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Segunda-feira, 1 de Abril de 2013

Uma Andaluza à Frente dos Destinos de Portugal

A mulher à qual dedico este texto é uma das “portuguesas” mais célebres de sempre. No que respeita a rainhas, só “perderá” para a Rainha Santa Isabel, na memória colectiva do povo português. Chamei-lhe portuguesa, mas no título escrevi que seria andaluza. Não se trata de uma incongruência. Em primeiro lugar porque as rainhas de Portugal adquiriam automaticamente a nacionalidade portuguesa e também porque esta espanhola de nascimento foi portuguesíssima na sua acção, sempre determinada, para garantir a independência da sua pátria de adopção, precisamente face à sua de nascimento. Falo de Dª Luísa de Gusmão, rainha consorte, mulher de D. João IV e regente de Portugal num período muito difícil da guerra de Restauração.

Dª Luísa era oriunda de uma família da mais alta nobreza espanhola. Em termos comparativos, a família Gusmão, titular do ducado de Medina Sidónia, estava para Espanha como os Bragança estavam para Portugal. Citando a máxima brigantina “Depois de Vós, Nós”, ou seja, consideravam-se os principais fidalgos do reino depois da própria família real. Foi no seio desta família poderosa que a jovem Luísa cresceu e viveu até se casar com o então Duque de Bragança, D. João II, futuro D. João IV como Rei de Portugal.

Foi precisamente o episódio da Restauração que lhe conferiu um lugar de destaque na História de Portugal. A seguir ao célebre “enterrem-se os mortos e cuidem-se dos vivos” atribuído a Pombal, a frase que a rainha supostamente proferiu na, também, suposta hesitação do duque em assumir os destinos de Portugal – “mais vale viver reinando que morrer servindo” tornou-se na segunda frase mais citada da nossa História. Na mesma forma que Pombal nunca proferiu a dita frase, provavelmente a rainha também não terá sido tão contundente, principalmente se tivermos em conta a incerteza e o risco que a empresa envolvia. No entanto, nestas frases, mais do que saber se foram ou não ditas, perduram no tempo porque as suas acções foram consequentes. Se Pombal conseguiu reerguer Lisboa das cinzas (literalmente). Dª Luísa foi um forte alicerce da nossa independência, mesmo sabendo que a sua conduta a privava para sempre de contactar com a sua família que permanecia na Andaluzia. O seu irmão, D. Gaspar, que a acompanhou a Portugal para celebrar o casamento com D. João, e que sucedeu a seu pai como Duque de Medina Sidónia, pagou bem caro o arrojo. Na sequência da revolta da Catalunha, ponto de partida para a revolução portuguesa, também D. Gaspar teve o sonho de uma Andaluzia independente. O sonho independentista resultou na perda do ducado.

Voltando a Portugal, Dª Luísa mudou-se da pacata Vila Viçosa para Lisboa em 1641, no ano da revolta de seu irmão, e teve que se adaptar a uma nova realidade. Depois de sessenta anos sem corte, Lisboa perdera o seu carácter cosmopolita. Vivíamos no tempo da “Corte na Aldeia”, citando Rodrigues Lobo, do qual o Duque de Bragança, arredado até aí no Alentejo profundo, constituía um fiel retrato. Não deve ter sido fácil a adaptação, mas a rainha rapidamente empreendeu uma obra de restauração do antigo protocolo régio, por forma a dignificar a nova dinastia. Foi uma mãe protectora e presente na educação dos seus filhos, embora me veja forçado a aceitar a tese de que o forte investimento na formação do príncipe herdeiro, Dom Teodósio, não se alargou aos seus irmãos mais novos, os futuros Afonso VI e Pedro II. Nos filhos sobreviventes, destaca-se ainda Dona Catarina, futura rainha de Inglaterra pelo casamento com o também restaurado trono britânico, pela mão de Carlos II Stuart, e Dona Joana, cujos relatos nos indicam que a sua condição psíquica não andaria muito longe da atribuída ao futuro D. Afonso VI.

D Luisa foi uma mulher firme, e com um sentido de dever fortíssimo como comprova o episódio em que negou o pedido de clemência à Duquesa de Vila Real, para que o Rei poupasse a vida ao marido, envolvido na revolta de 1641 (que se destinava a matar o Rei). A Rainha recusou qualquer clemência e foi firme a pedir a pena de morte para os traidores, contrastando, segundo fontes da época, com a maior benevolência do Rei.

Não sabemos muito sobre a vida palaciana da Rainha, nem como enfrentou os dissabores próprios das rainhas (e não só) confrontadas com a corte de amantes dos reis, mas nunca deu mostras de vacilar. Nem quando o infortúnio lhe bateu à porta, em 1653, ano em que perdeu o seu filho predilecto, o promissor D. Teodósio, Príncipe Herdeiro, e a sua filha Joana. Três anos mais tarde, o próprio Rei despediu-se deste mundo. Foi neste momento difícil que, por disposição testamentária do seu marido, assumiu a regência, tendo a responsabilidade de liderar os destinos de um país em guerra com a sua própria pátria de baptismo. Fê-lo com superioridade, embora tivesse que contar com a animosidade dos partidos que se formaram. O principal ponto de discórdia era precisamente a sucessão no trono. Com a morte do preparadíssimo D. Teodósio, a coroa portuguesa estava destinada ao hemiplégico Príncipe D. Afonso. Foi por esse motivo que a sua regência se prolongou. O dilema sobre a capacidade do príncipe não deve ter saído da sua cabeça um único dia desde a morte de D. Teodósio. O problema de D. Afonso, diga-se em abono da verdade,  não seria apenas físico. Segundo fontes coevas, os sinais de indisciplina e desbragamento manifestados no filho mais velho eram extensíveis ao futuro D. Pedro II. Este facto reforça a minha opinião de que a educação dos infantes foi negligenciada, porque a luz que emanava de Dom Teodósio, não levaria a supor que nenhuma responsabilidade de maior cairia sobre os infantes.     

A historiografia de oitocentos (e também a actual) questiona se não terá Dª Luísa beneficiado o filho mais novo, pelo facto de lhe ter montado casa, por sinal um palácio que podia ombrear em prestígio e séquito com o próprio palácio real, e pelo facto de ter prolongado a regência até ao limite.

Eu acho que não. O que a rainha tentou através do golpe palaciano de 1662 foi afastar os prevaricadores que se aproveitavam da debilidade do futuro Rei para retirar daí proveitos próprios. Foi o afastamento dos irmãos Conti, favoritos do Rei, que foram enviados nas galés para o Ultramar, que concitou a ira régia. Estes Conti, eram mercadores italianos que se divertiam com o Rei nas saídas nocturnas onde provocavam desacatos e desordens nada condicentes com a dignidade régia. Com a saída de cena dos Conti, Dª Luisa demonstra que não quis tirar a coroa a seu filho para dar ao filho mais novo, mas apenas continuar o seu trabalho para o preparar para reinar.

Não foi esse o entendimento de alguns nobres, que não ficaram satisfeitos com o golpe palaciano da Rainha, talvez por verem na debilidade do Rei uma oportunidade para eles próprios assumirem o poder. Foi o caso de D. Luis de Vasconcelos e Sousa, Conde de Castelo Melhor, que na sequência deste golpe preparou um contra-golpe, que viria a ser bem-sucedido. Levou o Rei para Alcântara e obrigou a regente a entregar-lhe o poder. A Raínha tentou demover o filho, como prova a troca epistolar que ainda hoje se conserva, mas o rei (ou quem o manietava) foi inflexível, naquilo que ficou conhecido como a Aclamação de Alcântara de 1663. Dª Luísa acabou por entregar-lhe o poder voluntariamente, embora fosse sempre vista com desconfiança pelos apaniguados do Rei.

Sozinha, sem a filha Catarina que partira em 1662 para Inglaterra, a Raínha manteve-se no Paço, onde não lhe terão faltado vexames provocados pelo séquito do Rei, que viam na presença da ex-regente uma ameaça à sua influência. A Rainha acabou por mudar-se para o Convento dos Grilos, onde veio a falecer no anonimato em 1666, com a provecta idade de 53 anos.

Devemos muito a esta Rainha.

publicado por Rui Romão às 07:47
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