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  <title>D. Afonso Henriques</title>
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  <description>D. Afonso Henriques - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Sun, 16 Aug 2009 17:56:53 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Sun, 16 Aug 2009 17:48:29 GMT</pubDate>
  <title>O Problema da Educação em &quot; Os Maias&quot;</title>
  <author>Rui Romão</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;img height=&quot;107&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;123&quot; src=&quot;http://bp0.blogger.com/_oAVolaMiWsQ/R5Ft_3y6VmI/AAAAAAAAAGc/zL9VwS524Fk/s400/e%C3%A7a2.bmp&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Muito já se escreveu sobre a obra-prima queirosiana e certamente muito faltará por dizer, não fosse esta ainda uma obra actual. Já foi por demais escalpelizada a crítica à sociedade burguesa do seu tempo, às instituições que a regem e sobretudo aos costumes, numa espécie de fórmula que nos mantinha teimosamente reféns da mediocridade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, na minha opinião, a principal crítica que é feita pelo autor à sociedade do seu tempo é à educação. Esta será  talvez a evidência mais credível da actualidade da obra de Eça.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O tema da educação está presente em todo o livro. Desde logo pelo percurso de vida do patriarca Afonso da Maia. Educado no seio de uma família conservadora, cedo aderiu aos ideais liberais, que haveriam de o conduzir ao exílio londrino após a subida ao trono de D. Miguel. Este percurso representa uma ruptura com a educação de matriz mais conservadora de seu pai, Caetano da Maia, e oferece ao leitor a visão da geração dos vintistas que fizeram a revolução liberal no nosso país. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em Pedro da Maia, Eça colocou o estereótipo do português educado de uma forma beata, à &quot;antiga portuguesa&quot;, às expensas de sua mãe e da qual não se consegue afastar na vida adulta. É esta educação, que o fez fraco, pusilânime e sem personalidade, a causa da sua tragédia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eça hiperbolizou ainda mais esta fraqueza moral gerada pela educação portuguesa na figura de Eusébio Silveira ou simplemente Eusebiozinho. Beato, cuja educação teve por base a memorização de orações, sem qualquer formação de natureza prática ou higiénica, é a antítese de Carlos da Maia, com o qual cresceu nas oliveiras de Santa Olávia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Educado por um preceptor inglês ( o Mr. Brown), Carlos da Maia teve uma educação completamente oposta à de Eusebiozinho. Ciência, ginástica e ausência de religião (para escândalo da conservadora sociedade de Stª Olávia) formaram um jovem robusto física e intelectualmente, com uma personalidade forte e uma vocação para as ciências exactas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, apesar desta educação à inglesa, Carlos da Maia haverai de se &quot;enterrar&quot; no &quot;lodaçal&quot; do Chiado. A sua vida foi a de um diletante, com muitos projectos mas sem a capacidade de os pôr em prática, em parte devido à típica letargia nacional, ausência de método e incapacidade organizativa. Para reforçar esta posição, Eça criou uma outra personagem que representa o cúmulo deste diletantismo estéril que corroi a sociedade do seu tempo (a começar pelas elites). Eis João da Ega, &lt;i&gt;qui ça&lt;/i&gt; o alter-ego hipotético de um Eça de Queirós que não tinha enveredado pela carreira diplomática.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tal como Carlos da  Maia, embora se considerem muito modernos e naturalistas (no papel) na prática são tão ou mais românticos do que o ultra-romântico Tomás de Alencar (sem a genuinidade deste último). Alencar, personagem controversa porque Bulhão Pato se sentiu representado, era um poeta de um romântismo bacoco, um palrador mediocre, mas a quem Eça tira o chapeu pelo facto de ser genuíno, de fazer o que pensa, mesmo que o que pense seja algo de ultrapassado e de gosto duvidoso.   &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ou seja, para Eça não nos devemos limitar à cópia de modelos que vêm de fora, porque não se adaptam à realidade portuguesa. No fundo é esta mensagem que sustenta a analogia ao deprimento espectáculo do hipódromo de Belém, onde se tenta transpôr uma tradição inglesa só pelo facto de ser &quot;chic a valer&quot;, Dâmaso Salcede &lt;i&gt;dixit&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É a originalidade, ou a fala dela, gerada por uma educação que não prepara os jovens para os problemas que vão ter que enfrentar na vida adulta, nem os estimula para a inovação, a que se junta uma incapacidade endémica ao nível da organização e planeamento, que nos mantém neste marasmo civilizacional.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É pelo menos assim leio aquela que considero a melhor prosa portuguesa de todos os tempos. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;  &lt;/p&gt;</description>
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  <category>os maias</category>
  <category>eça</category>
  <category>educação</category>
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