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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

A Tragédia da Rua das Flores

 

Ao ler-se este título, pensar-se-á que me vou espraiar profusamente sobre a obra homónima que Eça terá escrito no final da década de 70 do século XIX, mas que só viu a luz do dia há pouco mais de 30 anos. Tratou-se talvez de um ensaio para "Os Maias", onde Eça retrata um caso de incesto, mas em vez de dois irmãos, relata esta relação proibida (e também involuntária) entre mãe (Genoveva) e o seu filho (Victor), que a primeira tinha abandonado quando tinha 23 anos (o afastamento familiar é recorrente na sua obra, não tivesse ele também sido afastado da sua família). Eça não quis fazer desta obra um grande romance, feito que haveria de almejar com a publicação da sua obra-prima, mas a obra não deixa de ser interessante, pela rudeza da linguagem e pela maior violência no trato, registo que optaria por não seguir em "Os Maias".

Dizia eu que não me ia alongar e já lá vão umas linhas, mas a obra de Eça é tão cativante que é quase impossível resistir ao seu talento. A "Tragédia da Rua das Flores" terá sido escrita por volta 1877, e não sei se o título terá ficado a dever-se a uma tragédia que ocorreu efectivamente nessa conhecida rua do Bairro Alto, em que o seu amigo Ramalho Ortigão foi um dos protagonistas.

A tragédia foi o assassinato de Claudina Guimarães, filha de um rico emigrante português no Brasil, às mãos do seu marido, então já uma figura muito conhecida e com enorme prestígio na elite política do regime constitucional Português: José Cardoso Vieira de Castro.

Vieira de castro descendia de uma família ilustre, mas parece que essa cepa nobre não lhe valeu meios de fortuna e desde cedo a ambição deste jovem levou-o ao Brasil para encontrar um casamento onde pudesse dispor dos meios de fortuna, que a sua vida parlamentar não lhe permitia. Acabou por casar com a filha de um emigrante natural de Fafe, regressando pouco depois a Portugal onde se fixaram na Maia (quem sabe se este facto não inspirou Eça para dar este nome à desaventurada família do seu romance). Depressa a província se revelou pequena e tacanha para o jovem casal, que se mudou de armas e bagagens para Lisboa, mais concretamente para a já citada Rua das Flores. Na sua casa confluíram intelectuais, entre os quais Ramalho Ortigão, onde se debatiam ideias, livros, temas mundanos, ao jeito das tertútlias burguesas tão em moda então. Este período coincidiu com a presença de Eça em Lisboa, e quem sabe se este também não participou nesses serões elegantes.

Estas reuniões onde o casal se dava a conhecer à intelectualidade lisboeta haveria de ser a sua perdição. Uma das suas presenças habituais era a de José Maria de Almeida Garrett, familiar afastado do grande escritor Almeida Garrett, e que se tornou amante de Claudina. Viera de castro descobriu esta relação proibida e apressou-se por chamar o seu amigo Ramalho Ortigão para desafiar o amante da mulher para um duelo. Almeida Garrett ter-se-á recusado a bater-se, propondo, em alternativa, sair do país como desagravo da sua falta.

Vieira de castro não se conteve e, sem contemplações, depois de adormecer a mulher com clorofórmio, matou-a violentamente na casa da Rua das Flores. Este tema apaixonou a sociedade portuguesa do seu tempo, com posições muito divergente a favor e contra Vieira de Castro.  Um dos seus mais acérrimos defensores foi Camilo Castelo Branco, seu amigo de longa data. Não deixa de ser curioso que o autor de "Amor de Perdição" tenha tomado partido do marido  ofendido, quando ele próprio esteve do "outro lado da barricada" no caso Ana Plácido, que o opôs ao marido legítimo desta, o comerciante portuense Pinheiro Alves.

É evidente que a amizade falou mais alto, ele que tinha sido acolhido por Vieira de castro quando rebentou o escândalo dos seus amores por Ana Plácido, sendo um dos mais acérrimos defensores de Viera de Castro.

Camilo foi parar à Cadeia da Relação do Porto, onde privou com o célebre "Zé do Telhado", tendo também a honra da visita do Rei D. Pedro V, que terá dito que aquela cadeia devia ser arrasada. Se Camilo acabou absolvido, Vieira de castro não teve a mesma sorte, acabando condenado ao degredo na Costa de África, onde haveria de morrer,  ainda novo, de doença.  

Poderia escolher também como título deste texto a obra célebre de Camilo - "Amor de Perdição"-inspirada na vida de um tio seu, mas perdoem-me se a minha costela queirosiana suplanta a camiliana, ainda que esteja a escolher entre dois dos maiores escritores portugueses do século XIX e também da nossa história.  

publicado por Rui Romão às 20:59
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

Herois ou Vilões?

Como escreveu Hegel "A coruja de minerva só levanta voo ao anoitecer". Esta frase pode ser interpretada de diversas formas, embora o filósofo alemão se quisesse referir à necessidade de distanciamento dos factos para os poder interpretar do ponto de vista estrutural e não apenas conjecturalmente.

Esta citação vem a propósito da interpretação que a história faz de personagens controversas.  Pessoas odiadas em vida, cujos ventos da história se encarregaram de lhes conceder uma biografia mais bondosa. São vários os exemplos, no entanto Pombal parece-me o mais paradigmático. Se dissessem aos seus contemporâneos que teria uma estátua no sítio mais nobre do país, passados apenas duzentos e poucos anos, provavelmente não acreditariam. Ironia das Ironias, no topo de uma avenida com o nome de liberdade! Outro caso mais recente, Oliveira Salazar, também já se encontra em fase de reabilitação, como atesta um recente programa televisivo e a profusão de obras, originais ou reeditadas, dadas à estampa ultimamente.

No entanto já tive oportunidade de falar nestes casos, pelo que gostaria de referir três personalidades da história recente de Portugal que, numa escala mais reduzida, reúnem os mesmos condimentos dos dois casos que mencionei. Pessoalmente, não as consigo catalogar tout court nem como herois nem como vilões, porquanto que a espectacularidade das suas façanhas só esbarra na ilicitude dos seus actos. São eles o "Remexido", o Zé do Telhado e o Alves dos Reis.   

 O "Remexido", alcunha herdada de família, foi o nome com que ficou conhecido na história José Joaquim de Sousa Reis,  combatente indefectível da causa de D. Miguel I. Consideram-no vilão provavelmente porque a História é sempre contada pelos vencedores, e como derrotado sujeitou-se ao rótulo que os liberais lhe colocaram. A lógica é semelhante à do tribunal de Nuremberga, quando questionaram um general do exército nazi sobre as causas que o levaram a estar sentado no banco dos réus. Este respondeu simplesmente que se encontrava nesta situação porque perdeu a guerra, porque se tivesse ganho era o seu interlocutor que ali estaria a responder pelos seus actos. É verdade que o "Remexido" espalhou o terror muito para além do final da guerra, no entanto também não deixa de ser verdade que as prerrogativas da Concessão de Évora-Monte, que previam a amnistia a todos os combatentes que lutaram pela facção absolutista, não foram cumpridas, dadas as represálias de que estes foram alvo. O "Remexido" perante este cenário de retaliação,  a que a sua família não foi poupada, resolveu então não entregar as armas e resisitir praticamente até ao último homem, que foi ele.

Executado em Faro, em 1838, não teve direito a estátuas como Saldanha, Sá-Nogueira ou Terceira. Mas só não as teve porque perdeu, ao contrário dos nomes que citei. Inclino-me mais para o considerar heroi pela bravura e dedicação, mas sei que se trata de uma posição polémica. 

O "Zé do Telhado" é considerado o Robin dos Bosques português, aparentemente por partilhar os proventos da sua actividade criminosa com os mais necessitados. Tinha por zona de actuação o norte do país, tendo sido preso em 1859 e encaminhado para a Cadeia da Relação do Porto, onde privou com Camilo Castelo Branco, a braços com o caso de adultério com  Ana Plácido. Considero Zé do Telhado um vilão. Ele não lesou apenas os ricos. Remediados, pobres e gente trabalhadora viram-se extirpados de rendimentos de trabalho honesto por obra e graça de Zé do telhado e da sua equipa de bandoleiros. No século XIX, em pleno dealbar do romantismo, esta figura suscitou admiração e interesse que justifica que alguém lhe dedique algumas linhas 150 anos depois, mas na essência nada o distingue dos restantes bandidos que existiam naquela altura.

O último caso, Alves dos Reis, é de todos o que mais facilmente eu setencio de vilão, até porque não se conhece nenhuma actividade benemérita que pudesse contrabalançar com a sua actividade criminosa. No entanto, dos exemplos que citei, foi o único que nunca empregou força física para conseguir os seus intentos, a que se soma uma genialidade a todos os títulos notável. A sua actividade burlesca começou desde cedo. Forjou um diploma de engenharia de uma universidade fictícia, comprou acções de empresas com cheques sem fundo, entre outros episódios recambulescos. Tornou-se célebre quando em 1925, aproveitando a balbúrdia republicana, fundou um banco em Angola - Banco Angola e Metrópole - financiado através de notas de 500 escudos falsas, num montante que se aproximava de cerca de 1% do produto interno bruto português na altura. O caso teve repercussões internacionais e levou à saída de circulação de todas as notas de 500$. A prisão foi o seu destino, não antes sem ter acumulado riqueza através da compra de participações sociais em diversas empresas, tentando inclusivamente adquirir o Diário de Notícias.

Serão os ventos da história magnânimes ao ponto de os absolver?

publicado por Rui Romão às 13:11
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