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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

O Vencidismo

Ficheiro:Vencidos da Vida.jpg

 

"Dúzia e meia de ratões que, quando juntos, o que pretendem é jantar; depois de jantar, o que intentam é digerir; e a digestão finda, se alguma coisa ao longe miram, tanto pode ser um ideal, como um water-closet" 

 

Esta frase é da pena de Fialho de Almeida, na sua célebre obra "Os Gatos", onde destila todo o seu veneno sobre este grupo de intelectuais, que se juntaram ocasionalmente entre 1888 e 1891, que deram pelo nome de "Vencidos da Vida". Talvez este seu azedume se tenha ficado a dever a nunca ter sido convidado para integrar o mesmo, mas talvez esta opinião se aproxime bastante do que foram "Vencidos", ou seja um grupo informal, bacante, onde, no meio dos seus jantares generosamente servidos com champagne, se abordavam os problemas do país e do regime constitucional, sem o menor propósito de intervenção. Vivia-se no estertor da fase aurea da monarquia portuguesa-o fontismo- e o sistema rotativista começava a evidenciar sinais claros de desgaste, a que se juntava um enorme défice de ideias e um desinteresse pelo bem comum por parte da classe política. No governo e nas câmaras a mediocridade dos seus protagonistas era a matéria-prima para "O Conde de Abranhos" de Eça.  A sociedade era ultra-conservadora e mantinha-se arreigada a um catolismo castrador do progresso. O sistema de ensino passava ao lado dos progressos científicos e culturais do último quartel do século XIX. No fundo, o país andava a formar "Eusebiozinhos", para utilizar a célebre personagem queirosiana.

Foi perante este status quo que se começaram a formar correntes de opinião a denunciar este estado de coisas, sendo a iniciativa mais conhecida as conferências democráticas de casino lisbonense, interrompidas abruptamente por ordem do governo. Muitos viam a fonte de todos os problemas no regime monárquico, como era o caso de Antero, que chegou a apontar a monarquia e a Igreja Católica como a causa de decadência de Portugal e Espanha. Foi neste periodo que o Partido Republicano se organizou, sendo o centenário de Camões (1880) o momento capital para afirmação das ideias repúblicanas. Outros achavam que o problema não estava no regime monárquico, mas no sistema rotativista, onde progressistas e regenaradores se revezavam no governo através dos caciques locais e de acordos parlamentares baseados em interesses particulares. Foi esta corrente crítica que deu origem  à "Vida Nova" de Oliveira Martins, que mais tarde foi recuperada por João Franco para, sob a égide de D. Carlos, formar a Dissidência Regenaradora, que acabou no banho de sangue do Terreiro do paço.

É neste contexto que se inserem os Vencidos da Vida. Eram um grupo de dandies que jantavam uma vez por semana no "Bragança", e cujas reflexões, pelo prestígio dos seus membros, tinham uma enorme repercussão na sociedade de então. Tinham como orgão quase oficial o diário "O Tempo" cujo proprietário, Carlos Lobo de Ávila, ele próprio um vencido, onde eram escritos os artigos de opinião de vários "Vencidos", embora o fizessem sempre em nome individual.

Do conjunto de artigos, destacaria a réplica de Eça de Queirós à sátira que Bulhão Pato lhe dirigiu, por este se sentir retratado em "Os Maias", na figura do poeta "Tomás de Alencar". Bastaria este artigo para considerar o "vencidismo" um movimento de suma importância!  

publicado por Rui Romão às 08:30
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Domingo, 16 de Agosto de 2009

O Problema da Educação em " Os Maias"

 

Muito já se escreveu sobre a obra-prima queirosiana e certamente muito faltará por dizer, não fosse esta ainda uma obra actual. Já foi por demais escalpelizada a crítica à sociedade burguesa do seu tempo, às instituições que a regem e sobretudo aos costumes, numa espécie de fórmula que nos mantinha teimosamente reféns da mediocridade.

No entanto, na minha opinião, a principal crítica que é feita pelo autor à sociedade do seu tempo é à educação. Esta será  talvez a evidência mais credível da actualidade da obra de Eça.

O tema da educação está presente em todo o livro. Desde logo pelo percurso de vida do patriarca Afonso da Maia. Educado no seio de uma família conservadora, cedo aderiu aos ideais liberais, que haveriam de o conduzir ao exílio londrino após a subida ao trono de D. Miguel. Este percurso representa uma ruptura com a educação de matriz mais conservadora de seu pai, Caetano da Maia, e oferece ao leitor a visão da geração dos vintistas que fizeram a revolução liberal no nosso país. 

Em Pedro da Maia, Eça colocou o estereótipo do português educado de uma forma beata, à "antiga portuguesa", às expensas de sua mãe e da qual não se consegue afastar na vida adulta. É esta educação, que o fez fraco, pusilânime e sem personalidade, a causa da sua tragédia.

Eça hiperbolizou ainda mais esta fraqueza moral gerada pela educação portuguesa na figura de Eusébio Silveira ou simplemente Eusebiozinho. Beato, cuja educação teve por base a memorização de orações, sem qualquer formação de natureza prática ou higiénica, é a antítese de Carlos da Maia, com o qual cresceu nas oliveiras de Santa Olávia.

Educado por um preceptor inglês ( o Mr. Brown), Carlos da Maia teve uma educação completamente oposta à de Eusebiozinho. Ciência, ginástica e ausência de religião (para escândalo da conservadora sociedade de Stª Olávia) formaram um jovem robusto física e intelectualmente, com uma personalidade forte e uma vocação para as ciências exactas.

No entanto, apesar desta educação à inglesa, Carlos da Maia haverai de se "enterrar" no "lodaçal" do Chiado. A sua vida foi a de um diletante, com muitos projectos mas sem a capacidade de os pôr em prática, em parte devido à típica letargia nacional, ausência de método e incapacidade organizativa. Para reforçar esta posição, Eça criou uma outra personagem que representa o cúmulo deste diletantismo estéril que corroi a sociedade do seu tempo (a começar pelas elites). Eis João da Ega, qui ça o alter-ego hipotético de um Eça de Queirós que não tinha enveredado pela carreira diplomática.

Tal como Carlos da  Maia, embora se considerem muito modernos e naturalistas (no papel) na prática são tão ou mais românticos do que o ultra-romântico Tomás de Alencar (sem a genuinidade deste último). Alencar, personagem controversa porque Bulhão Pato se sentiu representado, era um poeta de um romântismo bacoco, um palrador mediocre, mas a quem Eça tira o chapeu pelo facto de ser genuíno, de fazer o que pensa, mesmo que o que pense seja algo de ultrapassado e de gosto duvidoso.   

Ou seja, para Eça não nos devemos limitar à cópia de modelos que vêm de fora, porque não se adaptam à realidade portuguesa. No fundo é esta mensagem que sustenta a analogia ao deprimento espectáculo do hipódromo de Belém, onde se tenta transpôr uma tradição inglesa só pelo facto de ser "chic a valer", Dâmaso Salcede dixit.

É a originalidade, ou a fala dela, gerada por uma educação que não prepara os jovens para os problemas que vão ter que enfrentar na vida adulta, nem os estimula para a inovação, a que se junta uma incapacidade endémica ao nível da organização e planeamento, que nos mantém neste marasmo civilizacional.

É pelo menos assim leio aquela que considero a melhor prosa portuguesa de todos os tempos. 

  

publicado por Rui Romão às 18:48
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Domingo, 24 de Agosto de 2008

Polémicas Literárias

Nos dias que correm já não é muito comum assistirmos a polémicas literárias como se viam há uns anos. A explicação, a meu ver, é simples. A febre do politicamente correcto. Em Portugal, como sublinhou um dia José Pacheco Pereira, não existem livros maus para a crítica. Ou seja, ninguém tem coragem de dizer que Saramago tem um grande problema com a gramática portuguesa, ou que Margarida Rebelo Pinto e Paulo Coelho escrevem bastante mal. 

Este código de conduta é visto como algo de sacrossanto, e quando alguém decide romper com o mainstream cai-lhe o "Carmo e a Trindade" em cima. Das poucas polémicas que me recordo nos últimos anos conta-se a crítica corrosiva de Vasco Pulido Valente a Miguel Sousa Tavares, a propósito do seu romance "Rio das Flores", que o historiador classifica como "literatura de supermercado". Ou a crítica do escritor angolano, José Eduardo Agualusa, a Agostinho Neto (ex-presidente da República e do MPLA) considerando-o um "poeta mediocre". Este reparo literário valeu-lhe criticas violentas, tendo sido acusado de denegrir uma das grandes referência do povo angolano.

Na segunda metade do século XIX, a crítica literária era um lugar-comum nas páginas dos periódicos. Eça de Queirós esteve envolvido em várias, das quais se contam inúmeras com Pinheiro Chagas, com quem manteve uma relação de conflitualidade ao longo da sua vida.

A sua fase mais fecunda teve-a enquanto principal figura de um grupo de reflexão criado por 11 intelectuais, com sensibilidades bem distintas, mas imbuídos de uma nova mentalidade progressista de influência francesa, e que acabou por desempenhar um papel importante no despertar para novos paradigmas de desenvolvimento material, social, político, cultural e económico. Foram os "Vencidos da Vida".

Este grupo "jantante" coleccionou vários detractores ao longo da sua existência. Fialho de Almeida, chamou-lhes " dúzia e meia de ratões..., que quando juntos, o que pretendem é jantar, depois de jantar, o que intentam é digerir; e a digestão finda, se alguma coisa ao longe miram, tanto pode ser um ideal como um water-closet.

Esta crítica não ficou sem réplica, pela pena "venenosa" de Eça de Queirós, nos seguintes termos "o que é...estranho não é o grupo dos Vencidos - o que é estranho é uma sociedade de tal modo constituída que no seu seio assume as proporções de um escândalo histórico o delírio de onze sujeitos que uma vez por semana se alimentam.

Diz-se que Fialho de Almeida se alimentava de um ressabiamento atroz por não ter sido incluído nos repastos semanais no restaurante do Hotel Bragança. Contudo, ao contrário do que insinua Eça na sua réplica, o grupo não se limitava  a jantar, tout court .

No entanto, a principal polémica que envolveu Eça de Queirós foi com o poeta Bulhão Pato, através do inevitável Pinheiro Chagas.

Pato sentiu-se retratado em "Os Maias" através de um poeta ultra-romântico, com apurado gosto pela culinária, de seu nome  Tomás de Alencar. Pinheiro Chagas deu a devida publicidade ao desconforto do autor da "Paquita", e da sátira que este escreveu como desagravo pelo insulto que Eça de Queirós pretensamente lhe dirigiu.

Eça, nas páginas do "Tempo", num artigo de 8 de Fevereiro de 1889, nega ter-se inspirado em Pato, usando do seu refinado sentido de humor para rebater a acusação que lhe foi movida. Transcrevo o excerto  mais sumarento do artigo:

 

"Ora Tomás de Alencar tem defeitos e qualidades, separados e alternados, que vão desde a carraspana até ao cavalheirismo. Em quais das virtudes ou vícios se reconheceu o poeta da "Paquita"?

Se foi nas virtudes, então aqui vemos um homem que solenemente se adianta, cercado dos seus amigos, e exclama para o público, com a fronte alçada:-"Apareceu aí um romance em que há um tipo de poeta, que tem lealdade, generosidade, uma honradez perfeita!...Ora com tão esplêndidas qualidades só eu existo em Portugal. Esse poeta, portanto, sou eu!

Neste caso, nunca nas idades modernas se terá visto um tão burlesco exemplo de pedantismo e farófia.

Mas se o sr. Bulhão Pato se reconheceu nos defeitos, então aqui temos um homem que, em meio dos seus amigos, se acerca do público, e declara com serenidade:- Apareceu aí um romance em que há um poeta que é um mediocre, um palrador, um farfante e um piteiro. Ora com tão pífias qualidades só eu existo em Portugal. Esse poeta, portanto, sou eu!

Neste caso, nunca no mundo se teria visto um tão doloroso exemplo de rebaixamento, de aviltamento próprio. "

 

Não acredito  que  Eça não tenha pensado, nem por um instante, em Bulhão Pato quando criou a personagem Tomás de Alencar, no entanto a genialidade da sua resposta deixa-me sem argumentos. É o privilégio dos grandes escritores.

 

 

 

publicado por Rui Romão às 18:25
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Domingo, 25 de Maio de 2008

O Meu Eça

 

A forma como interpretamos a realidade que nos rodeia depende de uma multiplicidade de factores, que podem ir desde as experiências que vamos  vivendo, as pessoas que vamos conhecendo, os locais que visitamos, os livros que lemos, as matérias que estudamos, o trabalho que executamos,etc.

Não esquecendo todas estas influência e outras que não caberiam neste texto, gostaria de sublinhar a importância dos livros. Esta importância não será dispicienda. Cedo, os governantes se aperceberam deste fenómeno, tomando como exemplo o índex de livros proibidos que acompanham todas as ditaduras ou, noutra latitude, a profusão de biografias de políticos nas vésperas de actos eleitorais.

No meu caso particular, o principal instrumento literário de interpretação da realidade é a obra de Eça de Queirós. Não falo apenas dos seus célebres romances, fala também das sua crónicas, as "Prosa Bárbaras, bem como o seu alter ego Fradique Mendes. Escritor brilhante, descreveu a sociedade do seu tempo com uma mestria inegualável, num registo prazeiroso e cativante que apenas a sua escrita me proporciona. Analisando de perto as personagens queirosianas, apercebemo-nos que, à parte do fuso cronológico e de todas as mudanças que lhe estão implícitas, continuamos a reviver actualmente com os mesmos erros que Eça identificou na sua época. Eles são inúmeros e vão desde o diletantismo mediocre, encarnado pelo conselheiro Acácio ou pelo João da Ega, até à hipocrisia do Clero, aduzida no "Crime do Padre Amaro", ou à mania das grandezas num registo provinciano, a fazer lembrar a passagem do Hipódromo de Belém nos "Maias" . 

Mais paradigmática é a associação que Eça faz a pessoas concrectas, como é o caso de Bulhão Pato. Nos Maias, Pato sentiu-se retratado na personagem Tomás de Alencar. Um ultra-romântico, bacoco, de verso estéril, que Eça satiriza até pelo seu talento para a culinária. Não deixa de ser curioso que um homem de letras, que toda a vida lutou pelo reconhecimento intelectual junto de seus pares, tenha ficado para a posterioridade à conta das sua célebres (e deliciosas) ameijoas à Bulhão Pato.

Se tivesse que apontar alguma injustiça à prosa queirosiana, não tomaria Bulhão Pato como exemplo. Escolheria antes as Mulheres e o Brasil. Sao as duas bêtes noires do romancista. A mulher é representada na sua venalidade, leviendade, ignorância, futilidade, sendo rara a personagem feminina que não incarne mais do que um destes "pecados". Creio que este complexo feminino se encontra relacionado com a ausência da figura materna. Filho de mãe incógnita!, foi criado pelos avós no Porto, tendo sido perfilhado por Carolina D'Eça pouco antes do seu casamento (Eça casou-se na casa dos 40 anos). Desconfio que Carolina D'Eça não seria sua mãe, tanto mais que a suposta mãe afirmou que a criança tinha nascido na Póvoa de Varzim, quando hoje se sabe que nasceu em Vila do Conde.

O segundo alvo predilecto de Eça era o Brasil (vide em "As Farpas" os artigos que dedicou ao Imperador D. Pedro II). Neste caso, penso que se tratava de uma atitude jactante, muito comum ao longo de século XIX, perante um país jovem que os portugueses ainda viam como uma espécie de "protectorado" luso.

Estes "ressabiamentos" queirosianos não obnubilam o papel importantíssimo que o autor teve na abertura de novas avenidas de pensamento e de mudança de mentalidades, tarefa que, volvido mais de um século, ainda não conseguimos concretizar.

Termino com uma blague, completamente verídica, que se passou na cerimónia de inauguração da estátua de Eça de Queirós no Largo Barão de Quintela, ao Cais do Sodré. O discurso ficou a cargo de Ramalho Ortigão, seu amigo de sempre, e contou com a presença de várias pessoas próximas do romancista. A estátua representa Eça a olhar para uma mulher despida, que representa a verdade nua e crua que o romancista sempre se esforçou por colocar em tudo o que escrevia. Quando perguntaram à sua antiga governanta a opinião acerca do monumento, esta respondeu que "o senhor estava muito parecido, mas a senhora... não sei como se deixou representar naqueles propósitos"!

publicado por Rui Romão às 15:00
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