. Pela Raia Alentejana

.arquivos

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Outubro 2007

. Agosto 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Outubro 2006

. Agosto 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

.contador

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Pela Raia Alentejana

Estive neste últimos dias no Alentejo. Mais precisamente na raia alentejana. Passei pelo que resta dos campos de trigo do antigo "celeiro de Portugal" (uma das poucas medidas de inspiração fascista de Salazar), passei pelas videiras que continuam a dar-nos dos melhores vinhos e, sobretudo, cruzei-me com as populações que teimam em não se deixar vencer pelo isolamento.

O Alentejo, com a sua grande área (maior do que muitos países), é muito heterogéneo, pelo que não podemos generalizar. No entanto, ao passar pelos montes alentejanos, junto à raia, não deixa de ser confrangedor ver o estado de abandono em que muitos se encontram. Mesmo nas maiores cidades alentejanas é notória a pouca capacidade de atracção relativamente aos jovens, não importando sequer a sua qualificação. Talvez  Évora seja a única excepção à regra, muito por culpa da presença da população estudantil.

Em Serpa assisti à recriação de uma feira medieval, onde não faltou El Rei D. Dinis, em animadas disputas fronteiriças com os nossos vizinhos castelhanos. Não faltaram igualmente referências às matrizes culturais, partindo da nossa raiz judaico-cristã, passando pela ocupação islâmica e pelos traços que ficaram da conjugação desse encontro ecuménico. A muralha que cerca a vila é a melhor prova das disputas que ao longo dos séculos tiveram as populações que suportar. Salta-me à vista, na entrada de uma das portas da muralha, a existência de um enorme bloco de pedra tombado (uma antiga torre), que segundo me informei seria uma sequela da guerra de sucessão de Espanha, quando a vila esteve sob o domínio espanhol. Nada de extraordinário, sabendo que Madrid foi ocupada pelas tropas comandadas pelo Marquês de Minas, na sequências das pretensões de D. Pedro II,  Rei de Portugal, ao trono espanhol.

Tive ainda oportunidade de fazer uma breve visita a Vila Nova de São Bento, que foi a maior aldeia portuguesa até ascender, em 1988, à condição de vila. Era um lugar que já tinha visitado anteriormente, embora nunca me tenha informado sobre a sua história.

Pelo que apurei, a aldeia era parte integrante dos domínios do mestrado de Aviz, e nasceu da fusão de populações de duas aldeias (Cabeço de Vaqueiros e Fonte do Canto), na sequência das Guerras de Restauração. Naquele lugar existia uma concentração das forças portuguesas, que combatiam os espanhois que entravam por Arroche e Paymogo, o que terá levado à deslocação das populações das aldeias vizinhas por aí se sentirem mais seguras. Após a contenda (a nosso favor) decidiram erguer as suas casas na nova aldeia, e abandonar as suas antigas casas.

Pelo que me foi possível verificar, esta teoria parece-me bastante plausível. Em primeiro lugar pelo culto de Nossa Senhora da Conceição, patente na frontaria da Igreja,  padroeira de Portugal e a quem D. João IV ofereceu a coroa como agradecimento pela vitória na guerra de 1640-68. Desde aí, nunca mais nenhum monarca português usou a coroa. As cerimónias de entronização deixaram de se designar por coroação, e passaram a chamar-se aclamação. A coroa estava presente, mas o Rei ou Rainha não a usava, pois ela não lhe pertencia.

Em segundo lugar, o plano rectilíneo e de traça muito semelhante das habitações indicia que o seu núcleo basilar foi construído de raíz.

Em último lugar, o próprio nome. O culto beneditino era professado pela ordem de Avis, sucedânea da espanhola Ordem de Calatrava. A atribuição do nome de São Bento à nova aldeia não é, portanto, de admirar, nem tão pouco ser designada por "nova".

Alentejo, que Futuro? Este podia ser o tema de uma elaborada e complexa investigação. No entanto, empiricamente, parece-me que a estremadura espanhola podia constituir um bom "benchmark". Dada a extensão dos terrenos e a riqueza dos seus produtos regionais,  as actividades primárias terão sempre o seu peso. Contudo, o futuro do Alentejo só pode passar pelo turismo. Tem todas as condições, só falta a iniciativa. Com a quantidade de casas abandonadas que poderão ser convertidas em unidades de turismo de habitação ou de turismo em espaço rural, com as paisagens magníficas que só esta província nos proporciona, a sua cultura, a gastronomia, os bons vinhos e, mais importante que tudo, um povo hospitaleiro que sabe receber quem o visita. 

 

 

 

publicado por Rui Romão às 20:00
link do post | comentar | favorito
|

.D. Afonso Henriques


.

.pesquisar

 

.Setembro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.tags

. todas as tags

.contador

.contador

blogs SAPO

.subscrever feeds