no mintió" "Pandev nao mentiu"

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