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Domingo, 16 de Agosto de 2009

O Problema da Educação em " Os Maias"

 

Muito já se escreveu sobre a obra-prima queirosiana e certamente muito faltará por dizer, não fosse esta ainda uma obra actual. Já foi por demais escalpelizada a crítica à sociedade burguesa do seu tempo, às instituições que a regem e sobretudo aos costumes, numa espécie de fórmula que nos mantinha teimosamente reféns da mediocridade.

No entanto, na minha opinião, a principal crítica que é feita pelo autor à sociedade do seu tempo é à educação. Esta será  talvez a evidência mais credível da actualidade da obra de Eça.

O tema da educação está presente em todo o livro. Desde logo pelo percurso de vida do patriarca Afonso da Maia. Educado no seio de uma família conservadora, cedo aderiu aos ideais liberais, que haveriam de o conduzir ao exílio londrino após a subida ao trono de D. Miguel. Este percurso representa uma ruptura com a educação de matriz mais conservadora de seu pai, Caetano da Maia, e oferece ao leitor a visão da geração dos vintistas que fizeram a revolução liberal no nosso país. 

Em Pedro da Maia, Eça colocou o estereótipo do português educado de uma forma beata, à "antiga portuguesa", às expensas de sua mãe e da qual não se consegue afastar na vida adulta. É esta educação, que o fez fraco, pusilânime e sem personalidade, a causa da sua tragédia.

Eça hiperbolizou ainda mais esta fraqueza moral gerada pela educação portuguesa na figura de Eusébio Silveira ou simplemente Eusebiozinho. Beato, cuja educação teve por base a memorização de orações, sem qualquer formação de natureza prática ou higiénica, é a antítese de Carlos da Maia, com o qual cresceu nas oliveiras de Santa Olávia.

Educado por um preceptor inglês ( o Mr. Brown), Carlos da Maia teve uma educação completamente oposta à de Eusebiozinho. Ciência, ginástica e ausência de religião (para escândalo da conservadora sociedade de Stª Olávia) formaram um jovem robusto física e intelectualmente, com uma personalidade forte e uma vocação para as ciências exactas.

No entanto, apesar desta educação à inglesa, Carlos da Maia haverai de se "enterrar" no "lodaçal" do Chiado. A sua vida foi a de um diletante, com muitos projectos mas sem a capacidade de os pôr em prática, em parte devido à típica letargia nacional, ausência de método e incapacidade organizativa. Para reforçar esta posição, Eça criou uma outra personagem que representa o cúmulo deste diletantismo estéril que corroi a sociedade do seu tempo (a começar pelas elites). Eis João da Ega, qui ça o alter-ego hipotético de um Eça de Queirós que não tinha enveredado pela carreira diplomática.

Tal como Carlos da  Maia, embora se considerem muito modernos e naturalistas (no papel) na prática são tão ou mais românticos do que o ultra-romântico Tomás de Alencar (sem a genuinidade deste último). Alencar, personagem controversa porque Bulhão Pato se sentiu representado, era um poeta de um romântismo bacoco, um palrador mediocre, mas a quem Eça tira o chapeu pelo facto de ser genuíno, de fazer o que pensa, mesmo que o que pense seja algo de ultrapassado e de gosto duvidoso.   

Ou seja, para Eça não nos devemos limitar à cópia de modelos que vêm de fora, porque não se adaptam à realidade portuguesa. No fundo é esta mensagem que sustenta a analogia ao deprimento espectáculo do hipódromo de Belém, onde se tenta transpôr uma tradição inglesa só pelo facto de ser "chic a valer", Dâmaso Salcede dixit.

É a originalidade, ou a fala dela, gerada por uma educação que não prepara os jovens para os problemas que vão ter que enfrentar na vida adulta, nem os estimula para a inovação, a que se junta uma incapacidade endémica ao nível da organização e planeamento, que nos mantém neste marasmo civilizacional.

É pelo menos assim leio aquela que considero a melhor prosa portuguesa de todos os tempos. 

  

publicado por Rui Romão às 18:48
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

Deste Castelo Onde Escrevo

 

 

 

Escrevo  este post no Castelo de Palmela. Confesso que tinha em mente escrever sobre um de dois temas: ou sobre a escravatura ou sobre os portugueses no oriente. No entanto, perante este cenário magnífico, decidi que estes assuntos  ficariam para outra oportunidade. 

Olho para este monumento, forjado num outeiro acidentado com uma vista deslumbrante até Lisboa, e a minha pulsão é falar do cerco de Lisboa de 1384 e dos sinais de encorajamento que daqui foram emitidos pelo então fronteiro-mor do Alentejo, D. Nuno Álvares Pereira.

Apetece-me falar da Ordem de Santiago, cuja cabeça se situou aqui até à abolição das ordens religiosas. Por curiosidade, ainda hoje o chefe de Estado, como grão-mestre das ordens honoríficas portuguesas, ostenta a banda das três ordens no seu traje de gala. Erroneamente, pensa-se que a ligação ao verde e vermelho provém da bandeira da república. No entanto, ela já foi usada pelos reis de Portugal, conhecendo-se retratos ou fotografias de vários deles, começando por D. Maria I e acabando em D. Manuel II.

Quanto ao seu significado, a lista vermelha representa a Ordem de Cristo, a verde a de Aviz e a púrpura a de Santiago.

Voltando ao castelo, à sua ilharga situava-se o antigo convento, actualmente trasformado numa pousada histórica, integrando num conjunto museológico bem organizado, abrangendo um período histórico anterior ao cristianismo, com vários núcleos arqueológicos.

Foi neste castelo que nasceu e cresceu o conhecido africanista Hermenegildo Capelo.  Seu pai era governador do castelo e desde cedo, porventura por influência do legado da ordem de Santiago, interessou-se pelas possessões ultramarinas portuguesas, fazendo parte da geração de portugueses que começaram a olhar para África como o novo Brasil. Foi o espirito da época que forjou o estilo arquitectónico neo-manuelino (cujos símbolos máximos foram a Estação do Rossio e o Palácio do Buçaco), a criação da Sociedade de Geografia (os "protegidos" nas palavras de João da Ega) e a exploração do interior do continente africano, porque até então os portugueses apenas conheciam a costa. Para este novo impulso colonizador muito contribui a ordem internacional que se desenhava, com as potências europeias que não tinham até então constituido um império a cobiçar as colónias alheias, como seria o caso da Alemanha, Itália, ou mesmo da Bélgica.

Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens cruzaram África de Angola à contra-costa, numa viagem que serviu de inspiração ao esboço do célebre mapa côr de rosa e do consequente ultimato inglês, que haveria de marcar o início do reinado de D. Carlos.

Estando no Castelo de Palmela, não podia deixar de mencionar um acontecimento menos agradável da nossa História e cujo protagonista foi alguém que tanto admiro, como é possível constatar no post anterior. Refiro-me a D. João II. Na sua luta sem quartel pela restauração do poder da coroa, desbaratado por seu pai, o pusilânime D. Afonso V, o Príncipe Perfeito lutou contra o poder desmesurados que a fidalguia detinha, acumulado graças à generosidade de seu pai. Atribui-se a D. João II a frase "o meu pai só me deixou as estradas do reino para governar", que se não for verídica pode-lo-ia ter sido porque sintetiza na perfeição a política do "Africano".

Reforçar o poder real implicava retira-lo à alta nobreza, e esta, como seria de esperar, reagiu prontamente.

D. João II teve suspeitas, aparentemente fundamentadas, de uma conspiração que tinha sido urdida para o asassinar e passou ao contra-ataque. O episódio mais conhecido foi a morte à machadada do Duque de Bragança, D. Fernando II, na Praça do Giraldo, em Évora. Mas o "tiro de partida" deste confronto teve lugar aqui em Palmela, onde se encontrava D. Diogo, Duque de Viseu, cunhado e primo direito do monarca. D. João II estava em Setúbal e mandou chamar D. Diogo. Na presença do Rei, foi acusado de participar na conjura, que este negou até ao fim, mas não terá sido suficiente eloquente, porquanto o Rei fez justiça pelas suas próprias mãos, matando-o à punhalada.

Não podemos rescrever a história. Ela é o que é, com as suas glórias e as suas misérias, mas existe sempre espaço para esse lugar desconhecido que é a mente e a motivação que leva os homens a determinadas acções. É por isso que é tão difícil julgar de que lado estava a razão.   

publicado por Rui Romão às 18:48
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