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Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Leonor Teles - A Rainha Maldita

As rainha em Portugal gozaram sempre de um enorme prestígio, em alguns casos inclusivamente superior ao dos próprios reis. Existem excepções a esta regra: certamente ninguém diz maravilhas de Dª Mécia Lopes (mulher de D. Sancho II), que se deixou raptar para servir os interesses do cunhado na guerra civil que o opunha ao seu próprio marido. Também não poderemos ter um discurso encomiástico relativamente a Dª Maria Francisca de Saboia, também ela dividida entre o legítimo (e tonto) D. Afonso VI e o cunhado de D.Pedro II, acabando por desposar os dois. De Carlota Joaquina são conhecidas as sua tendências levianas, curiosamente o mesmo rótulo que foi colocado a Leonor Teles, a que eu chamo a rainha maldita e a que Herculano, com grande exagero, chamou a Lucrécia Bórgia Portuguesa.

Maldita porquê? Para respondermos a esta questão temos que fazer uma viagem até ao triste reinado de D. Fernando. Um rei pusilânime, inábil, sem qualquer capacidade parar dirigir um estado. Este D. Fernando foi o único que Camões criticou veementemente nos Lusíadas, no célebre verso "que um fraco rei, faz fraca a forte gente".

Leonor Teles foi a primeira rainha portuguesa. Até então os monarcas portugueses, como era costume na época, casavam com princesas estrangeiras para celebrar alianças políticas. A D.Fernando cabia-lhe idêntico destino, não fosse ter decidio casar a "furto", com uma mulher, que ainda por cima já era casada e o marido estava vivo. Essa mulher era Leonor Teles, e como nos conta Fernão Lopes, D. Fernando teve que fugir literalmente de Lisboa para fugir à ira do povo, que se amotinou face à decisão do monarca de desposar mulher já casada.

Este casamento desencadeou ainda consequência políticas, porque D. Fernando esteve de casamento aprazado com Leonor de Aragão, por ocasião da aliança com o reino de Aragão e o emir de Granada contra Henrique Trâstamara, e depois com Leonor de Castela, filha de Henrique Trâstamara, na sequência do insucesso desta mesma guerra. O casamento com Leonor Teles veio fazer de letra-morta esta aliança e originou mais uma guerra com Castela, dado que os castelhanos, com toda a legitimidade, se sentiram enganados.

Mas afinal quem foi Leonor Teles? Era de uma grande fidalguia, ambiciosa e de um enorme tacto político. A perspectiva de se tornar rainha não deverá ter sido dispiciente na decisão que tomou de casar com D. Fernando, apesar de já ser casada e de ter um filho. Só a sua habilidade justifica que tenha  conseguido movido influências na Santa Sé para conseguir a anulação do seu casamento, a pretexto de uma suposta consaguinidade. No drama que envolveu a sua irmã - Dª Maria Teles, assassinada pelo infante D. João -  a sua intervenção foi sempre polémica. Diz-se que foi ela que terá dito ao infante que a irmão lhe era infiel, quem sabe se movida por ciúmes (o infante poderia ser rei) ou pelo desejo de casa-lo com a  sua filha Beatriz. Na crónica de Dom Fernando, Fernão Lopes não o declara explicitamente mas reproduz as palavras de Maria Teles, quando confrontada com a fúria do seu marido, diz que este ia mal aconselhado...

Sem me alongar em questões de carácter, eu creio que teremos que ter sempre algumas reservas sobre as críticas e acusações que se fazem à raínha. Digo-o por vários motivos, sendo o principal o facto de a História ser sempre escrita pelos vencedores. E esses, felizmente, foram os portugueses em Aljubarrota comandados pelo Mestre. Por esse motivo, sendo Fernão Lopes, cronista do Rei, que era bastardo e como tal teve que ver a sua legitimidade confirmada pelas cortes de Coimbra, nas quais contou com outro importante aliado, de quem nem sempre se fala mas cujo papel foi determinante: O Dr. João das Regras, e como tal a dignidade da raínha não podia ser enaltecida.

O objectivo do jurista era provar com argumentos de lei que todos os pretendentes eram bastardos, tal como o Mestre de Avis, que o era indiscutivelmente. Assim, excluía a sucessão por via dos filhos de Inês de Castro, alegando que esta nunca casou com D. Pedro, apesar de ter havido um bispo que jurou, sobre os evangelhos, exactamente o contrário. A exclusão de Dona Beatriz, que era filha legítima de Rei e Rainha era mais complicada. Daí que teve que se basear na suposta leviandade da rainha, que dava azo à dúvida quanto à paternidade da pequena infanta. A urdidura concebida pelo "velho leão" Álvaro Pais, na morte do Conde Andeiro pelo Mestre, foi uma jogada habilidosa que teve o seu epílogo em Aljubarrota, no que foi um autêntico xeque mate num jogo onde apenas a perícia política e diplomática do Mestre e dos seus apoiantes permitiu desfecho, à partida, tão improvável. Na minha opinião foi este facto que tornou a rainha tão odiada. A necessidade de denegrir a sua imagem para justificar a possível bastardia de Dª Beatriz, como peça de um jogo onde Leonor Teles tinha que ser sacrificada. Este argumento foi mais tarde recuperado pelos liberais a propósito da Rainha Carlota Joaquina, com o objectivo de retirar legitimidade ao infante D. Miguel, o que não deixa de ser um argumento curioso, tendo em conta que o casal teve muitos filhos e não consigo compreender o motivo porque apenas aquele seria ilegítimo.

Leonor Teles de Menezes foi, sem dúvida, uma rainha maldita. Injustiçada, talvez!

 

  

 

 

publicado por Rui Romão às 09:33
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2 comentários:
De Cristina Torrão a 5 de Dezembro de 2011 às 12:12
Muito interessante, como sempre!
De aparecido rosalvo teles a 9 de Outubro de 2016 às 22:27
precisa se comentar mais sobre esta rainha para conhecermo mais a sua historia.

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