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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

O Dia do Regicídio - 100 Anos depois (Parte II)

 16:30 – Em Direcção ao Terreiro do Paço.

Saio do café gelo e dirijo-me para o local do crime.  Passo pela Rua 1º de Dezembro em direccção à  Rua do Ouro. Aí, observo um motociclista que passa com a Bandeira Azul e Branca. É sexta-feira e o trânsito está intenso. Chegado ao Terreiro do Paço deparo-me com uma faixa negra, claramente anarquista, colocada na estátua de D. José, com a inscrição Amo-te. Não sei se se consideram filhos da carbonária, no entanto têm tanto direito a expressar as suas ideias, mesmo que sejam idiotices, como qualquer outro grupo.  

São 17 horas. A este hora, há cem anos atrás, o vapor D. Luis já estaria a beijar o Cais das Colunas, com a família Real e toda a comitiva a bordo. O Rei regressava do seu retiro calipolense, onde tinha permanecido durante todo o mês de Janeiro. D Manuel refere na sua descrição do regicídio que o monarca tinha expressado o seu desejo inexorável de regressar à Capital nos seguintes termos  “só se quebrar uma perna é que não regressarei a Lisboa no dia 1 de Fevereiro”. Antes tivesse quebrado e poupar-nos-ia a esta tragédia.   Nesse mesmo dia, a comitida tinha ficado retida em Casa Branca devido a um descarrilamento. De resto, seria este acontecimento que o Príncipe D. Luis Filipe relatava a D. Manuel quando se deu início ao atentado.

100 anos depois, também experimentei a sensação de cruzar o Tejo, do Barreiro ao Terreiro do Paço. Não num vapor, mas a bordo de um moderno catamarã. Foi de manhã, mas não desembarquei no Cais das Colunas, então proscrito, oxalá que por pouco tempo.

D. Manuel tinha antecipado o regresso, por forma a poder preparar a sua entrada  na Escola Naval. Para além do Infante D. Manuel, a família real era esperada no Cais das Colunas pelo Presidente do Conselho, João Franco, pelo Duque do Porto e irmão do Rei, o “motorizado” D. Afonso Henriques, bem como por vários membros da corte.

O momento do desembarque do monarcas ficou imortalizado pela “chapa” de Joshua Benoliel. À saída do vapor D. Luis, foi oferecido um ramo de rosas à Rainha, que viria a servir de arma contra os regicídas. À saída do Cais das Colunas, D. Carlos troca umas breves palavras com João Franco, ficando combinada uma reunião mais detalhada no Palácio das Necessidades. João Franco tinha colocado à disposição do Rei um automóvel, oferta recusada imediatamente. Chegados ao landau,  El Rei mandou recolher a capota, que então cobria a carruagem. Era um Sábado solarengo, e o Rei queria mostrar a todos que não se escondia. “As minhas pistolas estão sempre carregadas” retorquia.

As 17:15 tiveram início as cerimónias. O local do fatídico atentado primava pela discrição. Uma tarja alusiva à Comissão D. Carlos 100 suspensa entre duas colunas no lado ocidental do Terreiro do Paço e uns suportes publicitários com imagens do Rei, sob o título “Um Rei Constitucional”. Na esquina com a Rua do Arsenal, onde Bento Caparica, o cocheiro real, conduziu a carruagem desgovernada no meio da chuva de balas, algumas centenas de pessoas vão-se aglomerando para assitir à cerimónia. Identifico 3 elementos da banda do Colégio Militar, instituição  de que  o Rei e o Príncipe Real  foram comandantes de batalhão  honorários. Neste momento não posso deixar de lamentar a proibição do ministro da Defesa, Severiano Teixeira, à última hora, da participação da Banda do Exército nas cerimónias.  Para além do aparato das televisões e dos reporteres, identifico Gonçalo Ribeiro Telles, Rui Carp, Miguel Sousa Tavares e Miguel Horta e Costa, este último na condição de membro da Comissão D. Carlos 100 anos.

A chegada do Duque de Bragança foi bastante aplaudida, onde não faltou o “viva o Rei”, no entanto D. Duarte não proferiu nenhum discurso. A sua participação  revestiu-se de maior simbolismo no momento da colocação de uma coroa de flores, em parceria com o seu filho Afonso, Príncipe da Beira, por debaixo da lápide alusiva ao regicídio.

A presente lápide foi inaugurada por ocasião do 98º aniversário do atentado, às expensas da Real Associação de Lisboa. Muitos anos antes, quando Portugal era ainda um reino, existiu um homem que se bateu, praticamente sozinho, pela colocação de uma placa evocativa desta trágica efeméride. Esse homem foi Bernardo Pinheiro Correia de Mello, Conde de Arnoso, uma das figuras de maior destaque no meio intelectual português do final do século XIX. Amigo de Eça, a quem lhe trouxe uma “Cabaia” numa viagem oficial que fez à China -  que podemos apreciar na Fundação Eça de Queirós, na sua “Tormes” -  fez parte de um grupo de jovens intelectuais do seu tempo, onde figuravam alguns republicanos como Guerra Junqueiro, os auto-designados “Vencidos da Vida”. Foi igualmente, em conjunto com Ramalho Ortigão, o maior dinamizador da construção da estátua do romancista, onde ainda hoje se encontra uma réplica, no Largo Barão de Quintela. A sua insistência na defesa da colocação da lápide evocativa do regicídio grangeou-lhe, nos meios republicanos, a alcunha de “Conde da Lápide”.

Às 17:20 o landau inicia a sua marcha.

  

publicado por Rui Romão às 11:50
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