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Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

A Revolta do Copo de Três

 

 

Ontem, como hoje, é comum falar-se de um grande desfazamento entre as elites governantes e o chamado povo anónimo que se tem que submeter a realidades que lhe são impostas, e não raras vezes, completamente hostis. A História de Portugal encontra-se repleta destes exemplos. Na maior parte das vezes, geram-se convulsões socias por questões anodinas, consideradas mesmo insignificantes por quem governa, mas que são de extrema relevância para quem se confronta com uma situação que lhe é adversa.

Interpreto esta disfunção à luz da relação entre a Ideia e a matéria. A ideia Hegueliana, que desce à terra para transformar o mundo, confronta-se com a revolução coperniciana de Marx, que vem da terra e das relações sociais que se materializam através da vontade dos Homens para gerar a ideia. São dois paradigmas que marcaram o último quartel do século XIX e que penso ajudam a explicar a diferente visão do mundo consoante se esteja no Terreiro do Paço ou nos socalcos do Douro.

Vem esta questão a propósito da revolução sangrenta que se deu no Porto em 1757 contra a decisão do Marquês de Pombal de proibir a venda de vinho a "avulso". Foi um motim que originou centenas de feridos e algumas dezenas de condenações à morte, próprias de alguém que não olhou a meios para afirmar a autoridade do Estado.

A intenção do Marquês era bondosa. Evitar a degradação da qualidade do vinho do Porto, numa época em que era corrente a prática de toda a espécie de manigâncias sobre este importante produto. O vinho do Porto era uma das principais fontes de entradas de divisas no país, desenvolvendo-se extraordinariamente o seu comércio após a assinatura do tratado de Methuen. Este tratado conferia condições preferencias de acesso ao mercado britânico face aos vinhos provenientes de uma França Colbertista, em troca de uma maior abertura à entrada de lanifícios britânicos. Com a criação da Real Companhia, o estado assumiu o Monopólio do comércio do Vinho do Porto e assim passou a controlar todo o seu circuíto comercial, inclusivamente nos locais de consumo habituais -as tavernas.

Eis um exemplo de uma realidade que parece insignificante à luz do poder - beber um copo de vinho numa taverna - mas que para o povo era algo considerado imprescindível. Tão importante como enterrar os mortos nos adros das igrejas, geradora, a par do descontentamento face aos Cabrais, da Maria da Fonte.

Quando as elites não conseguem compreender a vontade popular dificilmente conseguirão mudar o que quer que seja. A reforma é preferível à revolução, pelo que para reformar é necessário compreender as perspectivas diferentes. As grandes transformações geralmente são concebidas por conservadores, porque são mais adeptos do gradualismo (modelo inglês) por oposição ao modelo revolucionário (francês), onde a lógica é destruir tudo para voltar a construir tudo de novo.

O resultado da política de Pombal ou do Costa Cabral poderia ser o mesmo, agora os meios podiam ter sido outros sem prejuízo dos fins. Ontem, como hoje.

publicado por Rui Romão às 22:00
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