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  <title>D. Afonso Henriques</title>
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  <description>D. Afonso Henriques - SAPO Blogs</description>
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  <pubDate>Thu, 29 May 2008 06:15:55 GMT</pubDate>
  <title>Fado, Futebol e Fátima</title>
  <author>Rui Romão</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.enciclopedia.com.pt/images/amaliaikj.jpg&amp;amp;imgrefurl=http://www.enciclopedia.com.pt/readarticle.php%3Farticle_id%3D790&amp;amp;h=400&amp;amp;w=300&amp;amp;sz=11&amp;amp;hl=pt-PT&amp;amp;start=43&amp;amp;um=1&amp;amp;tbnid=wgBzIWNbqAx7dM:&amp;amp;tbnh=124&amp;amp;tbnw=93&amp;amp;prev=/images%3Fq%3Dfado%2Bfutebol%2Be%2Bf%25C3%25A1tima%26start%3D36%26ndsp%3D18%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DN&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-right: 1px solid; border-top: 1px solid; border-left: 1px solid; border-bottom: 1px solid&quot; height=&quot;124&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;93&quot; src=&quot;http://tbn0.google.com/images?q=tbn:wgBzIWNbqAx7dM:http://www.enciclopedia.com.pt/images/amaliaikj.jpg&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Somos um país de divisas. Não me refiro a divisas fiduciárias, pois, à excepção das remessas dos imigrantes, não abundam em terras lusas desde os tempos de D. João V. Refiro-me a lemas, geralmente expressos de uma forma menemónica para permitir ao povo memorizar de uma forma simples.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É comum identificar três pilares do regime salazarista, curiosamente todos começados pela letra F: Fado, Futebol e Fátima. Aos 3 F&apos;s haveriam de suceder, &lt;i&gt;hélas,&lt;/i&gt; três D&apos;s, a saber: &quot;Democratizar, Descolonizar e Desenvolver&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Comecemos pelos F&apos;s. Fado, expressão musical exclusivamente portuguesa, teve uma origem ainda não completamente esclarecida, embora hoje se tenha alguma certeza que esteja relacionada com o regresso da corte de D. João VI a Lisboa, proveniente do Brasil. Desta &lt;i&gt;melange&lt;/i&gt; de cultura africana, brasileira e portuguesa nasceu uma música original que começou inicialmente a ser cantada em casas &quot;mal-afamadas&quot; da capital. Teve na &quot;Severa&quot; a sua primeira grande intérprete, e em Amália o seu apogeu. Não obstante, continuou a ser vista como uma música boémia, de gente pouco recomedável e terrivelmente desprezada pela intelectualidade. Recordo uma entrevista do fadista João Braga, em que relata a forma como disse a seu pai que queria ser fadista. Conta-nos Braga, que o pai foi consultar o dicionário e, em voz alta e bom vernáculo, leu o significado do adjectivo fadista que encontrou no dicionário: chulo, proxeneta, meretriz... &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Salazar não gostava de fado. Entendia que era uma canção que conduzia a um melancolismo abúlico, preferindo estilos mais ritmados como o &quot;Vira do Minho&quot;. Amália, símbolo apropriado do regime, e o Fado foram muito maltratados no pós 25 de Abril, por existir a ideia que eram instrumentos do regime cessante. A reabilitação do Fado, já em pleno século XXI, veio com uma nova geração de fadistas, onde o nome mais  sonante é Mariza.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Futebol teve o seu momento mais marcante como instrumento político em 1966 no Mundial de Futebol de Inglaterra. Os &quot;magriços&quot; cumpriram dois objectivos do regime:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;1º Provar que os portugueses se podiam bater de igual para igual com todos os países, consonante com a célebre postura do &quot;orgulhosamente sós&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;2º Demonstrar, em plena guerra colonial, que as colónias eram tão portuguesas como qualquer região da Metrópole, através da estrela maior do futebol português de então, Eusébio, originário de Lourenço Marques, Moçambique.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A colagem de Eusébio ao Estado Novo trouxe-lhe mais tarde (à semelhança de Amália) alguns dissabores. Já no ocaso da sua carreira, o então futebolista encontrava-se nos EUA a jogar quando a sua mãe faleceu, tendo-lhe sido vedada a entrada no seu país de nascimento para assitir às cerimónias fúnebres.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O 3º F, Fátima, foi um fenómeno anterior ao regime, mas acentou que nem uma luva numa Igreja Católica ameaçada pelo fanatismo republicano. Com o reconhecimento das aparições por parte da cúria romana, tornou-se no símbolo máxima de fé em Portugal. Salazar, que frequentou um seminário e chegou mesmo a receber ordens menores, ao contrário do que se pensa estava longe de ser um &quot;beato&quot;. Não comungava, nem sequer se confessava (D. Maria dizia que tinha uma dispensa do papa!) olhando com reserva para alguns bispos rebeldes. Penso que adoptaria a fórmula do célebre Bispo de Viseu, D. Alves Martins, &quot; a religião quer-se como o sal na comida, nem de mais nem de menos&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apesar da utilização do milagre no contexto doméstico, o seu alcance foi muito para além do âmbito nacional. A principal mensagem mariana aos &quot;pastorinhos&quot;, expressa nos célebres &quot;segredos&quot;, destinava-se à conversão da Rússia bolchevique. Em 1917 dá-se a Revolução Russa que desde primeira hora assume a sua vocação internacionalista. A Santa Sé  não menosprezou este ambiente revolucionário e o tempo viria a dar-lhe razão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A mensagem de Fátima viria a causar algum mau estar em plena II Guerra Mundial. A invasão da Rússia (Já então União Soviética) por parte da Alemanha Hitleriana parecia ser legitimada pela mensagem mariana.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os D&apos;s encerravam os desafios mais prementes que o país, saído de um contexto revolucionário, teria que enfrentar. Democratizar foi um processo difícil, só completamente estabilizado em 1982 com a revisão constitucional que extingue um orgão militar não eleito: o Conselho da Revolução.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O processo de descolonização foi conturbado, mal conduzido, caótico e negligente, cujas sequelas ainda hoje se fazem sentir na antiga África portuguesa. Este imbróglio, que colocou os comunistas no poder em todas as ex-colónias, tem dois rostos. Mário Soares e Almeida Santos. Não obstante, o povo português compensou (e de que maneira) a inaptidão dos políticos, com um processo de integração dos chamados &quot;retornados&quot; exemplar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Finalmente o &quot;D&quot; de desenvolver continua a ser o mais difícil de concretizar. Caímos no mesmo erro dos nossos antepassados no reinado de D. João V. Recebemos o dinheiro de Bruxelas, mas não o aplicámos convenientemente. D. João V construiu o Palácio de Mafra, Cavaco Silva construiu muitas estradas mas investiu pouco no maior capital que um país tem: as pessoas. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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