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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

O Dia do Regicídio - 100 anos depois (Parte 1)

Café Gelo – 16:00 dia 1 de Fevereiro de 2008.

Aquilino Ribeiro chamou-lhe a sede da ala demagógica da Carbonária. Centro conspirativo por excelência, o Café Gelo  funcionou como uma espécie de sede  “informal” da ala mais radical da maçonaria. O regicídio foi urdido nestas 4 paredes, ou pelo menos o assassínio de uma figura importante do regime. Aquilino, revolucionário confesso, refere que o objectivo era matar o presidente do Conselho, João Franco, qualificando o assassinato do Rei de um “grande desacerto”. Infelizmente, não acredito nem na cândida inocência do autor de ”Quando os Lobos Uivam”, nem tão pouco na sua absolvição de participação em actividades criminosas, mais concretamente num regicídio.

Como seria diferente a Lisboa nos tempos em que o Café Gelo era frequentado pelos Costas (Alfredo e Afonso), Buiça, Aquilino e outros demagogos radicais da Carbonária.   Peço um café e uma “madalena” ao mesmo tempo que não consigo parar de olhar em volta. Da mesa onde me encontro observo o Restaurante Leão D’Ouro, outro local histórico da baixa pombalina. Imortalizado na tela “O Grupo do Leão” pelo mestre Columbano Bordalo Pinheiro,  foi o ponto de encontro e de tertúlia de um destacado grupo de intelectuais no último quartel do século XIX. Entre as figuras célebres desse grupo destacam-se José Malhoa, Silva Porto e Rafael Bordalo Pinheiro, para além do próprio Columbano.

A lado do Leão D’Ouro surge a imponente estação do Rossio. Em estilo neo-manuelino, talvez seja o melhor exemplo que nos ficou do ressurgimento do espírito imperial na Europa.  Foi este movimento que deu origem à Conferência de Berlim de 1884, e que em Portugal resultou, sob o alto patrocínio do Rei D. Luis, à fundação da Sociedade de Geografia. Foi às portas de Santo Antão que começou a ser idealizada uma África portuguesa, de Angola à contra-costa, e que daria origem ao célebre “ultimatum” britânico, que abalou o início do reinado de D. Carlos.  

Foi na então nova estação de Lisboa que, em 1906, o malogrado Príncipe Real D. Luis Filipe, na condição de regente do Reino,  esperou os monarcas de regresso da sua bem sucedida viagem à Espanha de Afonso XIII.

De regresso ao Café Gelo. É um espaço agradável, moderno, com vidros amplos  para o exterior. As  paredes são claras, envoltas com lambrís em mármore escuro. Os candeeiros são em forma quadrangular, cobertos num revestimento branco, conferindo um toque de irreverência ao local. O atendimento é rápido e eficiente. À primeira vista, nada diria que este café teria tanto para contar. Digo à primeira vista porque, numa feliz conjugação entre o passado e o futuro, são várias as pistas que nos levam a concluir que aquele não é um café como os outros.

 

Como referi, estas paredes não deixam de evocar a história que este espaço carrega. Com duas entradas, para o Rossio  e  para a actual  Rua 1º de Dezembro (antiga Rua do Príncipe)  tenho à minha direita várias fotografias do café ao longos do tempo. Começa com uma imagem do início do século XX, contemporâneo da conspiração dos carbonários, continuando com imagens de 1961, quando várias personalidades pertencentes ao movimento modernista frequentavam este local, entre os quais Mário Cesarini,  e  finalmente em 2007, provavelmente por altura da remodelação que deu origem à sua configuração actual.

Atrás de mim, a maior gravura. Compreensivelmente, alusiva ao regicídio. Não se conhecem fotografias do atentado. A razão é simples, os fotografos já se tinham dirigido para o Palácio das Necessidades, local previsto da chegada da comitiva. A última tirada aos monarcas é da autoria de Joshua Benoliel à saída do cais das colunas. Nela se pode ver o rosto apreensivo de D. Carlos e de  Dª Amélia, conscientes do clima conspirativo que os aguardava. O Rei recusou o automóvel que João Franco colocou à sua disposição, preferindo a carruagem aberta, para dar um sinal de normalidade.

O ambiente estava tenso, a revolução de 28 de Janeiro, conhecida como a Revolta da Biblioteca, tinha sido gorada e o desespero era grande entre os conspiradores. O decreto a autorizar o degredo para as colónias, assinado pelo Rei em Vila Viçosa, ainda por cima na data da primeira revolução republicana no Porto (31 de janeiro) foi a pedra de toque para a urdidura.

Em frente do balcão corrido em inox, fotografias de várias personalidades, passando pelo própro Rei D. Carlos, Afonso Costa e Mario Cesarini, para citar apenas alguns. Na porta de acesso ao Rossio, uma grande placa expõe, sumariamente, a história do café, evocando o regicídio, bem como o movimento de contestação ao regime de Salazar.   

publicado por Rui Romão às 18:29
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