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Sábado, 23 de Março de 2013

O Herói dos Heróis

Não tivesse como rotina, principalmente às sextas-feiras, ir a Campo de Ourique buscar o meu filho à escola e, provavelmente, nunca me teria surgido a ideia de escrever este texto, apesar da plena consciência da reflexão que aqui aduzirei. Habitualmente passo pela Rua Coelho da Rocha, onde está sediada a Fundação Fernando Pessoa, última morada do escritor no reino dos vivos. Um pouco mais à frente, a umas escassas centenas de metros, fica a Igreja do Santo Condestável, a última morada de Nuno Alvares (no reino dos mortos).

Numa associação rápida realizei algo que até então me tinha passado em claro. A Casa Fernando Pessoa, criada para homenagear o grande poeta, apenas existe porque no século XIV existiu um herói que, contra a opinião dominante, ousou acreditar que era possível manter Portugal como um país livre e independente. Acreditou que conseguíamos, com a nossa força e tenacidade, vencer o arrogante castelhano que nos queria submeter. Foi este herói que abriu caminho para a Dinastia de Avis, obreira da expansão portuguesa, que nos elevou à condição de potência planetária, percursora da globalização. Foi sob o manto e a coroa de monarcas de Avis que explorámos a Costa de África e chegámos à Índia. Não satisfeitos, descobrimos e colonizámos o Brasil. Ninguém conseguiu exprimir esta obra de forma tão bela como Camões:

 

De África tem marítimos assentos

É na ásia mais que todas soberana

Na quarta parte nova os campos ara

E, se mais mundo houvera, lá chegara

 

Camões não sabia que existia Oceânia, mas também nesse continente deixámos um legado histórico. Hoje não oferece dúvidas que foram os portugueses, talvez Cristóvão de Mendonça, os primeiros ocidentais a pisar solo Australiano.

Fernando Pesssoa, tal como Camões, deve a sua glória (em ambos os casos póstuma) à singularidade de conseguirem criar uma obra em português, para falantes de português e com um poder político constituído por portugueses. Fossemos nós apenas uma região espanhola, mesmo que conservássemos uma língua própria, sempre subalterna face à língua franca que seria inevitavelmente o castelhano (como sucede nas regiões espanholas, como por exemplo na Catalunha), e nunca Camões e Fernando Pessoa teriam expressão. O primeiro porque a sua obra, profundamente nacionalista e encomiástica face à nação portuguesa, não teria fonte de inspiração se perdêssemos em Aljubarrota e não tivéssemos expansão. Não existiriam na galeria dos heróis homens como Afonso de Albuquerque, Duarte Pacheco ou Vasco da Gama – para não falar do próprio Nuno Alvares.

O segundo provavelmente não deixaria de ser um grande poeta mas em língua inglesa, não estivesse o seu inegável talento já plasmado nos seus poemas de juventude, escritos na língua de Shakespeare, idioma que dominava completamente devido à sua estadia na África do Sul.

 

Seria injusto evocar apenas a obra épica no legado dos nossos dois maiores poetas. Na lírica camoniana a Canção X, profundamente autobiográfica, seria uma obra-prima em qualquer língua, embora o seu interesse seja concitado principalmente pela tentativa de compreender melhor o poeta, cuja passagem pelo mundo foi bastante parca em documentos.

Pessoa deixou-nos uma arca com milhares de páginas, cujo alcance ainda demorará muitas décadas a apurar. Bastaria evocar o verso de Ricardo Reis, que adoptei como autêntico lema de vida - “Para ser grande, sê inteiro” – para exemplificar o alcance da sua obra. 

         

Não é só Pessoa e Camões que devem a sua obra a homens da gesta de Nuno Alvares. Somos todos nós, que temos esta dívida pelo herói dos heróis portugueses. É a importância deste legado que não me cansarei de evocar ao longo da vida. 

publicado por Rui Romão às 18:40
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Sábado, 12 de Novembro de 2011

Cavaleiros Andantes - O Dom Quixote Português

 

Estou neste momento a empreender uma tarefa quixotesca. Não se trata de nenhuma façanha que fique registada na história pelo seu denodo ou pelas suas consequências futuras. Trata-se, apenas, da leitura da obra prima de Cervantes - Don Quixote de la Mancha. É um livro extraordinário que me prendeu desde a primeira página até àquela em que me encontro (perto da 1000), e que, em jeito de síntese, poderia dizer que é o maior monumento jamais erguido ao paradoxo razão/coração. Um Sancho Pança mais terra-a-terra, ingénuo, interesseiro por obter a ilha ou condado que o seu senhor lhe prometeu e um Don Quixote animado pelos romances de cavalaria, que lera toda a vida, apostado em manter a tradição (já descabida em pleno século XVII) da cavalaria andante, num complexo jogo entre a ficção e a realidade que sustenta os seus delírios e lhe turva o entendimento e a lucidez. A obra é composta por duas partes, e não deixa de ser curioso que a segunda é bastante diferentes da primeira, o que pode ser justificado pelos 10 anos que medearam entre a publicação dos dois tomos. A segunda parte mostra-nos um Sancho Pança mais esclarecido e com outros recursos linguísticos que contrastam com a linguagem despojada e simples da fase inicial da obra. As referências a Portugal são inúmeras mas destaco a passagem onde o autor faz referência às sete partidas do Infante D. Pedro, aquele que morreu ingloriamente às portas de Lisboa, no sítio de Alfarrobeira, em disputa com seu sobrinho D. Afonso V.

Mas não foi com o intuito de falar de Dom Quixote que me decidi a escrever este texto. O motivo é outro. Cervantes publicou o primeiro volume em 1605, mas 33 anos antes um português escreveu uma obra onde conta, de uma forma prolixa, a vida de um cavaleio andante português e que existiu na realidade, ao contrário da ficção de Cervantes. O autor foi Camões, a obra "Os Lusíadas" e o cavaleiro andante era D. Alvaro Gonçalves Coutinho, mais conhecido como "o Magriço".

O feito do "Magriço" conta-se em poucas linhas. Em Inglaterra consta que umas senhoras foram ofendidas por uns cortesãos e que não havia quem quisesse desagravar a ofensa em terras de Sua Magestade... Assim, o Duque de Lencastre, João de Gant, pai da rainha D. Filipa de Lencastre (mulher de D. João I), pediu ao genro que lhe indicasse uns cavaleiros que pudessem, em duelo, reparar a ofensa que proferiram os seus compatriotas. D. João indicou-lhe 12 cavaleiros, onde incluiu  Alvaro Gonçalves de Coutinho, que se destacou pela bravura que evidenciou nesse torneio em que os portugueses sairam vencedores.

Por muito caricato que possa ser o episódio, ninguém diria que Camões o pudesse incluir nos Lusíadas. Trata-se de um evento perfeitamente acessório e sem qualquer importância para a História de Portugal, mas Camões não só o incluiu como lhe deu um destaque enorme. O episódio dos 12 de Inglaterra é relatado ao longo de 28 estrofes (VI 42-69), mais 10 do que, imagine-se, o drama de Inês de Castro (III 118-135)! O que terá levado Camões a tamanho exagero?

Camões não fazia nada ao acaso. Da mesma forma que começa por relatar o episódio de Inês de Castro (III 119) aludindo aos saudosos campos de Mondego (que seriam saudosos para si, ou não fora o rio que testemunhara o seu amor adúltero com  Violante, Condessa de Linhares) também existe uma razão pessoal para destacar este feito dos 12 de Inglaterra. Camões esteve na Índia portuguesa onde gozou da protecção do Conde de Redondo, D. Francisco Coutinho. Diga-se que o seu antecessor, Dom Constantino de Bragança, também livrou Camões da prisão, pelo que também costuma ser incluído no grupo de "protectores". O Conde de Redondo faleceu em 1564 e como tal nunca tomou conhecimento das façanhas do seu antepassado pela lavra de Camões. No entanto, tudo leva a crer que o objectivo da inclusão dos 12 de Inglaterra em "Os Lusíadas" fosse prestar homenagem ao Conde de Redondo, como ja o tinha feito em vida do conde com uma ode, naquela que foi a primeira obra de Camões impressa (pela mão de Garcia da Horta).

Este episódio foi recuperado em 1966 para apelidar a selecção portuguesa de futebol que nesse ano disputou o campeonato do mundo em Inglaterra, onde alcançando a melhor posição de sempre (3º lugar).

 

 

publicado por Rui Romão às 19:12
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Sábado, 23 de Agosto de 2008

O Legado Português e os Portugueses

Há vários anos que me interrogo acerca do motivo pelo qual não existe no nosso país um espaço dedicado às principais marcas que o povo português legou à humanidade:

-A língua portuguesa

-Os descobrimentos marítimos

 Se no caso da língua portuguesa, o Brasil se encarregou de legar à lusofonia o "Museu da Língua Portuguesa" (caso paradigmático), no que respeita aos descobrimentos não existe qualquer evocação dessa grande empresa que mudou indelevel e permanentemente a História da humanidade.

Se a ausência nas nossas ex-colónias  é normal e compreensível, por ser difícil fugir à glorificação do conquistador, não o será em território nacional. Volvidos mais de 500 anos do início desta epopeia, nunca se reuniu um espólio que pudesse contar não só às próximas gerações como aos turistas que nos visitam o maior feito da nossa História e um dos mais marcantes da História universal.

No que respeita a turismo, se a aposta passa por um turismo de qualidade, dirigido a um público com interesse cultural e geralmente com maior poder de compra, não sei como os agentes turísticos justificam esta pecha. Talvez o nosso turismo não tenha vocação para além do sol e praia, no entanto fica o lamento pelo discurso político incoerente.

Pessoalmente, devo fazer um "mea culpa" pelo pouco que tenho escrito sobre a presença portuguesa por esse "salso argento". Quando o fiz, fi-lo em termos pouco elogiosos para Vasco da Gama, o capitão dos mares da Índia (vide Vasco da Gama e Seus Mitos; 16-10-2006).

Consola-me a alma, saber que Camões fez o mesmo. Não raras vezes, o Grande Poeta, que ainda era familiar de Vasco da Gama, retratou o Capitão da armada portuguesa como um ingénuo, inábil e até timorato. Em II, 6, nos últimos dois versos, põe a descoberto a sua ingenuidade a propósito da cilada preparada pelo Rei de Mombaça, ao arrepio das fontes históricas:

 

Por onde o Capitão seguramente

Se fia da infiel e falsa gente 

 

Por seu turno, não poupa elogios a Duarte Pacheco Pereira, a quem chama de "Aquiles Lusitano", sublinhando as injustiças que sofreu ao longo da sua vida, nomeadamente um prémio (presumivelmente São Jorge da Mina) em que foi preterido face a Brás de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque, e arqui-inimigo de Camões (X, 24).

 

Isto fazem os Reis, quando embebidos

Numa aparência branda que os contenta;

Dão os Prémios, de Aiace merecidos,

À língua vâ de Ulisses fraudulenta.

Mas vingo-me: que os bens mal repartidos

Por quem só doces sombras apresenta,

Se não os dão a sábios cavaleiros,

Dão-os logo a avarentos lisonjeiros.

 

O grande arquitecto das descobertas, o Infante D. Henrique, não teve melhor sorte. Camões pouca atenção lhe dedica,  contabilizando-se apenas um verso no grande poema camoniano. Como sublinha António Cândido, nunca nenhuma lenda o envolveu numa esfera metafísica, que o transportasse para a galeria dos heróis, à semelhança de outros, cujos méritos não são comparáveis ao mais célebre membro da "Ínclita Geração". 

Não deixa de ser verdade que os coevos o descreveram como crudelíssimo, homossexual, venal e interesseiro. Também não será faltar à verdade dizer que não existem grandes façanhas que excitem o imaginário popular. Nunca participou em nenhuma batalha, nunca comandou uma armada, nunca cometeu nenhuma proeza heróica. Foi racional e, como nós sabemos,  os racionalistas nunca foram bem amados entre nós. 

 

Quanto à minha contribuição para a divulgação destes desígnios, cumpro-o, em parte, com este blog. Abordo questões da nossa História (embora nem sempre referente às descobertas) e escrevo em Português!   

publicado por Rui Romão às 17:28
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