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Seria no mínimo pretensioso tentar abarcar em 5 posts a história exaustiva daquilo que foi um dos movimentos ideológicos mais complexos e com maior impacto à escala planetária durante o século XX. Não é esse o objectivo. Com esta pentalogia pretende-se expôr apenas aquilo que foram os principais marcos que o moldaram, investindo particularmente na componente ideológica e nos alicerces das várias tendências que ainda hoje podemos identificar nas estruturas comunistas.
Declaração de interesses: não perfilho dos ideais comunistas, embora me interesse pelo fenómeno deste os tempos de estudante de liceu, altura em tomei contacto com a obra de Marx e Engels. No entanto, considero que o Partido Comunista continua a ter um papel funcional a cumprir, embora estranhe o anacronismo ideológico do congénere português por comparação com outros partidos comunistas europeus. Também é verdade que todos os partidos comunistas que se reformularam acabaram por se diluir nos partidos socialistas e trabalhistas, como foi o caso da Itália com Berlinguer, da França com Georges Marchais ou da nossa vizinha Espanha com Santiago Carrilho.
Quando falamos de comunismo, a primeira interrogação surge a propósito das suas origens. Existem várias posições, desde os que defendem que teve a sua génese com a "República de Platão" até aos que a situam com a Revolução Russa de 1917. Pelo meio existem três factores que considero os fundadores deste sistema: A Revolução industrial, a Revolução Francesa e a Comuna de Paris de 1871.
Sem dúvida que o mais importante foi o eclodir da Revolução Industrial na Inglaterra do século XVIII - que se ficou a dever ao aparecimento da máquina a vapor - e que depressa se disseminou na Europa e na jovem república norte-americana. Esta nova tecnologia veio permitir a construção de verdadeiros colossos industriais que se caracterizavam, sobretudo, pela necessidade de mão-de-obra intensiva. Estavámos numa era em que o grande desafio estava na produção. No dealbar da mecanização, bastava produzir para ter garantidas vendas, logo, tentava-se produzir ao máximo e pelo menor custo. O resultado desta corrida febril pela "produtividade" foi a exploração de uma mão-de-obra que trabalhava até ao limite da sua capacidade física. Esta nova classe - o Proletariado - sujeito a salários de miséria e vivendo em condições de vida precárias, eram na sua maioria trabalhadores que abandonaram o mundo rural para se fixar nas cidades em busca de uma vida melhor. Habitavam espaços lúgubres e despojados de qualquer conforto nas zonas envolventes das fábricas, tendo sido este cenário um campo fértil para o aparecimento de movimentos contestatários.
Embora tenham aparecido ainda numa fase precóce alguns "agitadores" que se insurgiram contra o seu status quo, a tomada de consciência para a importância da luta social é adquirida com a Revolução Francesa de 1789. Este acontecimento, marca indelével da criação do Estado Moderno, veio criar uma onda de agitação por toda a Europa. O movimento operário vai beneficiar deste clima, juntando à luta desencadeada contra o absolutismo real, a luta contra o patronato, ou seja contra os "burgueses" como pejorativamente eram referidos.
Com a revolução vieram as guerras napoleónicas que varreriam a Europa de Lisboa a Moscovo, e apenas com a paz, saída do Concílio de Viena (1815), puderam os trabalhadores continuar a sua luta.
É neste contexto que surge em Paris um jovem filósofo de nome Karl Marx, acompanhado pelo seu inseparável amigo Friedrich Engels (este último curiosamente um industrial), ambos exilados da sua Alemanha natal na sequência da sua actividade jornalística considerada subversiva.
Participam e redigem, em 1848, o Manifesto do Partido Comunista, que serviria de base à criação da Iª Internacional. Este primeiro movimento era bastante compósito, abarcando várias tendências socialistas, anarquistas e sociais democratas, pelo que depressa se desintegrou face às diferenças ideológicas que se achavam em confronto. No entanto, esta Iª Internacional desempenhou um papel importante na agragação das correntes que dariam origem à Comuna de París, no day after da derrota francesa na guerra franco-prussiana. A revolta popular eclodiu na razão das condições humilhantes impostas à França para celebrar o armistício. Foi a génese do que se haveria de passar em Versalhes, após a guerra 1914-1918 (embora em sentido oposto), e que abriria caminho à ascensão meteórica de um jovem cabo, que escapou à morte quase por milagre no primeiro conflito mundial, de seu nome Adolph Hitler.
Marx , que assistiu in loco à comuna parisiense, acabou por ser o grande integrador do movimento que se uniu em torno da IIª Internacional fundada em 1889, e onde a doutrina oficial Marxista era a referência incontestável, deixando de parte alguns grupos integrantes da Iªinternacional, como anarquistas e sociais democratas.
Esta Internacional não resistiu à Grande Guerra, porque a fidelidade às pátrias em conflito foi maior que a fidelidade ao projecto pan-comunista. Começando na grande instigadora do conflito, a Alemanha, onde Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, fundadores da liga Spartakista - movimento esquerdista que se opôs à jovem república de Weimar - se mantiveram fieis à sua pátria, traindo o espírito da Internacional.
A mais importante de todas as internacionais foi, contudo, a 3ª ou Comintern, já sob a batuta da emergente Rússia, saída da revolução de 1917.
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