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Camões no seu monumental poema épico não poupa encómios aos reis de Portugal, mesmo a alguns que não seria de esperar semelhante tratamento. Recordo-me de D. Sancho II, afastado do trono pela Santa Sé depois da guerra civil que travou (e perdeu) com o seu irmão (futuro D. Afonso III), que Camões não chama mau Rei mas apenas "mediano", i.e. os portugueses estavam habituados a grandes reis e aquele não era suficientemente bom. A excepção à regra, foi D. Fernando. O autor dos Lusíadas não deixou passar em claro a sua inaptidão, sendo sobejamente conhecido o verso " um fraco Rei faz fraca a a forte gente" que dedica a este monarca.
Se tenho mais dúvidas na benovolência de Camões por outros monarca- para além do já citado D. Sancho II - nomeadamente D. Afonso V e D. João III, concordo inteiramente com o balanço do reinado deste Rei que ficou conhecido como o "Formoso". O título do post é um pouco provocatório mas resume no essencial o seu reinado.
Pau que nasce torto tarde ou nunca se endireita e o seu início de vida, marcado pela morte de sua mãe e os devaneios de seu pai (D. Pedro I, o tal da inês de Castro), devem ter tido influência no espírito fraco do Rei. Subiu ao trono em 1367 e não demorou 3 anos a envolver-se numa guerra com Castela, em aliança com o Reino de Aragão e com o Emir de Granada, contra Henrique de Trastâmara, que tinha subido ao trono depois de assassinar o seu meio-irmão Pedro "o Cruel". Para fimar a aliança foi acertado o seu casamento com a filha do Rei de Aragão: D. Leonor de Aragão...
No entanto a guerra esteve longe de nos correr de feição e como tal o Rei foi obrigado a assinar a paz com Castela, selado por um novo acordo nupcial que fazia letra-morta o anterior. Assim, D. Fernando tornou-se noivo de D. Leonor... de Castela.
A saga das "Leonores", não ficava por aqui porque entretanto o Rei enamora-se de D. Leonor Teles, fidalga que frequentava a corte mas que era casada... O povo de Lisboa revoltou-se contra esta atitude pecaminosa, mas o rei furtou-se e conseguiu casar com a sua amada. É compreensível que o Rei de Castela se tenha sentido enganado e decidiu invadir Portugal. D. Fernando foi buscar auxílio ao Reino de Inglaterra (vem deste acontecimento a célebre alianca luso-britânica que ainda hoje está em vigor) porque o segundo filho de Eduardo III, genro do falecido Pedro "o Cruel" constitui-se como pretendente do trono. A ajuda britânica não chegou a vir e o resultado foi mais uma derrota para as hostes portuguesas, em termos ainda mais duros com D. Fernando a ser cercado em Santarém e obrigado a rasgar o acordo com Inglaterra e a entrar uma vez mais na órbitra de Castela.
As guerras com Castela não se ficaram por aqui. Após a morte de Henrique de Trâstamara e a subida ao trono de D. João I, o iluminado D. Fernando achou que o reino vizinho estava numa posição de fragilidade que importava aproveitar com o "ressuscitar" da aliança com os britânicos. Enganou-se (uma vez mais) e esta aliança só foi prejudicial. Os ingleses enviaram uma esquadra para o Tejo para nos auxiliar na guerra com os castelhanos mas o mais próximo que estiveram da actividade bélica foi exercida contra os portuguesses numa canalha pilhagem a que se dedicaram durante a sua estadia. O Rei de Castela atacou bem no coração do Reino, com Palmela, Lisboa e Sintra a não serem poupadas. O tratado de Salvaterra acabou por ser benevolente para os britânicos. Foram-lhes concedidas facilidades de transporte para poderem regressar ao seu pais. O mesmo não se pode dizer das consequências para Portugal, que ficou com o seu futuro em perigo depois da aliança de casamento de D. João I com a filha única de D. Fernando (Dª Beatriz) e herdeira do trono.
Foi este triste tratado que deu origem à crise de 1383-85, mas também nos deu o pretexto para nos vingarmos em Aljubarrota de todas as humilhações frente ao exército deste mesmo D. João I de Castela. A diferença é que desta vez, em lugar do titubeante D. Fernando, havia um D. João I, Mestre de Aviz, e o seu condestável D. Nuno Álvares Pereira. Mais importante ainda, havia um povo unido em torno do seu Rei. O tal da Boa-Memória...
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