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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

Na Igreja de Santos-o-Velho

Escrevo este post com especial carinho. Falar da Igreja/convento de Santos-o-Velho é falar da minha segunda casa. Naquele local guardo as mais tenras memórias de infância. Foi ali que os meus pais se casaram, onde fui baptizado, fiz a primeira comunhão, assisti à catequese, participei em peças de teatro, brinquei, joguei à bola, enfim foi o meu berço. Nasci e cresci na Av. 24 de Julho no nº60, num prédio amarelo fronteiro às escadinhas da praia. Subia todos os dias essas escadinhas a grande velocidade, fosse de manhã para ir à Missa à Igreja de Santos-o-Velho, ou à tarde para ir à escola, na Rua das Janelas Verdes (num edifício que está hoje numa triste ruína). Estava longe de imaginar a História que aquele templo cristão tinha para contar, cuja antiguidade remonta ao período romano.

A origem do topónimo remete-nos para o martírio de três crianças Veríssimo, Júlia e Máxima em 308, acusados e sentenciados pelo prefeito romano de seguirem a fé de cristo. Estávamos então no período anterior à conversão de Roma ao Cristianismo, reinava então o Imperador Diocleciano, último grande perseguidor dos cristãos. O martírio das crianças antecedeu por escassos anos o Édito de Milão de 311, que não só toleraria à fé cristã, como a reconheceria como a religião oficial, numa altura em que o cristianismo já era um fenómeno tão difundido no Império, que não podia mais ser combatido com a violência.

Data do período visigótico a erecção de uma pequena ermida em honra dos mártires, cujos corpos tinham sido resgatados naquela zona ribeirinha, embrião da actual Igreja/convento. Os Visigodos eram um povo cristão que se fixou na península após a queda de Roma, submetendo outros povos europeus – Alanos, Vândalos e Suevos - que aqui tinham chegado anteriormente, quando a desagregação do Império de Roma já era evidente.

A pequena ermida terá sido destruída durante o período de dominação islâmica, que teve o seu dealbar em 711 e duraria até 1147, ano em que Dom Afonso Henriques, apoiado pelos cruzados, tomaria Lisboa para a cristandade. Foi o nosso primeiro Rei que mandou reconstruir a pequena ermida mas com maior dignidade, ascendendo à categoria de Igreja. Ao seu filho, D. Sancho I, devemos a construção do convento, que haveria ao longo do tempo a ter diversas utilizações, e onde se passaram episódios de suma relevância para a História de Portugal. Não terei nesta exposição grandes preocupações do ponto de vista de exaustividade. Escrevo, como sempre, “ao sabor da pena”, de forma espontânea e sem auxiliares, socorrendo-me apenas da minha memória, com as vantagens e desvantagens que possa ter. Prefiro as vantagens, que se prendem com a maior espontaneidade e prazer da escrita, que seriam prejudicadas com as interrupções de discurso.

No convento, mandado edificar pelo nosso segundo Rei, funcionou a primeira sede da Ordem de Santiago em Portugal. Os Espatários eram monges-cavaleiros que tiveram um papel importante no processo de Reconquista, recebendo vastos domínios como recompensa pelos serviços prestados. A sede da Ordem funcionou em Santos-o-Velho até serem transferidos primeiro para Mértola, depois para Alcácer do Sal e, finalmente, para Palmela. Não se sabe ao certo a data da mudança, mas conhece-se a utilização posterior que foi dada ao edifício. Aqui foi instalada a Comenda Feminina da Ordem, constituída pelas mulheres e filhas dos freires, que por prerrogativa da Ordem tinham permissão para casar. Os cavaleiros de Santiago, principalmente no período de reconquista, viviam permanentemente em combate, pelo que a existência da Comenda era uma salvaguarda e um abrigo para as famílias dos cavaleiros. Para além das obrigações militares, as regras da Ordem proibiam a existência de contactos íntimos durante a quaresma e advento, pelo que a presença da família num local fácil de controlar também permitia garantir a observância desta regra.

Por este motivo esta comenda foi um albergue de pessoas ilustres, como por exemplo Filipa Moniz Perestrelo, mulher de Cristóvão Colombo, o descobridor das Américas, que chegou a Comendadeira da Ordem. Colombo nunca foi da Ordem de Santiago, mas o seu sogro, Bartolomeu Perestrelo (falecido muito antes do seu casamento) esteve ao serviço do Infante Dom João, que era Mestre da Ordem de Santiago. Por este motivo, a sua mulher e a sua filha terão vivido no Convento de Santos-o-Velho. No entanto, este descendente de italianos, mais tarde passou para a Ordem de Cristo, onde já estaria em 1419 (35 anos antes de nascer a sua filha Filipa), porque foi ao serviço do Infante Dom Henrique, Mestre da Ordem de Cristo, que lhe foi outorgado o título de descobridor da Ilha da Madeira. É evidente que nenhum dos 3 navegadores descobriram a Ilha, porque há muito ela estava descoberta. O que fizeram foi cumprir a ordem do Infante Dom Henrique para as povoarem e assim pôr cobro à cobiça castelhana.

Não sabemos as causas da mudança da casa do Infante D. João para a do Infante Dom Henrique, mas podemos dizer que Bartolomeu Perestrelo apostou no cavalo certo. O Infante Dom João foi o mais apagado da “ínclita geração de altos infantes” na designação da prole de D. João I e Dª Filipa de Lencastre de Camões. Este papel secundário é corroborado por Fernando Pessoa, que na “Mensagem” lhe dedica este poema, onde expõe a sua pequenez face aos seus irmãos:

 

Não fui alguém. Minha alma estava estreita
Entre tão grandes almas minhas pares,
Inutilmente eleita,
Virgemente parada;

Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita --
O todo, ou o seu nada.

 

Não sabemos a data da mudança, mas sabemos seguramente que quando Dº Filipa Moniz Perestrelo nasceu o seu pai permanecia ao serviço da Ordem de Cristo. Tal não a impediu de ser mais tarde comendadeira da Ordem de Santiago, provavelmente por não existir uma instituição congénere na Ordem de Cristo. Recordemos que o Infante Dom Henrique nunca casou, pelo que o seu sucessor foi o sobrinho, D. Fernando, Duque de Beja, que na tese portuguesa seria o pai de Cristóvão Colombo.

A comenda da Ordem de Santiago foi transferida para a zona oriental da cidade em 1490, estando o acto de transferência bem documentado pela pena de Garcia de Resende. O que não fica claro é o motivo da mudança. Oficialmente, aquilo que ficou lavrado nos documentos, justifica-se com base na melhoria das condições de vida das senhoras, em atenção à sua alta posição. No entanto, o novo local não apresentava melhores condições, bem pelo contrário, ficando a dúvida se a mudança não se devia apenas à vontade de D. João II ter uma casa de campo, naquilo que era, à data, um arrabalde de Lisboa. O Príncipe Perfeito não chegou a tomar posse do Convento da antiga comunidade feminina da Ordem de Santiago, que foi alugado a um homem muito influente, Fernão Lourenço, feitor da casa da Guiné, posto no qual acumulou uma imensa fortuna, investindo uma parte do seu erário na adaptação do convento à função palaciana. O emprazamento ou aluguer do Palácio, que se mantinha na posse da Comenda Feminina da Ordem de Santiago, reverteria para a coroa logo no reinado de Dom Manuel. Foi aqui, por exemplo, que se celebrou o casamento do “Venturoso” com Dª Isabel, filha dos Reis Católicos. Foi um casamento que anunciava um futuro grandioso para Portugal. A filha dos reis católicos já tinha sido casada com o Príncipe D. Afonso, filho de D. João II, cujo infortúnio haveria de lhe roubar a vida. O príncipe e herdeiro de todas as coroas ibéricas caiu do cavalo quando cavalgava na Ribeira de Santarém e esfumou-se assim o sonho de uma Ibéria unida sob o manto de um rei português.

Dom Manuel haveria de recuperar este plano, casando com a viúva do Príncipe, mas não teve melhor sorte. A rainha morre de parto de Dom Miguel da Paz, o tão ambicionado herdeiro, que sobrevive mas não chega à idade adulta. Ainda hoje pagamos o preço deste casamento ruinoso. Como contrapartida para os Reis Católicos aceitarem esta união, comprometemo-nos a expulsar os judeus. Isto, no ano em que Vasco da Gama chega à Índia e numa altura que precisávamos, mais do que nunca, de homens de negócios capazes de gerir aquele negócio lucrativo que tínhamos nas mãos mas que nunca soubemos potenciar.

Mas nem o “Venturoso”, e muito menos o filho e sucessor D. João III estiveram tão ligados ao palácio como o malogrado D. Sebastião.

O “Desejado” assina o epitáfio da época gloriosa dos descobrimentos henriquinos com a desastrosa aventura de Alcácer Quibir. Dom Sebastião gostava muito de estar neste palácio, tendo sido dali que partiu para a sua odisseia por terras africanas. Segundo uma tradição, foi numa mesa de pedra (que ainda hoje existe) que tomou a resolução de partir para a guerra. Terá sido mesmo na na Igreja de Santos - agora baptizada de Santos-o-Velho, com a transferência da Comenda Feminina da Ordem de santiago para a zona oriental (que ficou Santos-o-Novo) - que ouviu missa pela última vez em Portugal.

Com a morte de Dom Sebastião, o Convento regressa à sua função original, revertendo para a Ordem de Santiago, a sua posse efectiva. No entanto, viria mais tarde a ser mais vendida a uma família muito ilustre: a família  Lencastre, descendentes, por via bastarda, de D. João II. O palácio manteve-se na família até à Repúbica e por esta via, ao longo dos séculos, passaram por este local pessoas tão ilustres como Dona Filipa de Vilhena ou os Marqueses de Abrantes, cujo topónimo na rua do Paço empresta a devida homenagem à gesta de notáveis que por aqui gravitaram.

Já no século XX o palácio foi adquirido pelo Estado francês, onde ainda hoje funciona a Embaixada daquela república. Para usufruto de todos, resta a Igreja, sede da paróquia de Santos-o-Velho, que depois de uma reconstrução operada no final do século XIX, mantém a sua configuração como eu sempre a conheci.

Outras histórias ficaram por contar. Por exemplo foi em Santos-oVelho que se fixou o arraial de D. Juan, quando pôs cerco a Lisboa, embora não saiba se o monarca castelhano se instalou ou não no convento. E foi também nesta paróquia que se situou o célebre Aterro da Boavista, elevado aos píncaros do romantismo em Portugal pela prosa de Eça de Queirós.

No entanto não penso em nada disto quando ali estou. Para mim, Santos-o-Velho será sempre o lugar onde eu cresci e vivi uma infância muito feliz, do qual guardo ternas recordações que jamais esquecerei.

Feliz 2013

publicado por Rui Romão às 00:00
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

O Enigmático Cristóvão Colombo

Na História da Humanidade, o protagonismo de Colombo só é superado por, imagine-se, Jesus Cristo. É uma figura incontornável, que abriu ao mundo um novo continente, que é hoje a América, mudando completamente o paradigma eurocêntrico, vigente até então.

O facto de ser muito discutido não o torna mais conhecido. Paradoxalmente, a sua biografia está repleta de omissões e contradições que não permitem chegar a uma conclusão aceitável, pelo menos de uma forma abrangente, na comunidade científica. Começando pelo próprio nome - Cólon ou Colombo? Não existem dúvidas quanto à existência de um Colombo genovês. Da mesma forma que ninguém contesta a presença na Península Ibérica de um Cólon. O problema é determinar se se trata da mesma pessoa ou não. Tem sido este o ponto de partida para as teorias mais ou menos especulativas sobre a sua naturalidade. Há muito que é aceite a tese genovesa, mas a sua nacionalidade também é reivindicada por franceses, espanhóis e, mais recentemente, por nós próprios portugueses.

Comecemos pela História mais aceite. Colombo era um tecelão genovês, filho de um cardador de lãs, que embarcou num navio genovês mas que foi atacado pelos corsários ao largo da costa portuguesa, conseguindo o pobre tecelão chegar a nado a Lisboa em 1476. Aqui, na cidade do conhecimento, autêntico Silicon Valley do século XV, onde gravitavam os principais especialistas de tudo o que diz respeito a navegações, este tecelão analfabeto, aprendeu português, astronomia, cartografia e geografia, sendo rapidamente admitido na corte de D. João II. Em 3 anos consegue inclusivamente obter permissão deste monarca para casar com uma fidalga portuguesa, Filipa Moniz Perestrelo, Comendadeira da Ordem de Santiago, e filha do capitão donatário da Ilha de Porto Santo, Bartolomeu Perestrelo.

Do estudo que efectuou, teve a brilhante ideia de propor a D. João II a navegação para ocidente, sabendo que o monarca acalentava o sonho de chegar à Índia por via marítima, para assim controlar o negócio das especiarias. Como o Príncipe Perfeito não aceitou o seu projecto, mudou-se em 1484 para Espanha, ano em que Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, apresentando a mesma proposta aos Reis Católicos, que a patrocinaram. Assim, Cristóvão Colombo chega em 1492 às Antilhas, pensando que tinha chegado à Índia, território que foi reclamado imediatamente pela corte portuguesa e que, por conseguinte, obrigou a um novo acordo, firmado em 1494, que ficou conhecido por Tratado de Tordesilhas. Aceita-se também uma variante desta História, principalmente a partir de um documento que foi descoberto em 1904 por um coronel italiano, Hugo Asseretto, que nos indica que Colombo partiu de Génova para negociar Açúcar na Ilha da Madeira, sendo que, por essa via, estabelece-se em Lisboa.

Esta teoria do Colombo Genovês, humilde tecelão ou mercador, tem por base 3 documentos que o sustentam: A crónica de D. João II de Rui de Pina, que o menciona como genovês, o testamento - lido 72 anos após a sua morte - e o documento (só) encontrado por Asseretto em 1904 nos (muito) vasculhados arquivos de Génova.

Das 3 provas, apenas uma merece total credibilidade por parte dos investigadores. Rui de Pina é contemporâneo de Colombo e certamente o conheceu pessoalmente, pelo que é um obstáculo difícil de transpor do ponto de vista de atribuição de uma nacionalidade diferente da genovesa.

O testamento foi encontrado apenas 72 anos após a morte, com alguns erros de forma que levantam suspeitas de se tratar de uma falsificação. O principal é o facto de Colombo se dirigir ao filho e herdeiro dos Reis Católicos, que à data já tinha falecido. Por outro lado, o documento foi apresentado pelos genoveses que reclamavam a sua herança, pela mão de um falsário, anteriormente condenado por forjar documentos.

O documento Asseretto foi  apresentado em 1904 em Génova e também é contestado por se tratar de um documento que apenas foi encontrado no século XX nos arquivos de Génova, que serão, a seguir ao vaticano, os mais pesquisados do mundo. Porque motivo este documento não foi encontrado antes? Permanece a dúvida. Não será o documento uma arma do nacionalismo italiano, na ressaca da reunificação operada no último quartel do século XIX?

Independentemente dos documentos que sustentam a tese do Colombo genovês, existem factos que, no mínimo, tornam este caso bastante estranho. Segundo esta teoria, o plebeu Colombo (tecelão ou mercador, pouco importa) chega em 1476 a Lisboa, e logo em 1479 casa-se com uma fidalga portuguesa, da Ordem de Santiago, Filipa Moniz Perestrelo, filha do Capitão Donatário de Porto Santo (e um dos suposto descobridores do Arquipélago da Madeira) Bartolomeu Perestrelo, que carecia de permissão real para se casar. O mesmo plebeu tem logo acesso à corte do austero Dom João II. Não é muito crível que um plebeu, em tão pouco tempo, conseguisse tamanha ascensão social.

A teoria italiana também é rebatida por cronistas espanhóis que mencionam que Colombo (ou Colón) quando chegou à corte dos Reis católicos em 1484, informou-os que há 14 anos que tentava convencer o Rei D. João II a aceitar o projecto de chegar à Índia por ocidente. Ou seja, segundo esta tese, Colombo não chegou a Portugal em 1476, mas sim em 1470! De resto, esta ideia de Colombo não era propriamente original. Um italiano, mas este comprovadamente florentino, Paolo Toscanelli, já o tinha proposto a D. Afonso V, que não lhe deu grande importância. Na realidade, o “Africano”, apenas se preocupou com as conquistas norte-africanas e com a coroa de Castela. No seu reinado, a exploração da costa africana foi concedida a um mercador de nome Fernão Gomes, que não se poder considerar à altura do período henriquino que lhe antecedeu.

A somar a estes dados deduzidos do conhecimento da sociedade portuguesa de quinhentos, surgem novas pesquisas que não corroboram da tese da nacionalidade genovesa de Colombo. O corpo do Almirante, sepultado na Catedral de Sevilha, foi já no nosso século exumado, retirando-se amostras de ADN que foram analisadas nos EUA pela mesma equipa que esteve responsável pelos testes às vítimas do 11 de Setembro. Estas amostras de ADN foram comparadas com as das famílias que reclamam a sua descendência, nomeadamente genoveses, franceses e catalães, e o resultado das quase 500 amostras, foram todas negativas.

Por outro lado, foram analisados os textos que Colombo escreveu do seu punho, concluindo-se que não sabia falar (ou pelo menos escrever) em Italiano, e que o seu castelhano estava cheio de lusismos (ou na linguagem corrente, “portunhol”). Não deixa de ser estranho que um genovês não fale a sua própria língua, e que se exprima na língua da pátria de adopção de forma aportuguesada (e não italianizada). Infelizmente, não temos nenhum documento escrito por Colombo em Português.

O próprio sempre ocultou o seu passado. Poderá dizer-se que seria Judeu, o que seria um grande handicap, principalmente na Corte dos Reis católicos (os mesmos que obrigaram D. Manuel a expulsar os judeus de Portugal, caso quisesse casar com a sua filha Isabel), ou que queria esconder as suas origens humildes, quando já estava cheio de prestígio, depois da sua viagem de 1492/93. Não é pouco conhecida a tese de que seria um agente secreto de D. João II, que sabia perfeitamente que não tinha chegado à Índia, que tinha feito esta viagem com o intuito de afastar os castelhanos da rota do Cabo, a única que podia garantir a chegada por via marítima à Índia. É uma tese puramente especulativa, como especulativa é a tese do Colombo português. Não existe nenhum documento que nos diga que Colombo seria filho bastardo do Duque de Beja, Dom Fernando, filho de Dom Duarte adoptado pelo Infante Dom Henrique, e de Isabel Gonçalves Zarco. É uma teoria sedutora. Neste caso, seria irmão do Rei Dom Manuel I, e da Rainha Dona Leonor (criadora das Misericórdias) e primo e cunhado de D. João II e sobrinho de D. Afonso V.

Esta tese tem uma contrariedade, que na minha óptica é insuperável. Se Colombo fosse filho do Duque de Beja era um grande Fidalgo e jamais nenhum grande fidalgo enveredou pelas conquistas marítimas. Ir para uma viagem deste tipo significava passar por privações terríveis, desde fome, frio e o risco da própria vida, o que seria impensável para um fidalgo, mesmo por via bastarda. Os grandes descobridores, como Vasco da Gama, são geralmente escudeiros ou filhos segundos (no caso de Vasco da Gama ambas as situações), que viam nesta empresa a possibilidade de ascensão social. Não me parece verosímil que alguém tão fidalgo fosse embarcar nesta aventura.

Não tenho uma tese para defender, por muito que isso possa chatear os meus compatriotas. Acho que a tese genovesa e espanhola são frágeis, mas também não encontro sustentação para a portuguesa. O facto de Colombo ter atribuído nomes de terras alentejanas às ilhas das Antilhas, por si só não justifica nada.

Se calhar, o ideal é mesmo não atribuírem uma naturalidade ao Almirante. Colombo não tem nacionalidade, é um cidadão do mundo.      

publicado por Rui Romão às 08:39
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