. O 4 de Julho

. O ABC da Lealdade

. Viva o 25 de Abril...de 1...

. Mário Soares e a III (ou ...

. A Revolução de 1820

. O Longo Processo de Recon...

. A Maldição dos Primogénit...

. Uma Andaluza à Frente dos...

. A Páscoa

. O Herói dos Heróis

.arquivos

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Outubro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

.contador

Sábado, 19 de Novembro de 2011

Nos 750 Anos de El Rei Dom Dinis

 

 

Comemoram-se este ano os 750 anos do nascimento do rei que ficou conhecido na História como “O Lavrador”. Começo por dizer que discordo em absoluto com este cognome, por dois motivos: Por não ter sido D. Dinis o obreiro do pinhal de Leiria (quanto muito ordenou-o e aumentou-o) mas sobretudo porque o seu legado é muito mais importante do que qualquer pinhal que tivesse mandado plantar.

D. Dinis é talvez o Rei mais importante na afirmação da independência portuguesa no espaço peninsular, ao contrário do que sucedeu com os outros reinos que foramao longo dos séculos absorvidos por Castela. Mais do que D. João I ou D. João IV, que pegaram nas armas para combater o perigo castelhano, D. Dinis foi quem construiu os alicerces que cimentaram a nossa identidade, garantia suprema da nossa soberania. Para começar, foi D. Dinis que estabeleceu o português como lingua oficial do Reino, obrigando a que todos os documentos fossem lavrados na nossa lingua por alternativa ao latim. Foi D. Dinis quem criou a primeira universidade portuguesa (em Lisboa e depois transferida para Coimbra) que não chegou a atingir a importância que podia ter tido no nosso país devido a 3 factores: a expulsão dos judeus, a inquisição e a sua administração pelos jesuítas, tudo isto no reinado de D. João III, que, paradoxalmente, foi um entusiástico do movimento renascentista em Portugal.

Bastava o que escrevi até aqui para que D. Dinis já fosse considerado um grande Rei. Mas foi mais do que isto. Foi este monarca que criou a Ordem de Cristo, suceora dos Templário, numa atitude bastante hábil que lhe permitiu contornar a Bula Papal que extinguia os Cavaleiros do Templo. Estes monges Cavaleiros tinham sido perseguidos pelo Rei de França, Filipe IV “o Belo”, provavelmente porque não conseguia pagar as dívidas que tinha contraído ou porque queria apoderar-se dos seu imeno bens. Assim, com o fim da Ordem que o Rei francês conseguiu obter junto do Papa, os seus problemas financeiros ficavam resolvidos. Em Portugal D. Dinis acolheu, como  não podia deixar de ser, a ordem papal de extinção dos templários, mas passados alguns anos pediu à Santa Sé autorização para criar uma Ordem de raiz Portuguesa, com os bens e os ex-cavaleiros templários que estavam em Portugal. Esta decisão de D. Dinis tem levado muitos entusiáticos do misticismo templário a propor as mais fantasiosas teorias, como a vinda do Santo Gral para Portugal, ou ainda que os descobrimentos portugueses apenas foram possíveis porque tivemos acesso às cartas que os Templários possuiam.

À parte dessas teorias, é inegável que a Ordem de Cristo foi a grande responsável pelos descobrimentos portugueses, escrevendo a mais gloriosa página da nossa História, nomeadamente a partir do Infante D. Henrique (que era Mestre da Ordem de Cristo) e eis porque as velas das naus e caravelas que cruzavam oceanos, levando a lingua portuguesa aos quatro cantos do mundo, levavam o simbolo da Ordem de Cristo. Ainda hoje a Ordem de Cristo é uma Ordem Honorífica Portuguesa e o seu simbolo permanece nos aviões da Força Aérea Portuguesa.

Claro que nem tudo foram rosas no seu reinado. Teve que enfrentar o filho numa guerra civil que perdeu, sendo obrigado a conceder a governação ao futuro D, Afonso IV, num conflito motivado pela preferência que, alegadamente, dava a um seu filho bastardo (Afonso Sanches) em detrimento do seu primogénito legítimo. Foi este seu filho bastardo que se exilou em Albuquerque (Castela), onde foi tutor de uma menina chamada Inês de Castro. Quem sabe se não nasceu dessa relação de amizade o ódio de D. Afonso IV a Inês e que levou ao triste desfecho que todos conhecemos?

Nestes 750 (1261-1325) anos de D. Dinis, honra seja feita ao município de Odivelas por ser a única entidade, que eu tenha conhecimento, que está a assinalar a efeméride. A mesma localidade onde D. Dinis escolheu para sua morada eterna.

tags:
publicado por Rui Romão às 07:38
link do post | comentar | favorito
|
5 comentários:
De Cristina Torrão a 20 de Novembro de 2011 às 12:26
Uma interessante interpretação do ódio que D. Afonso IV teria por Inês de Castro.

Só um reparo, caro Rui Romão: D. Dinis foi "obrigado a conceder a governação ao futuro D. Afonso IV"? Parece-me que ele nunca fez isso. É certo que ele se viu obrigado a "entregar" algumas povoações ao filho e passou uma grande humilhação ao ser proibido de entrar em Santarém, uma vila que lhe era querida (naquela altura, Santarém não era cidade, por não ser assento episcopal). Mas nunca chegou a entregar a governação a ninguém. Na verdade, a guerra com o filho consumiu-o tanto, que ele acabou por adoecer e faleceu pouco tempo depois do "percalço" de Santarém, pondo D. Afonso IV no trono.

D. Dinis foi um rei notável, às coisas que o Rui Romão apontou, acrescento a inclusão da zona alentejana a leste do Guadiana no território português e a assinatura do Tratado de Alcanices, que, entre outras coisas, clarificou, de vez, a posse dos territórios de Ribacoa.
Aliás, os seus feitos foram tantos, que se torna difícil enumerá-los todos. Mas, na minha opinião, D. Dinis teve uma grande falha: precisamente, a falta de habilidade para lidar com o problema que lhe causou o filho. Não teria ele hipóteses de evitar um tão longo conflito? Na minha opinião, que pesquisei a sua vida exaustivamente, teria, sim!

Acho uma vergonha os 750 anos de D. Dinis não serem assinalados de maneira condigna. Tanto Lisboa, como Coimbra, pelo menos, tinham obrigação de assinalar a data!
De Rui Romão a 21 de Novembro de 2011 às 12:16
Olá Cristina,
Obrigado pelo seu comentário.
Efectivamente havia muito mais para dizer sobre D. Dinis, mas apenas sublinhei aquilo que, para mim, foi mais estrutural no desenvolvimento do país. Claro que o Tratado de Alcanizes foi importante na definição de fronteitas, mas não tem a importância do outros aspectos que referi. Quanto ao conflito que opôs ao monarca, inclino-me pela teoria da vitória do infante, porque este era apoiado principalmente pelos concelhos e foram estes os grandes beneficiários do conflito. Recorde-se que nas cortes de Lisboa de 1323 são concedidos aos concelho privilégio que então estavam, exclusivamente, nas mãos da classe senhorial, como a interpelação ao monarca. O próprio Afonso Sanches exilou-se nesse mesmo ano (ou no ano seguinte, quando da revolta de Santarém), ou seja ainda em vida do seu pai, que apenas faleceu em 1325, tendo sido obrigado a abdicar do cargo de modomo-mor. No entanto, este caso não pode ser comparado, nem de perto nem de longe, ao de D. Sancho II/D.Afonso III nem ao de D.Afonso VI/D. Pedro II.
Contudo, é só uma opinião.
Cumps.
Rui Romão
De Cristina Torrão a 21 de Novembro de 2011 às 18:16
Sim, Afonso Sanches teve de abdicar, por imposição do infante, recolhendo-se no seu castelo de Albuquerque e, sim, talvez se possa falar de uma vitória de D. Afonso. Se assim não fosse, nunca o rei de Portugal teria sido proibido de entrar em Santarém. Uma humilhação para D. Dinis que, na opinião de José Augusto Pizarro, autor da biografia, podia ser evitada, pois, pertencendo a vila ao príncipe, era de prever um desaguisado. Por isso, também eu digo que faltou algum tacto a D. Dinis na condução deste conflito.

É raro poderem-se trocar impressões destas, na blogosfera, o que eu acho uma pena. Ou o Rui conhece mais blogues "com História"?

Cumps
De Rui Romão a 23 de Novembro de 2011 às 09:17
Cara Cristina,
Existem muitos blogs. Basta colocar um tema qualquer no goole e a maioria ds resultados (não os primeiros) são de blogs. Felizmente há muita gente a escrever sobre a nossa história!
Cumps.
Rui Romão
De Cristina Torrão a 24 de Novembro de 2011 às 19:59
Sim, há muito para ler. Tenho, de qualquer maneira, dificuldade em encontrar blogues como o seu, ou que falem da Idade Média em geral, e que continuem a ser actualizados. A maior parte dos posts são antigos, penso que os seus autores desistiram.

Comentar post

.D. Afonso Henriques


.

.pesquisar

 

.Setembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.tags

. todas as tags

.contador

.contador

blogs SAPO

.subscrever feeds